(En)Cena – A Saúde Mental em Movimento

A possibilidade do amor, redenção e perdão coexistirem

Amor e Redenção é um filme lançado em 2022 que fala menos sobre romance idealizado e mais sobre a dificuldade de acreditar no amor quando a história pessoal foi construída a partir da dor. A narrativa foi ousada principalmente por ter questões religiosas envolvidas e que causou desconforto nos homens por tentar desconstruir o machismo e colocar a mulher como protagonista e digna de amor. A história acompanha Angel, uma mulher marcada por abandono, violência e exploração, que aprendeu desde cedo que amar é perigoso e confiar custa caro demais. O amor, para ela, nunca foi sinônimo de cuidado, mas de sobrevivência.

O filme trabalha de forma constante a tensão entre o desejo de ser amada e o medo profundo de se entregar. Angel não foge porque não quer amar, mas porque amar, para ela, sempre significou perder, sofrer ou ser descartada. Nesse sentido, suas atitudes não são retratadas como fraqueza, mas como mecanismos de defesa construídos ao longo de uma vida de traumas. O afastamento, a autossabotagem e a recusa em permanecer são respostas compreensíveis dentro da lógica de alguém que nunca teve segurança emocional.

Michael representa um amor que não tenta dominar, corrigir ou salvar. Ele permanece, não como alguém que exige mudança imediata, mas como alguém que oferece constância. Ainda assim, o filme deixa claro que o amor não é capaz de apagar o passado. A redenção proposta não acontece de forma rápida ou fácil. Angel precisa, antes de tudo, confrontar a própria visão de si mesma, marcada pela culpa, pela vergonha e pela sensação de não merecimento.

Um dos pontos mais fortes do filme é mostrar que redenção não é sinônimo de final perfeito. É um processo interno, doloroso, que exige reconhecer feridas profundas e permitir-se ser vista além delas. O amor, aqui, não é apresentado como solução mágica, mas como possibilidade. Uma escolha diária de permanecer, mesmo quando fugir parece mais seguro.

Em um nível simbólico, Amor e Redenção fala sobre identidade. Sobre como experiências traumáticas moldam a forma como alguém se percebe e se relaciona com o mundo. Angel não luta apenas contra o outro, mas contra a imagem que construiu de si mesma. A redenção acontece quando ela começa a questionar essa narrativa interna, entendendo que sua história não precisa definir, para sempre, quem ela é.

O filme provoca o espectador a refletir sobre o que significa amar alguém que não acredita no amor e sobre como a verdadeira transformação não vem da imposição, mas da presença, da paciência e do respeito ao tempo do outro. É uma história que incomoda, emociona e convida a pensar sobre o peso das feridas emocionais e sobre a coragem necessária para aceitar o cuidado quando tudo dentro de nós aprendeu a rejeitá-lo.

Ficha Técnica

Amor e Redenção (2022)


Título no Brasil: Amor e Redenção Apple TV
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: D.J. Caruso e Francine Rivers
Baseado no livro: Redeeming Love (1991) de Francine Rivers 

Sair da versão mobile