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Franquia Alien: Horror cósmico e violência organizacional

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O filme Alien: O Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott, é o primeiro filme de uma das franquias mais famosas de horror cósmico, que não apenas trouxe em sua história medo e suspense, mas como também a indiferença com a vida e a violência organizacional como força motriz para diversos acontecimentos ao longo do filme. Na história conhecemos a empresa Weyland-Yutani, dona da nave espacial Nostromos e “responsável” pelas pessoas que ali trabalhavam.

A protagonista Ellen Ripley e seus colegas se veem em perigo após a descoberta de um organismo alienígena completamente desconhecido. Podemos ver uma tomada de decisões, influenciadas pela corporação Weyland-Yutani, que coloca a equipe de Nostromos em uma situação onde estão sendo predados por uma criatura na qual não conhecem as fraquezas e as origens. 

Em Alien: O Oitavo Passageiro vemos Kane ser atacado por uma criatura, que seria nomeada futuramente como Facehugger, a qual o usa como hospedeiro para o “nascimento” do Alien. Esse parasitação é brutal, o Facehugger representa uma invasão corporal total, onde suas vítimas obrigatoriamente têm o corpo utilizado como incubadora e tem a vida ceifada no término do processo.

Fonte: Cinema & Debate

Kane entrar na nave após o ataque é uma “falha” de todos os protocolos de segurança, algo que só ocorre pelo fascínio que a criatura desconhecida desperta em Ash, que age sobre as ordens secretas da corporação. As prioridades da Weyland-Yutani não eram a segurança da tripulação, as pessoas eram dispensáveis para eles, a prioridade era manter a forma de vida alienígena para estudo acima de tudo.

Em Alien: Romulus (2024), de Fede Alvarez, vemos outros tentáculos da Weyland-Yutani, conhecemos a colônia mineradora Jackson’s Star onde a morte, a fome e a pobreza ronda os trabalhadores ali inseridos. São pessoas que, com a promessa de vida melhor, ficam presas a contratos onde nunca conseguem findar esse trabalho.

Fonte: Better Worlds Theory

São dívidas que as horas de trabalho não conseguem pagar, mas os trabalhadores pagam com a vida. Não há férias, não há possibilidade real de retorno para um lar. O que existe ali são pessoas trabalhando até a morte. A segurança daqueles que ali estão é dispensável, pois para a mineradora se tratam de mão de obra, cuja vida é dispensável.  

Acompanhamos Rain, Tyler, Kay, Navarro, Bjorn e  o sintético Andy em uma jornada para sair dessa colônia onde não existe perspectiva de liberdade, jornada que os leva para uma estação abandonada onde entram em contato com o alien, aquela forma de vida aterrorizante e brutal. Durante o filme nos é apresentado relatos de como a corporação Weyland-Yutani presa pelo lucro acima de tudo, não se importando com as mortes que serão causadas no caminho.

Fonte: Alien Wiki Alien Wiki

O Alien pode ser o que causa o medo, o terror e a repulsa, porém a maior antagonista da franquia é a Corporação Weyland-Yutani. É até irônico quando o lema da organização é “Building Better Worlds”, isso é, construir mundos melhores, quando vemos uma empresa ambiciosa capaz de “atropelar” todos a sua frente para ter o que quer, mesmo que isso signifique matar aqueles que trabalham para ela.

Já em 2120, ano em que se passa os eventos da série Alien: Earth (2025), vemos a terra ser comandada por 5 corporações, sendo elas: Dynamic, Lynch, Prodigy, Threshold e Weyland-Yutani. A série vai acompanhar principalmente as organizações Prodigy e Weyland-Yutani.

Fonte: Xibenerd.com

A Prodigy surge com ideias inovadoras, se apresentando de maneira mais descontraída em comparação com a atuação já conhecida de suas concorrentes. Liderados pelo “menino gênio”, Boy Kavalier, eles não querem criar andróides sintéticos ou ciborgues como as outras empresas, seu foco são os híbridos, corpos sintéticos com consciência humana. Mas por trás dessa ideia de transhumanismo, há violações morais e éticas.

Os híbridos de humano e sintéticos são crianças doentes que têm sua consciência transplantada para corpos adultos sintéticos, um corpo que não adoece com a mente de eternas crianças. Mas de onde veio essas crianças e como chegaram a essa situação? Essas crianças eram de famílias pobres, que não tinham como os salvar, e ao receberem uma proposta para a continuidade da vida daqueles que amam, aceitam sem questionar. Mesmo que isso signifique enterrá-las aos olhos de todos e conviverem com a perda. 

Fonte: Guia Disney + Brasil

Na Prodigy temos sintéticos, híbridos e humanos. Esses híbridos foram criados acreditando que a vida que levam vem de um gesto altruísta, sem ter a ideia de que são um produto a ser apresentado. Nos sintéticos vemos características que acompanharam toda a franquia Alien: seres que às vezes imitam a natureza humana ou não, que escondem propósitos e focam na ciência e possíveis descobertas acima de tudo, eles não precisam de protocolos e muito menos de se preocuparem com implicações ética-morais. Diferentemente dos cientistas humanos, submissos a sua corporação que ignoram as implicações dos experimentos que conduzem na vida de terceiros, sempre houve a dúvida de que aqueles híbridos fossem apenas sintéticos e que aquelas crianças estavam mortas pelos caprichos de um chefe que acredita estar no topo do mundo, mas isso não foi o suficiente para pará-los. 

Para além da Prodigy, temos o “trabalhador perfeito” aos olhos de Weyland-Yutani, Morrow. Morrow é um ciborgue, seu trabalho é eterno, pois sua dívida é algo que não pode ser pago. Ele não tem família, amigos ou objetivos pessoais, sua vida é guiada pelos interesses da organização a qual faz parte.

Entre Aliens, Facehuggers, Sintéticos e o desconhecido, o verdadeiro horror vem da violência organizacional. São trabalhadores forçados a trabalhar por dívidas artificiais, contratos abusivos e através da exploração do ser humano como mão de obra. São pessoas que perdem o sentido da vida, colocando o trabalho acima de si, a agressão passa a vir não apenas da empresa, mas de uma contrato psicológico que induz a colocar a própria vida em segundo plano. A franquia Alien vai para além do horror cósmico, voltando-se para o horror que a humanidade como um todo sofre.

Ficha Técnica:

Título original: Alien, o Oitavo Passageiro

Ano de produção: 1979

Direção: Ridley Scott

Estreia no Brasil: 1979

Duração: 117 minutos 

Classificação indicativa: 14 anos

Gênero: Ficção Científica, Terror

Ficha Técnica:

Título original: Alien: Romulus

Ano de produção: 2024

Direção: Fede Alvarez

Estreia no Brasil: 2024

Duração: 114 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Gênero: Ficção Científica, Terror

Ficha Técnica:

Título original: Alien: Earth

Ano de produção: 2025

Direção: Noah Hawley

Estreia no Brasil: 2025 

Duração: 1 temporada 

Classificação indicativa: 18 anos

Gênero: Ficção Científica, Terror

Referências:

VIEIRA, Fernando de Oliveira. “QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ CORAÇÃO”: ASPECTOS DISCURSIVOS E EUFEMÍSTICOS DA SEDUÇÃO ORGANIZACIONAL QUE DISFARÇAM VIOLÊNCIA E SOFRIMENTO NO TRABALHO. Revista Economia & Gestão, Belo Horizonte, v. 14, n. 36, p. 194–220, 2014. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/economiaegestao/article/view/6416. Acesso em: 29 mar. 2026.

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