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Ética, felicidade e trabalho: reflexões de Cortella na obra “Por que fazemos o que fazemos?”

Mario Sergio Cortella traz sua reflexão mostrando que, muitas vezes, vivemos sem nos questionar sobre o sentido das nossas próprias ações. Ele nos provoca pensar sobre o propósito que guia nossas escolhas, lembrando que não basta apenas executar tarefas, mas compreender o motivo que nos leva a realizá-las. Essa inquietação é o ponto de partida para discutir ética, valores e motivação na vida cotidiana.

O autor ressalta que o trabalho ocupa grande parte da vida das pessoas e, por isso, precisa ser visto como espaço de realização e não apenas de sobrevivência. Cortella critica a ideia de que trabalhar é apenas cumprir obrigações, defendendo que o verdadeiro valor está em encontrar significado no que se faz. O conceito de alienação emplacado por Hegel descreve justamente tudo aquilo que eu produzo, mas não compreendo. Ele conecta essa visão à busca por dignidade e reconhecimento, mostrando que o trabalho pode ser fonte de sentido, muito além do labor.

Outro aspecto central é a reflexão sobre felicidade e sucesso. Cortella mostra que, muitas vezes, confundimos esses conceitos, acreditando que sucesso material equivale à felicidade. Ele argumenta que a felicidade está ligada ao sentido e à coerência entre nossos valores e nossas práticas, e não apenas a conquistas externas. Nessa perspectiva, ele alerta que houve um tempo em que os heróis das crianças eram policiais, cientistas e bombeiros, e não pessoas que meramente possuem riquezas ou poder. Esse é um convite para revermos prioridades e pensar sobre o que realmente importa. Se seguimos um caminho, quem o determinou? Se fomos nós, onde queremos chegar?

O filósofo também aborda a importância da ética nas escolhas. Para ele, fazer o que fazemos não pode estar desvinculado da responsabilidade com os outros e com a sociedade. Na relação de mundo e trabalho, o fato de que todos fazem algo não necessariamente indica que é o correto. Por isso, os antigos definiram o chamado “escrúpulo”, que significa “pedra pequena”, ou seja, se algo pode me incomodar como uma pequena pedra, seja no caminho ou no sapato, também me preserva de fazer o que não devo. Cortella lembra que nossas ações têm impacto coletivo e que viver com propósito exige consciência e compromisso. Assim, o “por que” das ações deve estar alinhado com princípios éticos que sustentam a convivência justa.

 Além disso, Cortella discute a necessidade de cultivar esperança e coragem diante das dificuldades. Ele afirma que a vida não é feita apenas de certezas, mas também de desafios e imprevistos. Nesse sentido, o autor defende que encontrar sentido no que fazemos nos dá força para enfrentar obstáculos e seguir adiante, sem perder de vista nossos valores e objetivos.

 Por fim, é possível concluir que a vida ganha plenitude quando conseguimos unir trabalho, valores e propósito. Cortella nos incentiva a não nos conformarmos com a rotina sem reflexão, mas a buscar constantemente o significado das próprias escolhas. Dessa forma, Por que fazemos o que fazemos? se torna um convite à autonomia e à responsabilidade, reforçando que “fazer” só é pleno quando sabemos “por que fazemos”.

 

Referências: 

CORTELLA, Mario Sergio. Por que fazemos o que fazemos? São Paulo: Planeta, 2016. 176 p. ISBN 978-85-422-0741-5.

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