A primeira onda do feminismo consistiu em um movimento importante para as mulheres que, no contexto histórico, passavam por mudanças na sociedade. A influência do Iluminismo e da Revolução Francesa, aliada às novas conquistas de direitos, inspirou mulheres a reivindicar sua própria igualdade. Apesar disso, a vitória foi demorada, exigindo tempo e estratégias criativas para mobilizar a sociedade em prol desse movimento, que focava no sufrágio feminino, no acesso ao ensino e ao trabalho.
Quando se fala em ondas do feminismo, esse termo é usado em analogia ao movimento das ondas do mar, significando que são movimentos que vão e vêm. Essas ondas são movimentos sociais que ocorreram em vários países, iniciando no século XIX, apesar do alcance não ser concomitante, ocorrendo em tempos e épocas diferentes.
Em questão de registro histórico, temos Olympe de Gouges, uma mulher francesa, autora da Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (1791), a obra é uma resposta à exclusão das mulheres da cidadania na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789). Houve outras, como Mary Wollstonecraft, inglesa, que foi influenciada pelo Iluminismo e Revolução Francesa, publicando Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher (1792), a respeito da educação como um meio da libertação feminina. Apesar de serem de países diferentes, havia convergência de pensamentos a respeito dos direitos das mulheres.
Com essas movimentações ocorrendo pelo continente europeu, foi surgindo um movimento chamado movimento feminista, quando mulheres se reuniram e lutaram por direitos que não eram garantidos para o público feminino, como o direito ao voto, dando início, assim, ao sufrágio feminino.
Figura 1 – Emily Davison em 1908
Crédito: Wikimedia Commons apud Gearini (2020).
O movimento da primeira onda na Inglaterra foi dividido em sufragistas (pacíficas) e as Suffragettes (radicais), que buscavam atenção por meio de pichação, destruição de obras, a fim de chamarem atenção para o movimento. Um dos casos famosos em volta do movimento da primeira onda ocorreu na Inglaterra, quando Emily Wilding Davison (1872–1913) jogou-se na frente de um cavalo real da coroa inglesa, com o objetivo de chamar a atenção ao movimento e suas reivindicações. Com esse acontecimento, a mídia e a sociedade da época repararam nessa luta, apesar da tragédia (a morte de Emily), as mulheres conquistaram o direito ao voto na Inglaterra em 1918.
O movimento se difundiu pelo globo, servindo de influências para outros países. No Brasil, Bertha Lutz trouxe conhecimento de outros países e passou a liderar grupos de mulheres a favor de buscar direitos ao voto, que até então no Brasil não eram concedidos. A partir de 1932, no governo de Getúlio Vargas, as mulheres brasileiras tiveram a oportunidade de fazer parte do grupo de eleitoras para presidência e governos.
Como citado anteriormente, alguns países passaram por esse processo do sufrágio, como também a luta para que as mulheres pudessem frequentar o ensino superior e entrar no mercado de trabalho. Mas ainda assim, nesta época, muitos países não passaram por esse processo, passando anos mais tarde ou estando até hoje sem tais conquistas.
Referências
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