A trajetória para a profissão do futuro: Psicologia

Escrever sobre mim é de fato um desafio. O autoconhecimento está como fonte das escolhas de minhas vivências e fases da vida. A partir da procura de mim mesma e do que há para se aperfeiçoar, pude ser o que sou, essa eterna construção do que ainda haverá de ser. Sempre incompleta, não por ser vaga, mas sim, por ter consciência que afirmar é limitar os horizontes das virtudes e possibilidades.

Uma das grandes decisões da minha jornada efêmera foi a escolha da faculdade, acredito que seja essa até então, a mais assertiva e concreta quando penso no futuro. Dentro da minha vida pude analisar minhas vocações, que apesar de não serem inúmeras, acabaram por ser meu diferencial. Minha empatia e força de vontade, me impulsionaram ao desejo de compreender a fundo os infinitos viés do objeto de estudo mais complexo e singular, o humano.

E como fiel ‘homo sapiens’ tenho em mim a curiosidade e a vontade de expandir conceitos e afinidades, sabendo em primeira instância que sou ‘homo’, mas ainda estou na formação da incompletude de ser de fato, ‘sapiens’. Já que das subjetividades que nos cercam em todos os âmbitos, procuro compreender os fatores complexos que nos tornam seres que julgam-se abster da sabedoria.

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Escolher psicologia foi algo fácil, como se houvesse apenas uma opção. Antes de me dirigir completamente e me reafirmar, pensei na área de psiquiatria, entretanto, ao pesquisar melhor, pude analisar que as raízes dos problemas psíquicos não podem ser tratadas de forma tão simplista, apenas com fármacos. Logo, a complexidade do entendimento do surgimento das patologias e a busca de soluções mais elaboradas mediante ao outro, puxou-me de tal forma que não houve dúvidas, era de fato minha área. Gosto de ir além da superfície das pessoas, por isso, receitas concretas não me chamavam atenção.

A fase mais penosa, por incrível que pareça, não foi a de decidir a qual futura profissão iria estabelecer-me, mas sim todo o processo obrigatório do ensino médio, pelo qual, havia inúmeras matérias que não faziam parte das áreas que me interessavam, era algo forçado e estressante. Costumo olhar o mundo de forma crítica e isso ajudou a manter-me de pé, pois não foi fácil estar em um ambiente onde o estilo de ensino e os métodos eram adoecedores e falsos no quesito de absorção. O objetivo era vago. O conhecimento parecia-me o segundo plano. Uma categoria dentro de vestibulares era de fato o almejado.

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Foi por esses motivos, e outros, que eu reprovei no primeiro ano do ensino médio no coc, e fui para o colégio militar, com pressuposto de que aquele ambiente hierárquico me fizesse “andar na linha”, entretanto nitidamente não foi esse o fator do fracasso, já que fui uma aluna esforçada. Minha inteligência talvez não fosse direcionada as “formulas de bhaskara” e a tais expectativas. Inicialmente imaginei que aquele ambiente militar fosse deixar-me triste, entretanto, foi lá que iniciei um curso técnico musical. Fiquei animada e contente, aliás, a música faz parte de mim.

A arte é algo que que me faz transcender e observar minha alma. Não há nada que possa descrever o sentimento de estar diante do seu autorretrato, seja ela pela escrita, fotografia, música, pintura… é uma das belas formas de perceber e transbordar sinceridade, ver-se através de sua própria ótica de forma livre e espontânea. Diferentemente da pressão exercida socialmente, para a arte, o que você é, é suficiente, é completo e único. Todos nós temos arte, todos nós fazemos arte, e a oportunidade de conhecer ainda mais sobre uma dessas áreas, foi empolgante e agregador. O carinho que eu sentia pelo meu instrumento, (flauta transversal) é de fato memorável e inesquecível.

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Éramos uma banda, lá pude aprender muito sobre conviver e a respeitar o conjunto de instrumentos. Ter os ouvidos apurados para o alheio e para mim mesma fazia com que o som soasse melhor. O erro de alguém afetava os resultados, assim como o acerto. Todos estavam na tentativa mútua de tocar corretamente as notas. No final das contas percebi que a vida é uma orquestra. Não adiantava tocar de forma independente, se eu não soasse no mesmo tom eu não seria ouvida, nem eu mesma conseguiria perceber-me. Eu tinha minha importância no conjunto, afinal, todos temos. As pessoas com quem convivi eram incomuns, durante toda a vida existia uma rincha e um ar esnobe nas escolas anteriores, mas ali as coisas foram mais fluidas, no qual, apesar de toda a cobrança pela disciplina, os indivíduos e a arte, compensavam tal peso.

Apesar de ter amado todos os bônus, eu sabia que ali ainda não era meu lugar, ainda sim o formato educacional fazia-me sentir incapacitada e impotente. Meus amigos sempre conversavam comigo sobre achar-me inteligente e de ver em mim, um grande potencial.  Porém, a descrença perturbava e fazia-se presente. Talvez fosse minha ânsia de querer sempre dar o melhor de mim. Entretanto, não havia como, afinal, nada me tocava ou me despertava desejo e paixão.

Todavia foi na convivência com pessoas, na procura de entender “o diferente”, no interesse pela minha dor e nas dores de todos que me cercavam, que vi minhas aptidões internas para a profissão do futuro, para a psicologia. Sinto-me satisfeita, acolhida e com um sentimento de pertencimento que antes tanto me afligia. Estou com grandes exceptivas para o que haverá de ser, quero construir-me e por consequência agregar nessa apaixonante área do conhecimento. Sinto que não estou de passagem, quero agregar-me e dessa forma agregar.

Maria Eduarda Oliveira
Acadêmica de Psicologia na instituição de ensino CEULP/ULBRA, voluntária no programa de extensão (EN)cena - Saúde Mental em Movimento. Compõe equipe de produção textual.