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O papel da arte e expressão criativa no manejo do estresse

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Num mundo saturado de produtividade e pressa, parar para desenhar, escrever, cantar ou modelar argila parece, à primeira vista, um luxo. No entanto, pesquisas em psicologia e neurociência mostram que a expressão criativa não é apenas passatempo: pode ser um recurso poderoso de descarga emocional e autocuidado. A psicóloga Cathy Malchiodi, referência mundial em arteterapia, já defendia, em Art Therapy and Health Care (2012), que atividades criativas funcionam como atalhos para acessar emoções difíceis de traduzir em palavras. Em tempos de estresse crônico, em que o corpo reage com fadiga, tensão muscular e ansiedade, a arte se coloca como um canal alternativo de expressão.

Tem dores que não cabem na fala. A arte permite externalizar sentimentos de forma simbólica e, justamente por isso, pode ser menos ameaçadora. Pintar um quadro rabiscado de vermelho pode ser a única maneira que alguém encontra para expressar raiva, escrever um poema fragmentado pode dar contorno ao caos interno e cantar em voz alta pode transformar tensão acumulada em catarse. Do ponto de vista psicológico, isso é mais do que uma simples válvula de escape: é regulação emocional. Ao projetar sentimentos em um objeto externo, o indivíduo ganha a chance de olhar para eles de fora, com menos fusão e mais clareza. Quando uma pessoa inventa uma música, improvisa um desenho ou borda sem seguir molde, ela pratica flexibilidade cognitiva, aprende a lidar com erros, a transformar falhas em possibilidades e a suportar a incerteza do processo. Isso se traduz em repertório emocional para enfrentar os imprevistos da vida. Não à toa, hospitais e centros de reabilitação em vários países já incorporam oficinas de arte como complemento terapêutico, onde criar não é apenas ocupar o tempo, mas ensaiar novas formas de existir.

Ainda que a sociedade muitas vezes insista em enxergar a arte como supérflua, destinada a elites ou a momentos de lazer, basta observar populações em contextos de guerra, luto coletivo ou catástrofes naturais para perceber que a criação artística é também um recurso de expressão. Transformar sofrimento em expressão é, em muitos casos, a única maneira de não sucumbir a ele, funcionando tanto como válvula de escape quanto como ritual de ressignificação. Lembrando que não é necessário ser artista nem produzir algo considerado bonito; a utilidade está em deixar que o gesto criativo, sem cobrança de resultado, abra caminho para um contato mais humano consigo mesmo. Seja em um diário de rabiscos, em uma música desafinada ou em uma dança improvisada na sala, o importante é usar a criatividade e ser você mesmo, expressar as emoções é o que deve ser o foco, para que essas emoções não se acumulem e se transformem em ansiedade ou estresse.

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