(En)Cena – A Saúde Mental em Movimento

Fundo do Poço

Há dias em que o corpo inteiro parece afundar.
A luz existe, eu sei… mas não alcança aqui embaixo.
O fundo do poço tem paredes frias, silêncio denso
e uma solidão que dói até nas partes do corpo que não nomeamos.

Eu ergo as mãos para cima, tentando tocar algum vestígio de Deus,
mas a fé aqui dentro é feita de sussurros — não de certezas.
As orações sobem, mas a resposta demora.

E mesmo assim eu fico.
Mesmo sem força, eu fico.
Mesmo sem promessa, eu fico.

Porque, às vezes, existir já é sobreviver.
E sobreviver, mesmo sem luz,
é a prova mais silenciosa de que ainda há algo vivo em mim.

Reflexão psicopoética

O “fundo do poço” não é apenas metáfora: é um estado emocional real, frequentemente associado a episódios de profunda tristeza, esgotamento psicológico e sensação de desconexão. Para a psicologia, esse tipo de vivência aparece quando a pessoa já ultrapassou suas estratégias de enfrentamento e entra em modo de sobrevivência emocional.

Mesmo assim, há um ponto importante: continuar existindo, ainda que sem força, já é um ato de resistência.
Permitir-se reconhecer esse limite, e não se culpar por ele, abre espaço para o início da reconstrução.

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