(En)Cena – A Saúde Mental em Movimento

O Encontro e o Silêncio

Éramos duas almas, cada uma em sua própria tempestade.

A Ninfa, guardiã dos Jardins da Alma, observava de longe os raios e relâmpagos.

Ela viu que, por trás de toda a fúria assustadora, havia uma pequena ilha, uma praia secreta, onde o sol batia nas árvores e as flores sorriam.

Então a Ninfa soprou, e soprou, não para que o caos parasse, mas para que as duas tempestades, enfim, se encontrassem e dividissem o mesmo céu.

Para que pudessem, juntas, deixar o sol e o calor aparecerem.

Mas o céu que se uniu não soube sustentar o peso daquele silêncio que veio depois do último trovão. O calor da praia, aos poucos, foi engolido pela névoa fria.

Hoje, a Ninfa apenas observa. Ela sabe que as almas voltaram a ser ilhas solitárias, e o mar entre elas é vasto.

A ilha do meu peito, onde flores e sol ainda gritam, está ancorada no ponto final.

O vento que eu seguro na garganta só sabe sussurrar o que não digo:

“Não vai… Fica…”

Eu guardo o sopro que ela me ensinou, para que ele não se transforme em mais um raio, e sim na calma brisa que espera o próximo sol.

Por enquanto, o único som é o do mar.

E só a minha saudade conhece a ilha que eu vi em você.

Reflexão

Carregado de linguagem simbólica, o que muitos vínculos humanos experimentam
o encontro profundo, o colapso do silêncio e o retorno às ilhas internas.

As tempestades representam partes emocionais intensas, frequentemente desconhecidas até por nós mesmos. Quando duas histórias se encontram, há uma possibilidade de temperança, de acolhimento mútuo, mas também há a fragilidade de sustentar o que nasce.

O “silêncio depois do último trovão” fala de algo muito comum nas relações: a dificuldade de lidar com a calmaria após períodos intensos.
No campo psicológico, isso se relaciona a padrões de vínculo, expectativas afetivas, medo de exposição emocional e, às vezes, ao colapso das idealizações.

O mar que cresce entre as ilhas simboliza a distância afetiva, a ruptura, a impossibilidade temporária de continuar. Ainda assim, aponta para um elemento essencial no processo de cura: guardar o sopro , a capacidade de manter o afeto vivo sem transformá-lo em dor.
É a habilidade de esperar a próxima luz, sem destruir o que ainda pulsa dentro.

A saudade, aqui, não é prisão; é testemunha daquilo que foi verdadeiro.

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