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Relações, intersubjetividades e a saga Toy Story

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Amigo, estou aqui! O famoso lema advindo da trilha sonora do saudoso Toy Story. A amizade é um fator que perpassa a trama de todos os filmes de forma transversal. Ao longo da saga, acompanhamos as relações entre os brinquedos, com seus conflitos, desavenças, conexões, recomeços, afetos e tudo aquilo que “ser amigo” abrange. Ao mesmo tempo, acompanhamos o desenrolar das relações entre os brinquedos e seus donos.

Em muitos momentos, vemos a história entre os brinquedos e Andy, desde sua infância até o início da adultez. Na contemporaneidade da narrativa, acompanhamos também a chegada de Bonnie e a forma como os brinquedos passam a ocupar outro lugar em suas relações. Entre essas mudanças, também observamos as relações dos próprios brinquedos entre si e, principalmente, como as trocas entre eles se transformam ao longo dos anos.

Woody se relacionava de um modo com Andy, de outro com Bonnie e, de outro ainda, quando não possuía um dono. Também se relacionava de uma maneira com Buzz na casa de Andy e de outra com Buzz em diferentes momentos de suas trajetórias. O mesmo acontece com os demais personagens. As relações não permanecem iguais porque os sujeitos que delas participam também não permanecem os mesmos.

É justamente nesse ponto que podemos pensar a intersubjetividade. Na perspectiva sistêmica, conforme discutida por Esteves de Vasconcellos (2021), o sujeito não pode ser compreendido separado das relações e dos contextos dos quais participa. O modo como alguém se posiciona, percebe o outro e constrói significados está relacionado ao contexto relacional em que está inserido.

Assim, Woody não é apenas “Woody”. Ele é um Woody que se constitui na relação com Andy, outro quando se relaciona com Buzz, outro quando precisa lidar com Jessie e os demais brinquedos e outro quando se vê diante da possibilidade de não pertencer mais a ninguém, se constituindo em diferentes possibilidades de existência produzidas nas relações.

Além da intersubjetividade, outros conceitos pertinentes para pensar Toy Story são a instabilidade e a complexidade. As relações estão em movimento, o contexto muda, os personagens mudam e, consequentemente, as próprias relações também se transformam. Andy cresce. Bonnie cresce. Os brinquedos envelhecem, perdem seus lugares, encontram novos espaços e precisam elaborar aquilo que essas mudanças produzem em suas vidas.

Nesse sentido, a saga também é uma história sobre pertencimento. Pertencer parece mover grande parte da existência dos brinquedos. Ser escolhido, ter alguém para cuidar, ser lembrado, permanecer junto e sentir que existe um lugar ocupado naquela relação são questões que aparecem repetidamente ao longo da saga.

Talvez seja por isso que a frase “Amigo, estou aqui” atravesse tantos momentos importantes, porque ela reafirma a presença, o vínculo e o pertencimento. Fala sobre saber que, diante das mudanças, dos conflitos e das perdas, existe alguém com quem se pode construir uma relação.

E assim, podemos aprender que  não somos os mesmos em todos os lugares, nem com todas as pessoas. Somos também aquilo que construímos juntos. E, nessa construção, cada encontro pode produzir um modo diferente de estar no mundo.

 

Referência

ESTEVES DE VASCONCELLOS, Maria José. Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. 10. ed. Campinas: Papirus, 2021. 269 p.

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