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Atypical: neurodiversidade em cena

Lançada pela Netflix entre 2017 e 2021, Atypical conquistou público e crítica por retratar de maneira sensível a vida de Sam Gardner, um adolescente no espectro autista que está descobrindo o mundo, o amor e a própria autonomia. Em vez de transformar o autismo em caricatura ou drama exagerado, a série escolhe mostrar o desenvolvimento de Sam sem romantizar sua trajetória. A série acompanha suas dificuldades em compreender códigos sociais, lidar com estímulos sensoriais e organizar a vida de forma independente. Ao mesmo tempo, evidencia seus interesses, sua inteligência, sua sensibilidade e o desejo verdadeiro de construir relações significativas. A produção também destaca o impacto da neurodiversidade no ambiente familiar. Os pais, cada um à sua maneira, tentam equilibrar proteção e liberdade, enquanto a irmã de Sam vive seu próprio conflito entre sentir-se responsável por ele e buscar espaço para ser apenas uma adolescente. Essa dinâmica mostra que o autismo não transforma apenas a rotina de quem está no espectro, mas também a de quem convive de perto com ele, criando um cenário onde todos precisam se adaptar, aprender e crescer juntos.

Outro mérito da série está nas discussões sobre autonomia. Sam deseja dirigir, trabalhar, ter relacionamentos e tomar decisões por conta própria. Suas tentativas e tropeços revelam como a busca por independência é atravessada por medos, inseguranças e descobertas, assim como acontece com qualquer jovem. A neuro singularidade não apaga sua humanidade, apenas molda seu jeito de vivê-la.

Com o passar das temporadas, Atypical amplia ainda mais o debate ao incluir personagens neurodivergentes interpretados por atores no espectro, trazendo representatividade autêntica para a tela. As nuances do roteiro mostram que não existe um único jeito de ser autista e que a diversidade dentro do próprio espectro é enorme.

Ao acompanhar Sam, o público é convidado a abandonar estereótipos e entender que a neurodiversidade não precisa ser vista como barreira, mas como forma legítima de existir no mundo. A série não oferece respostas prontas, mas abre espaço para reflexão e empatia. Em tempos em que discussões sobre inclusão ganham mais visibilidade, Atypical se torna não apenas entretenimento, mas também uma ferramenta importante de compreensão e diálogo.

No fim, a grande força de Atypical está em lembrar algo simples: toda pessoa, neurotípica ou neuro divergente, deseja ser entendida, respeitada e vista pelo que é. E quando a ficção trata isso com sensibilidade, quem assiste acaba levando um pouco dessa humanidade para fora da tela.

Referência: Série Atypical (2017–2021). Netflix.

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