(En)Cena – A Saúde Mental em Movimento

O aceitar do Outono

Há um cansaço manso
Que chega devagar nos olhos dos mais velhos.
Não é pressa de ir,
Nem dor de ficar.

É só um silêncio novo,
Um leve desamarro das coisas do mundo,
Como quem desfaz, com cuidado,
Os nós de um laço que já segurou tanta vida.

Eles olham para o tempo
Como quem olha para uma plantação depois da colheita:
Há beleza, há memória, há frutos,
Mas o corpo pede descanso
E o coração já não se apressa por nada.

Muitos dos seus já partiram,
E às vezes o mundo parece grande demais,
Rápido demais,
Barulhento demais
Para quem já viveu tantas eras.

E, mesmo cercados de filhos, netos,
Sobrenomes que carregam seu sangue,
Às vezes falta o pertencimento
Daqueles que partilharam a juventude,
Os amores antigos,
Os risos que hoje só moram na lembrança.

Não é tristeza,
É estação.
É o outono se aceitando,
Sem medo do inverno,
Sabendo que já floresceu o que precisava florescer.

Sair da versão mobile