Há um cansaço manso
Que chega devagar nos olhos dos mais velhos.
Não é pressa de ir,
Nem dor de ficar.É só um silêncio novo,
Um leve desamarro das coisas do mundo,
Como quem desfaz, com cuidado,
Os nós de um laço que já segurou tanta vida.Eles olham para o tempo
Como quem olha para uma plantação depois da colheita:
Há beleza, há memória, há frutos,
Mas o corpo pede descanso
E o coração já não se apressa por nada.Muitos dos seus já partiram,
E às vezes o mundo parece grande demais,
Rápido demais,
Barulhento demais
Para quem já viveu tantas eras.E, mesmo cercados de filhos, netos,
Sobrenomes que carregam seu sangue,
Às vezes falta o pertencimento
Daqueles que partilharam a juventude,
Os amores antigos,
Os risos que hoje só moram na lembrança.Não é tristeza,
É estação.
É o outono se aceitando,
Sem medo do inverno,
Sabendo que já floresceu o que precisava florescer.