O processo de envelhecimento é marcado por mudanças em diversos aspectos importantes, sendo eles de ordem biológica, física, psicológica, social e cultural, o que torna esse fenômeno extremamente complexo. Essas alterações possuem um impacto considerável na organização dos relacionamentos que permeiam a vida desses indivíduos, pois fatores como crise de identidade, mudanças de papéis nas relações e as transformações advindas da aposentadoria, além de perdas significativas e da redução da vida social transformam as características dos laços sociais nessa faixa etária (Colussi et al., 2019).
Nesse sentido, o envelhecimento populacional constitui um importante desafio para a saúde pública brasileira, exigindo estratégias que contemplem não apenas aspectos biomédicos, mas também as dimensões psicossociais que permeiam a vida da pessoa idosa. Nesse contexto, as relações intergeracionais e familiares desempenham papel relevante na promoção do bem-estar, da qualidade de vida e da participação social dos idosos. Assim, a intervenção abordada teve como objetivo promover discussões e reflexões acerca das vivências intergeracionais nas relações familiares de idosas participantes do Centro de Convivência dos Idosos do Estado do Tocantins (CCI), por meio de atividades voltadas à socialização, à psicoeducação e ao fortalecimento dos vínculos. Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no contexto da disciplina Práticas Interprofissionais de Educação em Saúde, ministrada pelo professor Matheus Morbeck, do curso de Psicologia do CEULP/ULBRA.
As ações foram realizadas no Centro de Convivência dos Idosos do Estado do Tocantins (CCI), instituição voltada à promoção do envelhecimento ativo e da convivência social. Inicialmente, realizou-se um diagnóstico situacional por meio de visita ao local, permitindo a observação da estrutura física, entendimento da rotina institucional e das principais demandas apresentadas pelo público frequentador. A partir desse levantamento, identificou-se a relevância das questões relacionadas às relações familiares e à convivência entre gerações, o que motivou a elaboração da intervenção.
As atividades ocorreram em três encontros, divididos da seguinte forma:
Dia 1: Realização de dinâmica com o objetivo de promover interação e apresentação de texto sobre a singularidade de cada pessoa idosa.
Apresentação do documentário “Agir pelas emoções”, para trabalhar o processo de Intergeracionalidade e evocar discussões para realização de roda de conversa sobre as experiências dos idosos com as gerações mais recentes.
Ao final do encontro, realização de sorteio de massagem.
Dia 2: Dinâmica de compartilhamento de experiências de forma anônima, para discussão das vivências dos idosos com suas famílias e oportunização do compartilhamento de conselhos para gerações futuras.
Dia 3: Coffee Break, confraternização e coleta de feedbacks.
Embora o objetivo inicial fosse realizar a coleta de feedbacks de forma digital ou escrita, as próprias idosas apontaram a necessidade de que ela ocorresse oralmente, a fim de facilitar a expressão de suas percepções.
Alguns feedbacks coletados:
“Foram abordados temas interessantes”
“Foi bom, nada de dificuldade”
“Interessante, bom pensar isso… nem sempre vai conseguir lidar com a pessoa de outra geração, mas é possível se relacionar bem”
“Gostei dos temas, assuntos que precisamos conversar.”
Dessa forma, as atividades desenvolvidas permitiram a criação de espaços de acolhimento, escuta e compartilhamento de experiências entre as idosas. A participação nas rodas de conversa favoreceu reflexões acerca das relações familiares e das mudanças vivenciadas ao longo do envelhecimento. Além disso, as dinâmicas estimularam a socialização e a valorização das experiências acumuladas pelas participantes. Identificou-se o Centro de Convivência dos Idosos do Estado do Tocantins (CCI) como um importante equipamento de promoção da saúde e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Referência:
COLUSSI, Eliane Lucia; KUYAWA, Amanda; DE MARCHI, Ana Carolina Bertoletti; PICHLER, Nadir Antonio. Percepções de idosos sobre envelhecimento e violência nas relações intrafamiliares. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, e190034, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1981-22562019022.190034.
