O conto da Aia, seria mesmo uma distopia?

O Conto da Aia, livro escrito em 1985 pela autora canadense Margaret Atwood continua mais atual do que nunca. No livro “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir tem uma frase que define muito a obra de Atwood “[…] Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados” (BEAUVOIR, 1949, p.29).

A obra se passa em um futuro distópico, onde os Estados Unidos sofrem um golpe de Estado, sendo assim proclamada a República de Gilead. Neste novo país as universidades estão extintas, não existe mais jornal, televisão ou biblioteca e as únicas leis existentes são a lei divina, sendo assim um país teocrático, totalitário e patriarcal, pois as mulheres são as primeiras vítimas e os seus direitos são abolidos.

A sociedade de Gilead é composta por castas, onde os homens sempre ocupam os principais poderes, os homens também compõem as atividades laborativas, como, médicos, farmacêuticos, militares etc. Já as mulheres são divididas em categorias, cada qual com uma função já estabelecida pelo Estado.

As esposas são as companheiras dos Comandantes (os comandantes são pessoas do alto escalão do exército) e a função da esposa é sempre fazer a vontade de seus maridos. As Marthas são as responsáveis por manterem a casa sempre organizada e elas são propriedade da família.

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São chamadas de Tias, as mulheres responsáveis por disciplinarem as Aias. Depois que uma catástrofe nuclear deixou uma grande parte da população estéril, as poucas mulheres que ainda eram férteis são as aias, elas pertencem ao governo e existem somente para procriar. As aias são entregues as famílias dos comandantes e obrigadas uma vez por mês a terem relações sexuais com eles para engravidar. Após dar à luz, elas amamentam o bebê e logo depois são transferidas para outra família.

O sucesso do livro gerou a série adaptada homônima que acabou de estrear sua quarta temporada. Tanto o livro quanto a série são narrados por June, a Aia da família Waterford. Na série vamos acompanhar toda a mobilização das Marthas e Aias para exporem as atrocidades cometidas no país para o mundo, com o intuído de estabelecer um mundo melhor.

A obra discute sem receio a opressão feminina e como elas não possuem direito sobre seus corpos, também aborda como o discurso fundamentalista religioso é extremamente perigoso. A distopia também suprime resolutamente as pessoas mais poderosas associadas às minorias.

Embora este pareça ser um universo completamente fictício, a verdade é que a obra de Margaret se aproxima de alguma realidade contemporânea em muitos aspectos, visto que é só abrir a página do jornal e encontrar algumas comunidades contemporâneas que vivem sob o apoio da autocracia e da teocracia.

Fonte: encurtador.com.br/wILM9

Referência:

ATWOOD, Margaret. O Conto da Aia. 1.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. 2.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

Maria Tereza Castro Miranda
Estudante do curso de Relações Internacionais na UFT, voluntária do Projeto O Não Internacionalista, manual de política internacional para não internacionalista.