Ah, se esta carne fosse só metal,
um mecanismo dócil, funcional,
onde a regulação fosse possível
um giro exato no eixo sensível.
Como um robô, eu calibraria a dor,
diminuiria o torque deste amor,
ajustaria a voltagem da saudade,
desligaria o interruptor da ansiedade.
Eu tento.
Juro que procuro o manual desta estrutura bio-emocional.
Eu busco a regular o meu sistema,
mas cada peça é um dilema, um cabo solto,
um curto-circuito.
Que frustração!
A peça humana não se controla,
não se formata,
não obedece ao torque.
E, então, o que me resta?
No lugar da chave, a negociação.
No lugar do ajuste, a renúncia.
Abrir mão para que o todo não se quebre ao meio.
Eu cedo um pouco do meu anseio,
eu negocio com meu próprio caos…
Para não sangrar em carne viva.
Bacharel em Direito (PUC-GO/2008) Acadêmica de Psicologia.