Regulação

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Ah, se esta carne fosse só metal, 

um mecanismo dócil, funcional, 

onde a regulação fosse possível

um giro exato no eixo sensível. 

 

Como um robô, eu calibraria a dor,

diminuiria o torque deste amor,

ajustaria a voltagem da saudade, 

desligaria o interruptor da ansiedade.

 

Eu tento.

Juro que procuro o manual desta estrutura bio-emocional. 

Eu busco a regular o meu sistema, 

mas cada peça é um dilema, um cabo solto,

um curto-circuito.

 

Que frustração!

A peça humana não se controla,

não se formata, 

não obedece ao torque.

 

E, então, o que me resta?

No lugar da chave, a negociação.

No lugar do ajuste, a renúncia. 

Abrir mão para que o todo não se quebre ao meio. 

Eu cedo um pouco do meu anseio, 

eu negocio com meu próprio caos…

 

Para não sangrar em carne viva.

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