Desinformação digital e seus efeitos no processo diagnóstico em Saúde Mental

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Diversos cursos de Psicologia incluem em sua grade curricular disciplinas como Neuropsicologia, Avaliação Psicológica e Avaliação Neuropsicológica, com o objetivo de formar profissionais capacitados a realizar diagnósticos de transtornos mentais de maneira ética, fundamentada e responsável.

Contudo, observa-se atualmente uma variável que impacta diretamente não apenas o trabalho dos profissionais responsáveis por processos avaliativos, mas também o dos psicoterapeutas que recebem indivíduos com inúmeras dúvidas sobre a possibilidade de apresentarem algum transtorno mental.

Tornou-se cada vez mais comum que usuários de redes sociais compartilhem vídeos curtos sobre sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Personalidade Borderline, entre outros. Embora essa circulação de conteúdo contribua para ampliar o acesso público a informações até então pouco difundidas, ela também intensifica um fenômeno problemático: a busca por diagnósticos baseada em descrições superficiais de sintomas que, isoladamente, não caracterizam um transtorno mental.

Abi-Jaoude, Ng e Yeung (2022) analisaram 100 vídeos do TikTok com a hashtag #ADHD (Attention Deficit Hyperactivity Disorder) e identificaram que 52% continham informações enganosas, evidenciando que uma parcela significativa do conteúdo disseminado favorece a identificação equivocada de sintomas.

O autodiagnóstico, por sua vez, pode gerar desconfiança ou resistência diante de avaliações profissionais ou tratamentos psicoterapêuticos, colocando o psicólogo diante de uma demanda emergente que requer manejo ético, acolhedor e bem embasado.

Esse cenário também suscita reflexões sobre o papel dos Conselhos de Psicologia na promoção da informação qualificada e no enfrentamento da disseminação de conteúdos imprecisos. Torna-se fundamental pensar em estratégias que favoreçam a circulação de informações verdadeiras, atualizadas e acessíveis nesse novo ecossistema digital.

REFERÊNCIA

FOGAÇA, Ana Beatriz. Redes sociais promovem banalização do diagnóstico de transtornos mentais. Jornal da USP. Campus Ribeirão Preto, 02 jun. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/redes-sociais-promovem-banalizacao-do-diagnostico-de-transtornos-mentais/. Acesso em: (11/12/ 2025). 

YEUNG, A.; NG, E.; ABI-JAOUDE, E. TikTok and attention-deficit/hyperactivity disorder: a cross-sectional study of social media content quality. The Canadian Journal of Psychiatry, v. 67, n. 12, p. 899-906, 2022. DOI: 10.1177/07067437221082854. 

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