Em tempos de vínculos líquidos, escolher ficar inteiro

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Não é sobre ser contra o novo, nem sobre sustentar regras rígidas de relacionamento. É sobre reconhecer que nem todo mundo consegue se manter inteiro em relações rasas. Para algumas pessoas, o vínculo afetivo não é algo que passa sem deixar marcas, ele atravessa, mobiliza e envolve partes profundas de quem se é.

Na contemporaneidade, marcada pela velocidade, pelo descarte e pela lógica do desempenho também nas relações, o contato íntimo tende a ser tratado como algo leve, substituível e pouco implicado. No entanto, para certos sujeitos, não existe neutralidade emocional quando se estabelece proximidade. Beijar, tocar ou se vincular implica troca, presença e entrega. Sempre se deixa algo de si.

Por isso, a recusa ao casual não se trata de moralismo ou romantização do passado, mas de respeito aos próprios limites afetivos. Há modos de amar que não comportam fragmentação. Não saber “ser metade” ou “ser pouco” revela um funcionamento psíquico que busca continuidade, sentido e conexão real, em contraste com vínculos cada vez mais frágeis e efêmeros.

Assumir o rótulo de “antiquada”, diante de uma cultura que valoriza quantidade, rapidez e desapego, pode ser compreendido como um gesto de cuidado consigo. Ao não se moldar às métricas externas que regulam como, quanto e com quem se deve amar, o sujeito afirma sua singularidade e preserva sua integridade emocional.

Em tempos de vínculos líquidos, talvez sustentar a profundidade não seja atraso, mas uma forma legítima — e necessária — de resistência psíquica.

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Bacharel em Direito pela Faculdade de Palmas (FAPAL), Acadêmica e Estagiária de Psicologia da ULBRA Palmas.

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