O Bom Dinossauro é um filme que fala pouco com palavras e muito com afetos. À primeira vista, parece apenas uma aventura entre um dinossauro medroso e um menino selvagem, mas, conforme a história avança, o que realmente se revela é o peso transformador das relações e a forma como o encontro com o outro pode nos refazer por dentro.
Arlo carrega o medo como herança e o luto como ferida aberta. Ele cresce tentando corresponder às expectativas da família, especialmente à imagem de força deixada pelo pai, e, nessa tentativa, acaba se afastando de si mesmo. É na relação inesperada com Spot que ocorre a verdadeira mudança. Sem compartilhar a mesma língua, eles se comunicam pelo olhar, pelo cuidado e pela dor reconhecida um no outro. Essa conexão silenciosa mostra que o vínculo não nasce da semelhança, mas da disponibilidade em sentir junto.
Ao longo do caminho, Arlo aprende que coragem não é ausência de medo, mas a decisão de seguir apesar dele. Spot, por sua vez, ensina que o afeto também pode ser transitório e que amar, às vezes, significa deixar ir. A despedida entre eles não é marcada por promessas, mas por gratidão, revelando que algumas relações não permanecem para sempre, mas ainda assim nos transformam profundamente.
O filme nos lembra que ninguém atravessa a vida sozinho e que cada encontro deixa marcas, mesmo quando é breve. As relações moldam quem somos, nos ensinam sobre perda, cuidado, pertencimento e crescimento. Em “O Bom Dinossauro”, a transformação não acontece por grandes feitos heróicos, mas por pequenos gestos de confiança e acolhimento. É nesse espaço delicado entre o medo e o afeto que o personagem cresce, e nós, que assistimos, também.
FICHA TÉCNICA
O Bom Dinossauro Ano: 2015
Gênero: Animação | Aventura | Drama
Duração: 93 minutos
Classificação indicativa: Livre
Onde assistir: Disney+ (streaming)
Produção: Pixar Animation Studios / Disney
