A angústia de domingo e o encontro consigo mesmo

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O domingo é, para muitos, um dia esperado de descanso. Mas, ao mesmo tempo, pode trazer inquietação. Essa sensação de vazio aparece quando as obrigações acabam e o silêncio nos coloca frente a frente com nós mesmos. Viktor Frankl, psiquiatra e neurologista, chamou isso de “neurose dominical”, um vazio existencial em que a correria da semana muitas vezes esconde (Frankl, 2016).

Durante a semana, trabalho, estudos e tarefas ocupam nosso tempo e evitam que enfrentemos perguntas importantes sobre o sentido da vida e sobre como estamos vivendo o nosso tempo. Quando tudo para, a angústia surge. Mas ela não precisa ser apenas um incômodo: pode ser vista como um convite para refletir sobre nossas escolhas, valores e prioridades, e para perceber o que realmente importa para nós.

Na sociedade de hoje, marcada pela produtividade e pelo consumo, muitas vezes perdemos a capacidade de lidar com o ócio e o tédio. O tempo livre, que poderia ser um momento de descanso e autoconhecimento, pode acabar gerando ansiedade. Planejar cada minuto do domingo pode impedir que aproveitemos o dia de verdade, trazendo a sensação de desperdício ou inutilidade.

É justamente nesse tempo de “não fazer” que podemos encontrar significado. Ao permitir-se simplesmente estar, ouvir os próprios sentimentos e reconhecer necessidades e desejos, podemos descobrir um propósito mais profundo. A angústia do domingo deixa de ser apenas um problema e se transforma em uma oportunidade de reflexão e autoconhecimento. Ela nos mostra que precisamos prestar atenção ao que sentimos, identificar o que está faltando em nossa rotina e perceber pequenas mudanças que podem trazer mais leveza e presença para o dia. Quando compreendemos essas sensações e agimos de forma consciente, o tempo livre deixa de ser uma ameaça e se torna uma chance de viver de forma mais satisfatória e significativa.

Referência
FRANKL, Viktor Emil. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

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