O psiquiatra John Ratey apresenta, em seu livro Spark: The Revolutionary New Science of Exercise and the Brain (2008), uma nova forma de compreender o exercício físico: não apenas como um cuidado com o corpo, mas como um instrumento essencial de equilíbrio emocional e funcionamento cerebral. Com uma linguagem clara e baseada em evidências científicas, Ratey mostra como o movimento atua diretamente sobre os circuitos neurais responsáveis pelo humor, atenção e resiliência emocional.
O cérebro em movimento
A proposta de Ratey é mostrar como o movimento molda o cérebro tanto quanto o corpo. Ele explica que, durante a atividade física, o organismo libera uma série de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e endorfina, substâncias que promovem sensação de bem-estar, prazer e motivação. Essas mesmas substâncias são frequentemente alvo de tratamentos farmacológicos para depressão e ansiedade, o que reforça o poder do exercício como uma forma natural de autorregulação emocional.
Além disso, a prática regular estimula a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de criar e fortalecer novas conexões. Isso significa que o exercício não apenas melhora o humor momentaneamente, mas também fortalece estruturas cerebrais ligadas à atenção, à memória e ao controle emocional, promovendo benefícios de longo prazo.
Um regulador natural do humor
Ratey destaca que o exercício físico atua como um antidepressivo natural. Ao reduzir os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e aumentar a oxigenação cerebral, o corpo passa a responder melhor às situações desafiadoras. Essa combinação química cria o que o autor chama de um “colchão emocional”: uma proteção interna contra as oscilações intensas de humor e os efeitos da sobrecarga mental.
Estudos citados por Ratey mostram que indivíduos que praticam atividades aeróbicas regularmente apresentam menor incidência de ansiedade e depressão, além de maior capacidade de foco e tomada de decisão. Em um de seus exemplos mais conhecidos, escolas que incluíram aulas de educação física intensas antes das disciplinas cognitivas observaram melhora significativa no desempenho e na concentração dos alunos.
Movimento como autocuidado
Mais do que uma recomendação médica, Ratey propõe o exercício como um ato de autocuidado e reconexão mente-corpo. Em um contexto social em que o sedentarismo e o estresse crônico se tornaram comuns, mover-se é um gesto de resistência e equilíbrio.
Ao integrar o exercício à rotina, o indivíduo aprende a reconhecer o corpo como aliado da saúde mental, e não apenas como uma aparência a ser mantida. Dessa forma, o movimento transforma-se em uma prática terapêutica cotidiana — uma maneira de regular emoções, liberar tensões e recuperar o senso de vitalidade.
Referência: Ratey, J. (2008). Spark: The Revolutionary New Science of Exercise and the Brain. Little, Brown Spark.
