Mudanças vêm acompanhadas de um luto.
Mesmo quando boa e esperada,
Ela pede silêncio,
Em um espaço entre o que foi Mesmo que em sonho,
E o que ainda não é
Há luto quando olhamos pra quem fomos
E não seremos mais,
Pelos caminhos que deixamos
Antes de saber onde pisar.
Há o luto da casa
Que guarda histórias,
E sobrará nossos ecos
Da rotina que nos cabia
Como roupas usadas, Mas já pequenas.
Há o luto da carreira dos sonhos,
Dos planos que ficaram na curva,
Das pessoas que amamos,
Mas não cabem mais no agora.
Há o luto das crenças
Que já não sustentam o que sentimos,
Do grupo que um dia foi abrigo,
Mas que vira boas lembranças.
E mudar é isso,
Um adeus disfarçado de recomeço
Não prevemos o luto Quando almejamos a mudança
Mas quando o reconhecemos,
Ganhamos chão sob os pés.
Porque mudar não é só partir,
É permitir rasgar-se Para refazer, reconstruir,
Do outro lado, com coragem.