Amor e sexo: Juntos e separados

Paixão é fogo que passa, e as vezes volta, ou se sopra para acender de novo. Por que será que amor e paixão são sentimentos tão confundidos pela humanidade? Quem nunca teve a dúvida se amou de verdade?  

Uma pergunta que não cala, do mais novo ao mais velho dos corações. Viver apaixonado seria o formato de amor líquido: trocar de par quando a paixão acabar ou continuar? Ascender o fogo da paixão, dando forma ao amor, um novo jeito de viver e aprender a amar? Dar um novo significado para a paixão e para o amor em um novo lugar em nossas vidas e na nossa história.

Quem nunca teve dúvida sobre isso talvez ainda não se percebeu. Uma crise, ou várias, em muitos momentos da vida, relacionadas ao amor e a paixão. Dúvida e até muitas vezes o próprio caos, que nos fazem crescer.

A dor de não estar certo, a procura do que nos faz feliz, a decisão que faz escolher os caminhos, todos os instantes a cada respiração. 

O amor, quem nunca pensou sobre ele? Quem nunca sequer pensou sobre um outro alguém como objeto de desejo? Porque os relacionamentos amorosos, de qualquer natureza que sejam, fazem parte do nosso ideal de vida? Será que a força motriz disso seja apenas biológica, ligada a uma energia sexual que nos move, ou, ainda, baseada no instinto de preservação da espécie? A história evolutiva das relações conjugais leva a crer que esse intuito de união sofreu e sofre alterações. A evolução das relações amorosas ainda é uma constante amparada num processo evolutivo atrelado aos aspectos socioculturais e psíquicos aos quais estamos inseridos.

Ainda que o amor seja uma pauta atemporal, as raízes do que se concebe do amor remontam aos povos das cavernas, que o retratavam em pinturas rupestres. Pesquisas indicam que o amor é um conceito universal, isto é, ele está presente em todas as culturas que se conhece (Vincent, 2005). Historicamente o amor e os relacionamentos amorosos ocuparam diferentes importâncias para a vida social, valores ora mais marginais ora mais centrais, de acordo com o contexto as concepções de indivíduo que a mesma encerra. Inúmeros sistemas filosóficos e teológicos estabeleceram um lugar de destaque para esse sentimento.

A formação das relações amorosas pode depender de diferentes ideias estabelecidas na sociedade, as quais podem sofrer modificações ao longo dos anos. Estudar e teorizar sobre o amor deve envolver um entendimento sobre ele como um produto de forças históricas, biológicas, sociais e conceituais sem perder, contudo, o sentido da evolução da conduta doa nossa espécie em diferentes meios culturais. Zordan (2010, p. 27) aponta que a união conjugal sempre esteve presente na história da humanidade, contudo assume contornos e características diferentes de acordo com o contexto “político, social, religioso, cultural e econômico de cada momento histórico”. O entendimento mais detalhado desse fluxo relacionado às experiências amorosas permite a reflexão mais consciente e consistente sobre as intenções e buscas dos indivíduos em diferentes sociedades e quais os aspectos que mais as influencia.

Feiler explica que (2019, p. 32) “o amor não é eterno e imutável; está sempre em evolução e sempre evoluindo. O amor não é um momento no tempo, é a passagem do tempo. Foi assim para Adão e Eva e é assim para nós”. Adão e Eva, inclusive, fazem parte da primeira história de amor já citada nos livros da cultura judaico-cristã. Basta ver como nos lembramos deles, não é apenas sobre Adão, tampouco apenas sobre Eva, mas é sobre Adão e Eva, o casal. Um nome raramente é mencionado sem o outro. E assim, nasce a primeira história amorosa que se teve notícia, a qual, por meio da Bíblia (2008), foi anunciada, tal qual se anunciou o modelo do romance adequado, conforme trecho prescrito em Gênesis 2:24, onde está prescrito que o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher para se tornar uma só carne.

Perguntas são saudáveis e com elas um vasto terreno de possibilidades. Isso é também bom. As paixões e o amor na verdade caminham dentro da gente, é preciso buscá-las. Isso por muitas vezes é demorado, é chato, e dói. Mas quem procura acha, quem procura dentro, acha com assertividade. Porém, como é trabalhoso, é comum deixarmos muitas vezes à cargo do destino.

Amor e sexo são palavras que deixam qualquer criança, adolescente e ainda adultos não preparados, confusos. Nossa história, herança psicológica, social e cultural, construiu homens e mulheres com muitas crenças, valores e tabus, paradigmas que geraram dificuldades e crenças que nem sempre ajuda na maturidade da pessoa e dos relacionamentos. 

Ainda que hoje percebamos o sexo a solta, o amor ainda é raro. Muita informação, hoje tudo está aberto, saímos de um extremo de restrição para outro de ampla explanação. Muitas perspectivas e percepções externadas, e as pessoas buscando fora o que deveriam construir dentro de si, o que faz sentido, quem faz sentido. 

Saímos de um modelo onde o certo era cumprir regras, fizesse sentido ou não. Agora cada um fazendo a suas regras, antes o olhar estava muito no outro. Outrora, voltando o olhar pra si, ainda se caminha rumo à dificuldade de amar e seu amado. O equilíbrio de olhar para si, amar a si, com empatia suficiente para amar além de si ainda é uma conquista a ser almejada, em meio a tantos relacionamentos líquidos. Então sofremos!

Existe uma mistura de sentimentos dentro de cada um, muitos ainda não conseguem assumir suas verdadeiras posições preferidas, pois ne sequer as conhece. É preciso avançar nos diálogos, nas rodas de conversas, conversas internas, conversas a dois, em casa, nas ruas, nas famílias. É preciso experimentar estar só, se amparar, para poder amar e amando juntos, gerar fortalecimento e um eu saudável, que se revigora no nós também saudável. 

Com amor e sexo saudável, uma relação que não adoece, que contribui para o crescimento e amadurecimento dos envolvidos. Aprendemos com informação, conversas, experiências boas, outras ruins, modelagem, modelação, e essas experiências tanto trazem nossa liberdade, para um mundo a ser conquistado em nós, quanto podem trazer dores e traumas pra uma vida toda enquanto pessoa, enquanto casal e para família, se não forem ressignificadas. Sexo é por cause de… Amor é apesar de. 

Para Freud toda libido de vida estaria ligada as questões sexuais desde a infância, e se bem resolvidas ou não, nos trazem comportamentos saudáveis ou adoecedores. Essa libido surge como um instinto, algo primitivo, biológico e do temperamento, que da cor às relações e se consolida na forma de se relacionar, na visão de mundo e na personalidade de cada um e dos envolvidos nessa relação.

O Amor segundo Erik Fromm é uma arte, que se desenvolve, é um construir de si para junto, de pessoas maduras. Como amar sem respeitar? Não é possível respeitar uma pessoa sem conhece-la, cuidado e responsabilidade seriam cegos, se não fossem guiados pelo conhecimento.

Talvez não se escolha quem por quem se apaixonar, mas de decida por quem amar.

Roberta Galvani
Administradora. Master Coach e Mentora de Mulheres, Executivos e Casais. Analista Comportamental e Competências. Especialista em Gestão e Saúde. Formação em Terapia do Esquema. Formanda em Psicologia pelo Ceulpl/Ulbra. Colunista na Revista Cenarium TO, no Universo Feminino.