Impacto psicológico do uso de mídias sociais: Desafios para a atuação da psicologia

Algumas reflexões sobre a sobrecarga informacional, desinformação  e os efeitos psicológicos na sociedade contemporânea

As tecnologias nos ajudam ou nos atrapalham?

É evidente que vivemos em um mundo drasticamente diferente do que há 10 ou 15 anos. A quantidade de informações disponíveis é impressionante: telefones, tablets, computadores e assistentes virtuais nos mantêm conectados quase o tempo todo. Estamos constantemente expostos a notícias sobre política, desastres naturais, epidemias e crises econômicas em todo o mundo, criando um ambiente propício para a ansiedade, o estresse e diversos outros transtornos. As ferramentas que utilizamos para nos informar contém algoritmos projetados especificamente para manter nossa atenção na tela e nos fornecer conteúdos que reforçam nossas opiniões preexistentes, limitando nossa abertura para descobrir novos horizontes, novas perspectivas, novas experiências e pessoas novas.

Com frequência, o que vemos nas redes sociais ou nos noticiários é projetado para causar um impacto negativo em nós. Esses sentimentos negativos tendem a gerar mais visualizações e comentários do que conteúdos relacionados ao bem-estar e à felicidade, devido à tendência natural do nosso cérebro de prestar mais atenção a contextos negativos. Estes dois fenômenos são conhecidos, respectivamente, como o viés de disponibilidade e o viés da negatividade.

As tecnologias, por um lado, proporcionam uma ajuda significativa às pessoas em diversas áreas, como localização, mobilidade, compreensão e acesso à informação. No entanto, essa mesma tecnologia possui uma dualidade, trazendo prejuízos à saúde mental humana e dificultando a redução dos sintomas de certos transtornos. Um grande desafio é o autodiagnóstico, pois as redes sociais transmitem informações sobre os sinais de determinado transtorno de maneira que muitas pessoas acabam se identificando erroneamente.

Os psicólogos precisarão realizar uma psicoeducação abrangente sobre diagnósticos precipitados, os quais carecem de embasamento científico e de testes adequados de avaliação psicológica. Antes de tudo, é essencial que a pessoa consulte um profissional qualificado e bem informado sobre o assunto, que possua embasamento teórico sólido e capacidade para confirmar se o transtorno está presente ou não.

Muitas informações disponíveis em sites abordam apenas sintomas genéricos associados a determinadas patologias, ignorando por completo o histórico individual da pessoa. Entende-se que o histórico pessoal e cultural desempenham um papel crucial em um diagnóstico consistente, pois influenciam diretamente o estado de saúde mental no momento presente. Portanto, um autodiagnóstico apenas complicaria a situação em que a pessoa se encontra.

Este tema abre espaço para uma discussão extensa, porém, é importante destacar a influência dos algoritmos no pensamento e na percepção do mundo pelas pessoas. Os algoritmos têm a tendência de direcionar os usuários para conteúdos personalizados, baseados em seus perfis de navegação.

Isso se torna problemático, pois mantém o usuário preso a um único estilo de conteúdo, limitando sua exposição a novos conhecimentos. Do ponto de vista psicológico, isso pode ser especialmente preocupante. Por exemplo, uma pessoa que consome conteúdo violento será constantemente bombardeada por esse tipo de material.

Quando consideramos os diferentes transtornos mentais, a situação se torna ainda mais séria. Uma pessoa com sintomas de depressão pode consumir conteúdo que agrava esses sintomas, e o algoritmo pode aprofundar ainda mais essa imersão em um “mundo depressivo”, no qual a esperança parece cada vez mais distante, já que tudo que é consumido está relacionado a aspectos negativos.

As redes sociais oferecem uma fuga da realidade, o que pode levar as pessoas a evitar enfrentar seus problemas diretamente. Esse comportamento tem um impacto negativo nas técnicas de enfrentamento propostas pela psicologia, tornando desafiador tratar transtornos. À medida que as pessoas evitam confrontar seus sintomas e questões emocionais, esses problemas tendem a se agravar, criando uma espécie de ciclo vicioso.

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Além disso, uma das grandes dificuldades da psicologia nesse contexto é fazer com que esse indivíduo bombardeado pelas mesmas coisas dia e noite, tenha novas visões de mundo, pois essa “bolha” em que a pessoa se insere, é um campo fértil para preconceitos e discriminações.  

Por tanto um dos maiores desafios na psicologia, é ir contra esses efeitos negativos da tecnologia ao mesmo tempo que ela  corre sem freio, avançando cada vez mais, no rumo de estar totalmente presente na vida e no cotidiano das pessoas, que estão cada vez mais próximas da tecnologia sendo quase que impossível separar uma da outra. 

Referências

MEIO & MENSAGEM. Algoritmo de recomendação. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/proxxima/pxx-noticias/algoritmo-de-recomendacao. Acesso em:  1 de março de 2024.

 

PORTAL TELEMEDICINA. Autodiagnóstico. Disponível em: https://portaltelemedicina.com.br/autodiagnostico. Acesso em: 1 de março de 2024.

 

PERSONARE. Uso excessivo de internet simboliza fuga da realidade. Disponível em: https://www.personare.com.br/conteudo/uso-excessivo-de-internet-simboliza-fuga-da-realidade-m3519. Acesso em: 4 de março de 2024.