É preciso estourar a bolha – porque o algoritmo diz tanto sobre você?

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Os seres humanos são seres sociais e comunicativos. Desde o início das civilizações, têm-se registros de formas criativas de comunicação e agrupamentos. Pinturas rupestres, música, arte, códigos, números e escrita se desenvolveram ao longo dos anos até hoje, formando culturas, idiomas, povos e nações. A partir disso, o cenário digital que molda grande parte das comunicações recentes também está cheio da própria linguagem e das próprias “tribos”, ou melhor: bolhas. 

Ainda no início do audiovisual, quando TVs e revistas eram febre, o conceito de “fama” fazia sentido: uma pessoa era famosa porque todos conheciam seu nome, rosto e legado. Sua influência permanecia por décadas e sua importância fazia sentido, pois alguém era famoso porque tinha algo de relevante. As celebridades, artistas, cantores e atores eram conhecidos independentemente da geração, pois isso era ser famoso. Na atualidade, o conceito de fama não é mais o mesmo, pois uma pessoa pode ser muito conhecida no seu próprio nicho, ou seja, na sua bolha digital. Essa fama, por sua vez, não necessariamente vem de talento ou importância, pois no contexto atual, existem várias formas de alcançar uma visibilidade digital.

Entretanto, apesar da facilidade de ser famoso nas bolhas digitais, essa fama e influência podem ser bem passageiras. Nas redes sociais, indivíduos podem alcançar grande exposição em um curto período, mas essa mesma visibilidade pode desaparecer rapidamente diante do surgimento de novos conteúdos, tendências e figuras públicas. Nesse sentido, Bauman (2001) agrega a essa perspectiva ao trazer a ideia da liquidez das relações, pois, ao mesmo tempo em que uma pessoa pode alcançar marcadores incríveis nas redes sociais, podem existir pessoas comuns que não acompanham o conteúdo dela nem conhecem seu rosto.

Compreender as bolhas sociais nos faz entender o fenômeno dos conteúdos semelhantes também, uma vez que o algoritmo é personalizado para cada pessoa. Alguém que consome conteúdos sobre jogos só vai ter acesso a perfis que falam disso, bem como a um vocabulário específico também; ao mesmo tempo em que alguém que consome dicas de culinária também terá o conteúdo moldado por isso. Nesse sentido, dentro de um mesmo país, estado ou cidade, dentro da mesma cultura e língua, podem coexistir novas formas de vocabulário, comunicação e estratégias de alcançar novos públicos.

A partir disso, cabe a reflexão sobre todo o conteúdo digital que consumimos: quanto de todo esse conteúdo reverbera no nosso dia a dia a longo prazo? Estamos consumindo porque é importante ou porque queremos somente pertencer?

REFERÊNCIA: BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. 

 

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