A relação entre sono inadequado e desempenho acadêmico

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Se você já ficou rolando o feed do celular até tarde, sabendo que tem aula ou trabalho cedo no dia seguinte, não está sozinho — e seu cérebro provavelmente está sofrendo silenciosamente. Estudos de Curcio, Ferrara e De Gennaro (2006) mostram que noites mal dormidas prejudicam a memória, atenção e capacidade de aprendizagem. Do ponto de vista neuropsicológico, o hipocampo, que consolida memórias, e o córtex pré-frontal, que organiza pensamento e atenção, simplesmente não funcionam bem sem sono suficiente.

Durante o sono, especialmente nas fases de sono profundo e REM, o cérebro processa e consolida informações adquiridas ao longo do dia, fixando aprendizados e fortalecendo conexões neurais. Quando essas etapas são interrompidas, a memória de curto e longo prazo sofrem diretamente, e tarefas que exigem foco e raciocínio se tornam mais difíceis. Além disso, a atenção fica fragmentada, tornando qualquer atividade mental mais cansativa e sujeita a erros. Em outras palavras, ficar acordado até tarde não apenas rouba energia: rouba aprendizado, desempenho e produtividade.

Infelizmente, os resultados não são bons. Ansiedade elevada, foco fragmentado e desempenho prejudicado em tarefas simples. O ciclo se repete: você se sente cansado, mais ansioso, tenta “compensar” rolando o celular, e no dia seguinte tudo começa de novo. Dormir não é luxo, é investimento cognitivo, o cérebro precisa ser recarregado. Então, da próxima vez que se pegar roendo o tempo em redes sociais até altas horas, lembre-se: seu cérebro precisa de descanso para funcionar de verdade, e nada substitui uma boa noite de sono.

A boa notícia é que o cérebro é altamente adaptável, e pequenas mudanças na rotina podem reduzir significativamente esses efeitos negativos. Estabelecer horários regulares de sono, criar um ambiente escuro e silencioso, e desconectar eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir ajuda o hipocampo e o córtex pré-frontal a funcionarem melhor, fortalecendo memória e atenção. Técnicas simples de relaxamento, como respiração profunda, meditação guiada ou até ouvir música calma, podem reduzir a ansiedade e preparar o organismo para o sono reparador. Em outras palavras, não são precisas noites intermináveis de estudo ou trabalho, planejar descansos estratégicos e respeitar o ritmo biológico do corpo é tão importante quanto a própria tarefa, porque é durante o sono que o aprendizado realmente se consolida e o cérebro se recarrega para enfrentar os desafios do dia seguinte.

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