Cinema de terror: por que gostamos de sentir medo?

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No livro The Philosophy of Horror: Or, Paradoxes of the Heart, Noël Carroll (1990) propõe uma análise filosófica do gênero do horror, buscando compreender por que as pessoas gostam tanto de assistir filmes de terror e suspense, mesmo que para muitos isso signifique sentir medo, repulsa e desconforto. Para o autor, esse paradoxo ocorre pois entende-se que o prazer sentido durante essas experiências não vem do medo em si, mas sim do envolvimento cognitivo e narrativo que as obras despertam. Ou seja, o público sente atração pelo “desenrolar” da história, e tem sua curiosidade despertada para compreender o “monstro” e desvendar o mistério que o cerca.

Carroll (1990) descreve o monstro como uma entidade “ontologicamente impura”, isto é, uma violação das categorias naturais do pensamento humano ao reunir características contraditórias (como vivo e morto, humano e animal, natural e sobrenatural). Essa transgressão simbólica desperta, ao mesmo tempo, repulsa e fascínio, levando o espectador a experimentar emoções ambíguas. Assim, o horror não seria apenas uma forma de entretenimento, mas também uma oportunidade de explorar cognitivamente o desconhecido e de confrontar os limites daquilo que é considerado humano e normal.

Sentir medo de forma segura

Ao abordar as respostas humanas diante do horror, Carroll (1990) destaca que o medo provocado por esse gênero mobiliza intensamente tanto o corpo quanto a mente. Aceleração dos batimentos cardíacos, sudorese, dilatação das pupilas e liberação de adrenalina são algumas das reações que as pessoas sentem fisicamente quando assistem filmes de horror… compondo um estado de alerta semelhante ao que ocorre em situações reais de ameaça. No entanto, pelo fato de se tratar de um contexto fictício, o cérebro entende que essas experiências são controladas e simbólicas, e que, então, não apresentam perigo real e, por isso, o medo passa a ser prazeroso. 

Essa vivência funciona como uma forma de excitação emocional que desperta curiosidade, reforça o interesse na história do filme, mergulhando na narrativa do personagem, e o fascínio para descobrir quem vai vencer no final, proporcionando uma sensação de domínio sobre o próprio medo. 

 

 Referência: Carroll, N. (1990). The Philosophy of Horror.

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