O livro “O Jardineiro que Tinha Fé: Uma fábula sobre o que não pode morrer nunca”, da escritora e analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, é uma comovente homenagem e testemunho da vida de seu Tio Zovár, um fazendeiro, refugiado húngaro, sobrevivente da guerra que teve sua vida “queimada e arrasada” pelas adversidades, mas manteve uma fé inabalável na capacidade de recomeçar.
A obra não é apenas uma biografia de seu tio, mas uma teia de histórias entrelaçadas que versam sobre a superação de traumas, o profundo processo de luto e esperança, além de enfatizar uma tradição familiar de se fazer história e de se manter viva a contação de histórias de geração para geração.
Através de metáforas poderosas como “As Lições do Bosque” e “As Fábulas do Pinheiro”, a autora traduz, de forma leve e poética, os ciclos e ensinamentos das estações da natureza, que inevitavelmente remetem às nossas próprias fases e transformações da vida. A figura do jardineiro, que tinha fé, traz uma lição fundamental de paciência e de convivência com a dor do trauma e nos ensina que é preciso esperar pelo ciclo de renascimento; que a “terra” (nossa alma) precisa ser revolvida; e que as sementes da esperança devem ser plantadas com a convicção de que vão germinar, mesmo quando o céu da vida estiver cinzento.
A narração é profundamente comovente e envolve o leitor em metáforas que funcionam como ferramentas de resiliência, auxiliando na reconexão com a força interior. Com suas apenas 80 páginas, “O Jardineiro que Tinha Fé” é um livro que se lê “em uma sentada”, mas que ressoa na alma por muito tempo.
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Ficha técnica:
Título: O Jardineiro que Tinha Fé: Uma fábula sobre o que não pode morrer nunca
Autora: Clarissa Pinkola Estés
Gênero: Fábula/Contos
Editora : Rocco
Tradução: Waldéa Barcellos
