No exato instante em que tento correr para qualquer lado, buscando fugir do que está por vir, a vida parece colocar sinais todos os dias diante dos meus olhos. O mundo inteiro se abre à minha frente, mas sinto como se fosse puxada para um ponto específico, que me impede de fazer o que bem entender. Quando começo a me conformar, parece que a outra metade da vida me diz que ainda não é hora de agir. Ao desviar o pensamento para outra possibilidade, até os detalhes da rua parecem gritar que não adianta correr. Rostos conhecidos ou desconhecidos passam pelo meu campo de visão, todos parecendo dizer a mesma coisa: é isso, não adianta lutar contra.
Enquanto o mundo busca confirmação sobre o que vejo, tudo o que eu queria era uma pontada de dúvida, para ir dormir um pouco mais no presente e menos no futuro. Eu só preciso de coragem, mas está tão difícil. Começamos a formular pecados e mais pecados dentro da cabeça, tentando justificar que o mundo não gira no sentido pelo qual temos ido ultimamente. Talvez nem tudo seja tão errado quanto parece, mas tente colocar isso dentro de uma cabeça que se sente culpada, sem ter decidido, percebido ou encontrado certeza absoluta sobre o que quer para a própria vida neste momento.
De vez em quando, não é a felicidade alheia que dá um soco no estômago; é a maneira como temos vivido por nós mesmos. É o fato de termos jogado a toalha e decretado o fim da linha, sem esforço para manter as coisas de pé dentro do peito. É a falta de vontade que se embrenha pelas veias, nos fazendo deixar para lá. O pior é que tudo continua assim até eu achar um sentido para a minha vida. Nada parece dar certo.
