O que eu vou ser? Indefinido…

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Talvez essa pergunta só exista porque, por muito tempo, eu precisei funcionar. Talvez eu não saiba o que vou ser porque ainda estou aprendendo a não ser tudo ao mesmo tempo. E talvez não exista uma forma pronta me esperando, mas um espaço aberto, sem contorno definido, que assusta justamente por não exigir nada de imediato.

O medo não é de virar outra coisa. É de descobrir quem eu sou quando não preciso mais aguentar.

Essas inquietações também existem porque o mundo espera respostas bem elaboradas, planejadas, organizadas. O que você vai fazer depois da faculdade? Já tem emprego? Vai atender? Vai fazer pós? As perguntas chegam como se houvesse uma sequência lógica a ser seguida, como se existir sem um plano claro fosse sinal de fracasso ou desperdício.

Mas a verdade é que eu ainda estou tentando entender o que existe além da pessoa estudante. Além de sair do ensino médio, entrar na faculdade, amadurecer dentro do que é esperado e cumprir etapas como se fossem obrigações naturais da vida. Ninguém ensina o que vem depois disso. Ninguém pergunta como a gente fica quando o papel que nos definiu por tanto tempo simplesmente deixa de existir.

Talvez eu precise de tempo para descobrir quem sou sem esse caminho tão conhecido. Sem o título, sem a função, sem a necessidade de provar algo. Talvez eu esteja buscando algo que não seja a próxima meta, mas um sentido que não venha da cobrança.

Com o tempo, percebo que talvez eu não precise ser uma coisa só. Posso ser algo diferente a cada dia, dependendo do que eu consigo, do que eu sinto, do que me atravessa. Há dias em que ser forte é possível. Em outros, existir já basta. E existe um desejo silencioso de, em algum momento, poder escolher não ser nada e, ainda assim, me permitir estar em paz com isso.

O mundo, no entanto, exige definição. O indefinido incomoda porque não se mede, não se explica, não se organiza. Parece não ter valor, quando na verdade é nele que existe espaço. Espaço para mudar, para respirar, para não caber. Talvez a definição seja justamente o que limita, enquanto o indefinido permite.

Você que está lendo pode até achar que esse texto está bagunçado. Que as ideias não seguem uma linha reta, que não há começo, meio e fim muito claros. Mas talvez essa seja exatamente a essência. Encontrar-se no que não é coeso, definitivo ou linear. Reconhecer beleza e semelhança no que é desorganizado e caótico, porque nem tudo na vida se constrói com ordem. Algumas coisas só se revelam no meio da bagunça.

Eu ainda não sei o que vou ser. Mas sei que quero ter o direito de escolher. Escolher ser algo hoje, outra coisa amanhã ou simplesmente não ser e, ainda assim, continuar inteira.

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