Relato – 24/10/2025
O presente relato de experiência tem como objetivo descrever as vivências e aprendizados obtidos durante o Estágio Institucional em Psicologia, realizado no Parque Municipal da Pessoa Idosa Francisco Xavier de Oliveira, em Palmas-TO, pela ULBRA Palmas. A experiência teve como foco o desenvolvimento de atividades voltadas à comunicação, à escuta ativa e às relações interpessoais, promovendo espaços de convivência, acolhimento e troca de experiências entre os participantes.
A proposta surgiu a partir da observação das demandas presentes no cotidiano dos idosos frequentadores do Parque, especialmente relacionadas à necessidade de escuta, expressão emocional e fortalecimento de vínculos sociais. O estágio baseou-se em uma perspectiva que valoriza a empatia, a comunicação autêntica e o reconhecimento da subjetividade, compreendendo o envelhecimento como um processo que envolve dimensões afetivas, sociais e simbólicas. Assim, o trabalho buscou proporcionar aos idosos um espaço de escuta, diálogo e expressão, em consonância com os princípios éticos e humanistas da Psicologia, bem como com as diretrizes do Estatuto do Idoso e da Lei nº 14.423/2022, que garantem o direito à convivência, ao respeito e à dignidade na velhice.
O ESTÁGIO E O CAMPO DE ATUAÇÃO
O estágio foi desenvolvido no Parque Municipal da Pessoa Idosa Francisco Xavier de Oliveira, um espaço público de referência voltado à promoção da saúde, lazer e socialização da população idosa. O local oferece atividades físicas, oficinas culturais e grupos de convivência, sendo um ambiente propício para o trabalho do psicólogo na perspectiva da promoção do envelhecimento ativo. Durante o período de abril a junho de 2025, as estagiárias participaram semanalmente das atividades do Parque, observando, interagindo e conduzindo momentos reflexivos com os idosos. O objetivo foi compreender as formas de comunicação presentes no grupo, promover o diálogo e fortalecer o sentimento de pertencimento e valorização pessoal. Mais do que aplicar técnicas, o estágio buscou vivenciar o cotidiano dos participantes e compreender a complexidade das relações humanas nesse contexto.
VIVÊNCIAS E EXPERIÊNCIAS EM GRUPO
As atividades realizadas ao longo do estágio foram planejadas para favorecer a expressão emocional, a empatia e o compartilhamento de histórias de vida. Os encontros ocorreram em clima de descontração e respeito, com dinâmicas simples e simbólicas que possibilitaram reflexões sobre sentimentos e formas de se relacionar.
Mosaico das Histórias (23/04/2025)
No primeiro contato com o grupo, foi realizada uma dinâmica de apresentação, em que cada idoso escreveu em papéis coloridos algo significativo sobre si: um valor, uma lembrança ou uma qualidade. Esses fragmentos foram reunidos em um mosaico coletivo, representando a diversidade das trajetórias de vida. A atividade favoreceu o acolhimento, a escuta e a percepção de que cada história possui importância singular.
Caixa das Emoções (07/05/2025)
Com o intuito de explorar a expressão emocional e o diálogo empático, os participantes retiraram de uma caixa cartões com diferentes emoções e compartilharam experiências relacionadas a elas. O grupo trouxe recordações profundas, que envolveram tanto momentos de dor quanto de superação, revelando o poder da fala e da escuta na reconstrução da autoestima.
Fale sem Palavras (21/05/2025)
Nesta vivência, os idosos foram convidados a se comunicar por gestos e expressões, sem usar palavras. A proposta buscou refletir sobre a importância da linguagem não verbal na comunicação cotidiana. Apesar da timidez inicial, o grupo se envolveu na dinâmica, gerando risadas e comentários sobre situações em que foram mal interpretados por não se expressarem claramente. A discussão posterior reforçou o papel da escuta atenta e da empatia nas relações interpessoais.
Se Fosse com Alguém que Você Ama… (04/06/2025)
No último encontro, a reflexão girou em torno da autoempatia e do autocuidado. As idosas foram convidadas a pensar sobre situações de desrespeito e violência, e como reagiriam se algo semelhante acontecesse com alguém querido. A partir dessa provocação, emergiram falas potentes sobre respeito, dignidade e amor-próprio, revelando o quanto as vivências do passado ainda repercutem nas emoções e comportamentos atuais.
RESULTADOS E REFLEXÕES
O estágio proporcionou aprendizados profundos e transformadores, tanto para as idosas participantes quanto para mim. As participantes demonstraram satisfação com os encontros, destacando o prazer de serem ouvidas, acolhidas e de poderem compartilhar suas histórias. Foi perceptível o fortalecimento da autoestima, da socialização e da escuta empática, além do resgate de memórias afetivas e da valorização da própria trajetória de vida.
A vivência no Parque da Pessoa Idosa foi muito além de uma experiência acadêmica, foi um encontro humano. Estar com eles me permitiu compreender o verdadeiro sentido da escuta, da presença e da empatia. Foi um privilégio aprender e conviver com cada pessoa idosa, ouvir suas histórias, suas dores e alegrias. A experiência foi linda e profundamente significativa, e me conectou de forma sincera com essa fase da vida, reforçando em mim o desejo de seguir por um caminho profissional voltado ao cuidado com o envelhecimento.
Foi também um espaço de crescimento humano e profissional, permitindo vivenciar, na prática, o papel da Psicologia Comunitária e Institucional na promoção da saúde e da qualidade de vida. A experiência reforçou a importância da ética, do sigilo e do respeito à singularidade de cada sujeito, princípios fundamentais no exercício da profissão.
Levo comigo o propósito de construir espaços mais humanos, respeitosos e acolhedores, onde cada sujeito seja reconhecido em sua singularidade e dignidade. Meu coração ficou guardado entre as músicas, os sorrisos e os passos lentos daqueles que me ensinaram sobre o tempo, a vida e o poder do afeto.
CONCLUSÃO
O Estágio Institucional no Parque da Pessoa Idosa revelou-se uma vivência rica em aprendizados, emoções e descobertas. Mais do que observar comportamentos ou aplicar técnicas, o estágio possibilitou encontros humanos genuínos, marcados por escuta, empatia e trocas afetivas. Cada diálogo e cada história compartilhada contribuíram para compreender o envelhecimento como um processo de continuidade, sabedoria e ressignificação. Essa experiência reafirmou a importância da Psicologia como ciência e profissão comprometida com a dignidade, a autonomia e o bem-estar das pessoas idosas, e reforçou o valor dos espaços comunitários como lugares de acolhimento, cuidado e pertencimento.
Geovanna Maciel Cavalcante.
Discente do Curso de Psicologia – (ULBRA).
E-mail: geomacielc@rede.ulbra.br.
