Ted Bundy: uma perspectiva psicopatológica

Theodore Robert Bundy mais conhecido pelo pseudônimo de Ted Bundy nasceu em uma família puritana filho de uma jovem solteira em 24 de novembro de 1946 em Burlington no estado de Vermont, EUA. Durante os primeiros meses de gravidez ele foi escondido por sua mãe, o que logo após ocasionou uma rejeição durante os primeiros anos de sua vida pelo fato de ser filho ilegítimo. Ted cresceu na casa de seu avô, um homem violento que batia em sua esposa, acreditando que sua mãe biológica era sua irmã, porém um tempo depois sua mãe Louise casou-se e se mudou para outra cidade levando a criança que na época tinha cinco anos de idade.

O relacionamento de Bundy com seu padrasto era conturbado pois ele não entendia porque ele tinha sido separado de seus ‘’pais’’ para morar com a ‘’irmã’’. Em seu novo lar, ele era considerado uma criança solitária, tímida e muito insegura. Mesmo sofrendo bullying na escola, o jovem era o melhor aluno, tendo sua desenvoltura acadêmica considerada brilhante.

Assim que Ted foi crescendo ele passou a ser considerado pelos amigos como um rapaz bonito e carismático. Mesmo não mantendo estabilidade em seus empregos, ele começou a trabalhar desde cedo, porém não teve dificuldades para entrar no meio acadêmico após terminar o ensino médio, em 1965. Antes de se transferir para a Universidade de Washington ele passou um ano na Universidade de Puget Sound.

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Não se tem noção quando ele começou a matar e quantas pessoas foram em sua totalidade, porém confessou cerca de 36 assassinatos. Sua tática era se passar por alguém que precisasse de ajuda, ele simulava que mancava ou que tinha o braço ou perna quebrado pedindo ajuda seja pra ajudar a carregar livros ou até para trocar o pneu do carro. Pedia ajuda de mulheres jovens com longos cabelos escuros que o lembrava de sua ex-namorada, que sempre o acompanhavam até seu carro, organizado metodicamente para contribuir com seus crimes: não existia trinco na porta e nem banco de passageiro e assim que sua vítima colocava os objetos no carro, ele as empurrava para dentro, algemava e/ou fazia com que elas ficassem inconscientes.

Bundy foi considerado um assassino em série misto, pois em alguns momentos agia de forma imatura, deixando evidências na cena do crime e em outras ocasiões era metodicamente organizando, selecionando suas vítimas de maneira prévia e deixando o local do crime sem nenhum vestígio. Temos que entender que a psicopática é caracterizada como um conjunto de características da personalidade, entrando na categoria dos chamados transtornos de personalidade. Esses transtornos são anormalidades do desenvolvimento psicológico que perturbam a integração psíquica de maneira persistente, fazendo com que ocorra alterações na forma em que o indivíduo se percebe e percebe o ambiente que está inserido, mesmo que isso não signifique uma ruptura com a realidade, como em um surto psicótico.

O DSM-V descreve 10 tipos específicos de transtornos de personalidade com base em características semelhantes, em três grupos distintos: Grupo A – transtorno de personalidade paranoide, esquizoide e esquizotípica, compartilham características identificadas em pessoas excêntricas e/ou estranhas; Grupo B – transtorno de personalidade antissocial, borderline, histriônica e narcisista, com estereótipos de indivíduos dramáticos, emotivos e/ou erráticos; Grupo C – transtorno de personalidade esquiva, dependente e obsessivo-compulsiva, sujeitos com perfil ansioso e/ou medroso. Demais tipos de personalidade não distribuídos nestes grupos se concentram em mudanças por questões médicas ou perturbações ainda não especificadas, não havendo grupos predefinidos.

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Se fizéssemos uma análise comportamental em Ted ele se ‘’encaixaria’’ no Grupo B, pois seu diagnóstico seria transtorno de personalidade narcisista já que ele usava sua aparência como forma de atrair/seduzir suas vítimas, fora o fato de se sentir bem com toda a repercussão de seus atos. No DSM-V há um padrão invasivo de grandiosidade, muitas vítimas, necessidade de admiração e falta de empatia. Ele não se importava com os sentimentos de suas vítimas.

Após vários julgamentos e fugas, Ted teve três sentenças de morte decretadas, assim encaminhado pro corredor da morte da Prisão Estadual da Flórida onde ficou preso por quase 10 anos e durante esse período concedeu algumas entrevistas para jornalistas o que gerou uma série documental de quatro episódios denominada: Conversando com um Serial Killer — Ted Bundy e um filme: Ted Bundy — A Irresistível Face do Mal.

Após todas as vias de recursos dele serem negadas e esgotadas, Ted confessou a maioria de seus crimes e teve sua execução marcada para o dia 24 de janeiro de 1989, o que gerou um grande movimento do lado de fora da Prisão Estadual da Flórida, cerca de duas mil pessoas com churrasco, música e fogos de artifício, como palavras finais Ted Bundy se desculpou com sua mãe por todas as dores causadas.

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile
Direção: Joe Berlinger
Elenco:  Lily Collins, Zac Efron, Angela Sarafyan, Sydney Vollmer, Macie Carmosino, Ava Inman, Morgan Pyle, James Hetfield, Richard K. Jones, Justin Inman
Ano: 2020
País: Estados Unidos da América
Gênero: Biografia, Crime, Drama

REFERÊNCIAS:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5.ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

CASOY, Ilana. Serial killers: louco ou cruel? Rio de Janeiro: Darskide, 2014.

RULE, Ann. Ted Bundy: Um Estranho ao Meu Lado, Rio de Janeiro: Darkside, 2019.

Ana Beatriz de Sousa R. Silva
Acadêmica de Psicologia do Centro Universitário Luterano de Palmas CEULP/ULBRA. Voluntária no Portal (En)Cena – A Saúde Mental em Movimento.