Não se faz clínica na escola: o olhar da Psicologia Educacional

A psicologia desempenha um papel crucial na educação, influenciando diversos aspectos do processo educacional.

Josiane Ribeiro  – josianeribeiro@desenvolver.com.br

 

A psicologia escolar se constitui como uma das áreas de atuação da psicologia, que tem por objetivo contribuir para a promoção do desenvolvimento humano no contexto educacional. A psicologia escolar também tem como propósito promover um ambiente educativo de qualidade, que manifeste a diversidade, a inclusão e que seja democrático.

O profissional de psicologia que atua na área educacional/escolar pode trabalhar diretamente com alunos, professores, gestores e educadores não docentes (demais funcionários), bem como com a comunidade escolar (vizinhos da escola, familiares dos estudantes, entre outros).

Não só o processo educativo interessa à psicologia escolar, mas também uma formação de qualidade, a saúde mental dos servidores e melhores condições de trabalho. Desta forma, entende-se que o papel da psicologia escolar é desenvolvido na coletividade, visando as relações que tensionam o espaço-escola. Portanto, o atendimento clínico e psicoterápico, geralmente esperado deste profissional, não é responsabilidade da atuação da psicologia escolar.

O conhecimento deste campo de ação tem como referência questões do desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Também busca entender o processo de aprendizagem de forma abrangente a fim de proporcionar apoio para que os educadores, docentes e não docentes, tenham condições de criar um ambiente escolar que responda as necessidades heterogêneas que ali se apresentam.

Considerando o período atual em que nos encontramos, e o contexto da pandemia, que afetou em larga escala os processos educacionais, entende-se que a realidade que os estudantes e educadores encontrarão nas aulas presenciais é bastante divergente da realidade pré-pandemia. Também deve-se levar em consideração que, caso não seja possível o retorno 100% presencial, o ensino híbrido, ou remoto, deve se adequar às necessidades atuais.

A pandemia constitui-se como um evento de proporções gigantescas, que evoca questões como estremecimento das relações, luto coletivo, aumento das ansiedades e depressões e fragilidade dos vínculos. Por esta razão, deve-se entender como esses acontecimentos afetam os processos de ensino-aprendizagem e trabalhar em prol de fortalecer as comunidades escolares para lidarem com as dificuldades advindas disso.

O trabalho da psicologia, portanto, constitui-se como fundamental para lidar com essas dificuldades, tensões e ansiedades que naturalmente se apresentam em períodos de adaptações.

                                                                                                            Fonte: imagens/google.com.br

 

 O PAPEL DA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO ESCOLAR

      Todo indivíduo ao ingressar na escola, traz consigo um repertório de vivências que adquiriu com a convivência com sua família de origem e que contribuiu para até então à formação da sua singularidade, que vai diferenciar o seu eu dos outros indivíduos. Nesse sentido, faz-se necessário como profissional atuante da educação que todos os envolvidos no campo educacional, desses indivíduos compreendam como funciona a sua dinâmica tanto familiar como social, para conseguir o maior manejo dentro da sala de aula e nos outros espaços educacionais (MARTINS,2010). 

        As informações que são solicitadas pela escola, propõem um diálogo para facilitar o processo de inserção afetiva desses alunos nas unidades escolares, a fim de proporcionar segurança e pertencimento. O principal objetivo desta comunicação é formar um clima cooperativo entre as famílias e as instituições (ZEICHNER, 2008).

         As atribuições desenvolvidas pelas escolas permitem o acesso a essas informações pois diz diretamente aos modos em que cada criança se porta no ambiente familiar, como é o convívio com as pessoas da família nuclear, o que gosta de fazer, o que pode contribuir ou não no processo de desenvolvimento de novas habilidades sociais. Assim como, à família os vê, como percebem esse novo momento da criança, e principalmente como foi trabalhado isso no ambiente familiar, e se à criança apresentou algum comportamento ansiogênico acerca desse novo momento (ZEICHNER,2008).

    A partir do momento que se obtém as informações sobre a dinâmica familiar, a escola busca se aproximar mais da realidade que esse aluno está inserido, e a partir dessa observação buscará se entender como será trabalhado a participação do núcleo familiar durante todo o processo de escolarização desse aluno. Destaca-se à real importância de observar à postura dos pais, para melhorar 

 

  •        Compete ao psicólogo escolar:
  •         Realizar diagnóstico institucional: identificando as particularidades de               funcionamento de cada escola para planejamento e implementação de ações;
  •         Colaborar em atividades organizacionais;
  •         Propor medidas que visem a melhoria do processo de ensino-aprendizagem;
  •         Propor atividades de desenvolvimento profissional para educadores docentes e não docentes;
  •         Propor e apoiar iniciativas de qualidade de vida no trabalho;
  •         Orientação, intervenção e acompanhamento de casos de inclusão;
  •         Participação ou coordenação em reuniões multidisciplinares para discussões de caso;
  •     Elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos em apoio à construção da identidade pessoal (autoestima, socialização, disciplina, organização, entre outros) e participação social;
  •         Identificação e encaminhamento de alunos para atendimento educacional especializado;
  •     Coordenar ou participar de reuniões para discussão de casos com equipe externa, caso necessário (fonoaudiólogo, psicólogos clínicos, psicopedagogos, psiquiatras, terapeuta ocupacional, etc.);
  •        Elaboração, em conjunto com equipe pedagógica, de planos de intervenção para estudantes em risco social;
  •           Elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos de prevenção à violência;
  •           Elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos de educação sexual;
  •          Elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos de prevenção ao uso e abuso de drogas;
  •          Atendimentos a situações de emergência psicológica que necessitem de intervenção imediata, e posterior encaminhamento;
  •           Orientações a pais e familiares;
  •           Realização de formação sobre transtornos de aprendizagem, deficiências e afins;
  •           Palestras e atividades de esclarecimento, educação e prevenção;
  •           Planejar e executar grupos de orientação para pais, professores e comunidade escolar;
  •           Planejar e executar grupos de promoção de saúde-mental e bem-estar;
  •           Participar de comissões que visem o bem-estar dos estudantes, crianças e jovens;
  •           Compreender e utilizar políticas públicas;
  •           Mediar conflitos nas instituições;
  •      Encaminhar casos para a rede de garantia de direitos (Conselho Tutelar, CRAS, CREAS, SEMUS, entre outros);
  •        Orientações aos pais e educadores quanto à desmistificação dos transtornos de aprendizagem e deficiências;
  •       Planejar e executar formação continuada que favoreça a aprendizagem e desenvolvimento dos alunos;
  •     Planejar e executar formação continuada para os profissionais de apoio que acompanham estudantes com deficiência e/ou transtornos de aprendizagem, específicos ou não;
  •         Elaborar e socializar devolutivas dos casos atendidos;

Ressalta-se que o trabalho do psicólogo educacional/escolar não é clínico, nem psicoterápico. 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA.  Psicologia Escolar: que fazer é esse?/ FRANSCHINI, Rosângela; VIANA, Meire Nunes Conselho Federal de Psicologia. – Brasília: CFP, 2016.

 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na educação básica. 2ª ed. (2019). Disponível em:                                                      <https://site.cfp.org.br/publicacao/referencias-tecnicas-para-atuacao-de-psicologasos-na-educacao-basica/ > Acesso em 26 de jan. 22. 

 

MARTINS, LM., and DUARTE, N., orgs. Formação de professores: limites contemporâneos e alternativas necessárias [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 191 p. ISBN 978-85-7983-103-4. Available from SciELO Books .

 

ZEICHNER, Kenneth M. Uma análise crítica sobre a “reflexão” como Conceito estruturante na formação docente. Educação & Sociedade, v. 29, n. 103, p. 535-554, maio/ago. 2008. Disponível em: Acesso em: 15 fev.2023.

 

 “Psicologia Escolar: que fazer é esse?” organizado por Meire Nunes Vieira e Rosangela Francischini, publicado e divulgado pelo Conselho Federal de Psicologia em 2016; Referências Técnicas para atuação de Psicólogas(os) na Educação Básica, material publicado pelo Conselho Federal de Psicologia, edição revisada de 2019.