Bruna Rolim do Bonfim possui graduação em Psicologia pela Universidade Paulista (UNIP – 2014). Estudou Especialização em Psicologia Hospitalar na instituição de ensino Escola Superior de Ciências da Saúde – ESCS. Tem experiência na área de Psicologia e é especialista em Terapia Intensiva. Administra a página @agirdamente, em que trata de assuntos sobre o estudo da mente e do comportamento humano.
(En)Cena – Há quanto tempo está formada e qual sua abordagem? Como foi feita sua escolha desta abordagem? Houve algo que a influenciou nesta escolha?
Bruna Rolim – Formei em Dezembro de 2014 e comecei a trabalhar logo em seguida. Escolhi a abordagem Fenomenológico existencial. Desde que tive a matéria no campus da faculdade, me interessei pelo modo de trabalhar dessa abordagem, bem como, o grande apreço que tinha pela professora. Acredito que a paixão dela pela abordagem e o modo descontraído de falar sobre, tenham me conquistado ainda mais. No estágio da faculdade optei por essa abordagem e então tive certeza.
(En)Cena – Descreva sua(s) atividade(s) como psicólogo, isto é, descreva especificamente o quê fez e como faz como profissional no contexto clínico.
Bruna Rolim – Como psicóloga clinica, estou sempre em meu consultório esperando por meus pacientes. Neste caso, quando há um paciente novo, nunca sei qual demanda. Alguns procuram por laudos psicológicos para concurso publico, para cirurgias, entre outros. Sendo assim faço avaliação psicológica, aplico testes, dinâmicas e converso com ele, a fim de captar sua personalidade, seus pensamentos e características necessárias para a construção do laudo, além de oferecer o suporte necessário a essa pessoa. Faço acompanhamento psicológico com pacientes que necessitam. Buscando sempre manter uma postura de acolhimento para que o paciente se sinta a vontade de estar neste local e falar seus medos, angustias e suas questões mais intimas. Sendo assim, busco, juntamente com o paciente encontrar as melhores maneiras (intervenções) de ressignificar sua historia e extinguir comportamento e/ou pensamentos que ´´adoecem“. Sempre com o mesmo objetivo, promover autonomia, autoestima, independência e bem estar psicossocial. É muito importante dizer que o silencio, na maioria das vezes, tem seu poder terapêutico inimaginável. Olhar, dar atenção, acolher, demonstrar que você esta ali com o paciente e para o paciente, faz ele se sentir muito confortável.
(En)Cena – Qual foi sua primeira experiência com profissional, qual foi e como era o seu local de trabalho?
Bruna Rolim –Foi na Clínica Oasis Day em Planaltina – Distrito Federal. É uma clínica grande com médicos especializados em várias áreas e psicólogos. Minha sala é silenciosa, o espaço é bom, grande, confortável, limpo; com condições necessárias para um bom atendimento psicológico.
(En)Cena – Em sua opinião, quais são as condições necessárias para a realização de seu trabalho? Você as tem? Você tem autonomia nas suas decisões relacionadas à sua atividade?
Bruna Rolim – São justamente as condições citadas acima. Que seja um local silencioso, limpo, aconchegante, que ninguém te incomode enquanto está atendendo. Sim, eu tenho essas condições. E também tenho autonomia, aqui na clínica, sou eu por meus pacientes e meus pacientes por mim, não existe alguém que me regule ou me impeça de realizar determinadas tarefas. Sempre que tenho dúvidas sobre algo, procuro o CRP/DF e eles estão sempre dispostos a saná-las.
(En)Cena – Em sua opinião, qual a imagem que a população tem do psicólogo e da Psicologia?
Bruna Rolim – Precisamos quebrar o paradigma de que “psicologia é para louco”. É triste dizer isso, mas mais da metade da população pensa dessa maneira. As pessoas precisam entender que a psicologia quer o bem estar do outro, promover saúde psicossocial. Elas acreditam também, que uma boa conversa com um amigo é o mesmo que um psicólogo. Não. Não é assim, nós estudamos por 5 anos (isso só o tempo da graduação), para aprender meios e técnicas capazes de auxiliar o outro, da melhor maneira possível. São informações e estudos válidos, é tudo estudado, é ciência, não são conselhos de amigos.
Outro pensamento é o do homem, citado acima. Sua grande maioria ainda resiste em procurar um psicólogo, aquela frase muito usada atualmente, “homem não chora”. Homem chora sim, homem sofre, tem angústias, medos, ansiedade como qualquer outra pessoa e isso merece atenção.
(En)Cena – Em sua opinião, quais são as contribuições que a profissão de psicólogo tem dado à sociedade como um todo?
Bruna Rolim – O psicólogo atua em muitas áreas hoje em dia, hospitais, escolas, clínicas, empresas, no esporte. Enfim, as contribuições são diversas. Eu me sinto incapaz de ditar todas aqui. Eu diria que o psicólogo orienta, acompanha, trata, auxilia. O psicólogo contribui para a saúde psicológica e social do paciente e de seus familiares.
(En)Cena – No seu ponto de vista, quais são os requisitos necessários para a formação do profissional para a sua área de atuação?
Bruna Rolim – A meu ver, a prática deve se iniciar antes na graduação, mesmo que sejam simulações. Na minha graduação comecei a atender adultos no 9º semestre, até então era somente teoria. É claro que a teoria é de suma importância, mas a prática também é, assim formaríamos profissionais mais preparados. Outra que acho muito importante, é o ensino mais aprofundado de testes, senti muita falta disso na minha graduação, tive que procurar cursos agora, porque na faculdade não tive um bom suporte.
(En)Cena – Qual a situação do mercado de trabalho para um profissional recém formado?
Bruna Rolim – Para recém-formados não vou negar que é mais complicado. Os donos das clínicas procuram pessoas com pós graduação no mínimo, no meu caso, foi diferente, mas não é o que acontece. Os mais experientes têm uma chance maior de conseguir seus pacientes, até porque já os tem, então se abrir sua própria clínica e trabalhar por si, terá um bom desempenho.
(En)Cena – E no futuro, como será este mercado, em sua opinião?
Bruna Rolim – Infelizmente o mundo caminha neste sentido de pessoas cada vez mais depressivas e ansiosas (principalmente), as pessoas parecem cada vez menos saber lidar com as situações próprias da vida, o que provavelmente, futuramente encherá os consultórios psicológicos. Por outro lado, também crescerá pelo fato de as pessoas estarem conhecendo mais o que é a psicologia e seus benefícios para a vida.
(En)Cena – Como foi sua entrada no mercado de trabalho (sua primeira experiência profissional)?
Bruna Rolim – Entreguei currículos, fui chamada para uma entrevista, conversei sobre meus cursos, meus estágios, minha abordagem, meu ponto de vista. E então fui chamada à abrir horários na clínica.
(En)Cena – Você aconselha seguir nesta profissão?
Bruna Rolim – Aconselho sim. Mas acredito que é preciso amar a profissão. Não acho que a pessoa deve escolher a psicologia como uma opção, é necessário vocação. A pessoa precisa se identificar para estar lá.
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Atendimento de Crianças com TDAH à Luz da Fenomenologia Existencial
O presente artigo foi construído a partir de um levantamento bibliográfico, que consistiu na busca por pesquisas acerca do tema, como também na leitura base do livro, “Descobrindo Criança” de Violet Oaklander.A Gestalt-terapia tem como precursor principal o psicólogo alemão Frederick Perls, o qual assim nomeou uma nova terapia que havia desenvolvido desde 1946, juntamente com o grupo de intelectuais, denominado de “Grupo dos Sete”. O grupo era composto por: Isadore From, Paul Goodman, Paul Weisz, Sylvester Eastman, Ellliot Shapiro, Ralph Hefferline, Laura e Fritz Perls (DACRI; LIMA; ORGLER, 2012).
De acordo com Antony & Ribeiro (2004), a Gestalt-terapia é uma abordagem de origem holística-existencial-fenomenológica, a qual reúne elementos da Teoria do Campo, da Teoria Organísmica, da Psicologia da Gestalt e das concepções filosóficas do Humanismo, Existencialismo e da Fenomenologia. Essa teoria se caracteriza da dinâmica que é assumida pelo sujeito a partir das suas pretensões, anseios e necessidade que dão impulso para uma tensão interna, que ao se destacar gera uma figura, a qual instiga a energia do organismo. Caso isto necessite dos recursos oferecidos pelo meio que está inserido para que haja a realização. As funções de contato do indivíduo são acionadas e a consciência é despertada, fazendo com que o ser humano organize as experiências estabelecendo o tipo de contato.
Fonte: http://zip.net/bftLqL
O diverso tipo de contatos, que tem origem a partir de uma sensação, faz com que ocorram crescimento e desenvolvimento na vida do homem e para Gestalt-terapia contato é considerado um conceito chave. É importante ressaltar que toda formação de figura cria um novo saber fazendo com que o sujeito acumule mais vivências e com isso se modifique e o contato apenas encerra quando o organismo consegue chegar ao equilíbrio e com isso novas figuras são elaboradas para um novo processo se formar. Dessa maneira, diz-se que este processo que ocorre para formar uma figura fundo, alicerçado no campo organismo-meio, provoca o organismo como um todo e não de modo separado, gerando o contato.
Contatar é, em geral, o crescimento do organismo. Pelo contato queremos dizer a obtenção de comida, amar e fazer amor, agredir, entrar em conflito, comunicar, perceber, aprender, locomover-se, a técnica em geral toda função que tenha de ser considerada primordialmente como acontecendo na fronteira, num campo organismo/ambiente (PERLS, HEFFERLINE & GOODMAN, 1997, p. 179).
Segundo Dacri, Lima e Orgler (2012), a Gestalt-terapia é uma filosofia existencial autêntica que possui uma forma peculiar de conceber as relações do homem com o mundo, visando a manutenção e o desenvolvimento de um bem-estar harmonioso. Valoriza a criatividade e a originalidade do ser humano, com um olhar para além da cura. Já Antony e Ribeiro (2005), afirmam que a Gestalt-terapia estando inserida neste meio filosófico, possui uma compreensão ontológica do sujeito como um ser no mundo, vivendo sua existência com e para o outro. Fazendo parte de um mundo compartilhado, a existência manifesta a intersubjetividade como criadora do ser, buscando a constituição da sua essência.
Fonte: http://zip.net/bwtKXQ
Para essa abordagem a concepção existencial de ser humano é entendido como a capacidade do mesmo de se refazer, podendo escolher e organizar sua realidade e existência de forma criativa, porque para esta teoria, entende-se que o conhecimento humano o leva a capacidade de escolher seu próprio destino, transcendendo fronteiras, limites e até mesmo condicionamentos que foram impostos. Concernente a essa concepção, o funcionamento saudável pode-se dizer que, o indivíduo é entendido como um ser totalmente relacional, que está sempre em um processo de troca de vivências com o meio.
A Gestalt-terapia possui uma visão do comportamento humano como sendo o resultado da interação com o campo organismo/ambiente. Dessa forma, o indivíduo pode manifestar diversas possibilidades de comportamento de acordo com o campo ao qual está inserido, mantendo assim, uma relação de reciprocidade (ANTONY; RIBEIRO, 2005). “No viés gestáltico, o homem é visto como um ser de infinitas potencialidades para crescer e se desenvolver, estando diariamente em construção e, portanto, inacabado” (GUISSO; FABRO, 2016, p. 543).
Em seu aspecto clínico, a Gestalt-terapia se apresenta como uma terapia existencial-fenomenológica que objetiva aumentar a awareness do cliente, no aqui e agora da relação terapêutica, e, para isso, utiliza recursos como experimentos, frustração, fantasias dirigidas, e outros, facilitando o desenvolvimento do auto suporte, a capacidade de fazer escolhas e a organização da própria existência (DACRI; LIMA; ORGLER, 2012, p. 139).
Perls (1997) diz que palavra “awareness” está co-relacionada com a palavra consciência, podendo também expandir seu significado para os termos: compreensão, percepção, ampliação e até mesmo para “tomada de consciência”. Segundo Cavalcanti (2014) “awareness” ocorre no espaço que o corpo ocupa e na amplitude dos seus sentidos ancorado no momento do tempo presente. Em Gestalt-terapia o conceito de “awareness”, pode expressar a ideia central desta abordagem, “…trata-se de estar plenamente atento à situação em que se vive percebendo-se no conjunto daquilo que se está fazendo e como se está vendo a situação, no campo marcado pela interação entre organismo e meio em todos os seus níveis…” (CAVALCANTI, 2014, p.122).
Fonte: http://zip.net/bctLlT
Dessa maneira, percebe-se que ao desenvolver este conceito o organismo pode ser ajustado ao ambiente que está inserido, afim de que as condutas que se repetem não ocorra mais, pois a awareness é influenciada através das experiências que oportuna as relações de introspecção. A consequência deste ajustamento, que ocorre somente quando há ampliação da consciência, é o não bloqueio de contato com a realidade, possibilitando o ajustamento do aqui-agora.
Na gestalt-terapia, como nos mostra Cavalcanti (2014), a instigação que é feita a partir da awareness pode ajudar na localização de bloqueios e resistências que possam vir a ter após as experiências vivenciadas de sentimento de impotência e limitação, por exemplo. Pode-se afirmar que todo processo contínuo de tomada de consciência é acompanhado de novas informações. A configuração de novas formas de atuação que o sujeito adquire é decorrente da auto percepção e da sua capacidade de mudar a si mesmo.
Para Fagali, este seguimento da awareness é:
Processo em que se leva em conta o valor da experiência no aqui e agora, a dinâmica intersubjetiva, as articulações entre a subjetividade e a objetividade e as diferentes dimensões de consciência tendo em vista os níveis de contato e de resistência das pessoas, sejam as que aprendem, sejam as que ensinam ou orientam (FAGALI, 2007, p.104).
No que se diz respeito ao awareness, conclui-se que quanto maior for este processo, maior será a possibilidade do indivíduo atuar como sujeito da sua intrínseca história, ou seja, protagonista da sua própria existência. Não se pode esquecer as contribuições que advém do meio social que tanto contribui, manifestando forte influência na formação das experiências, e ainda é importante ressaltar que o ser humano não pode ser apenas visto como um produto resultante do seu meio.
Diante destas conceituações, conforme Antony e Ribeiro (2005) a Gestalt Terapia ver o adoecer como decorrência de certo desequilíbrio relacional existente entre o individuo e o ambiente, visando ter um olhar holístico do adoecimento. “O enfoque gestáltico, assim, visa ir além da descrição dos sintomas, busca o sentido da patologia e as vivências subjetivas da pessoa adoecida” (p.187).
Fonte: http://zip.net/bttL8d
A abordagem fenomenológica existencial tem um papel importante na construção do pensamento psicológico, referindo a relação descrição do fenômeno, isto é, sentimento, pensamento ou fala que faz parte da totalidade do sujeito. O Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) vem sendo foco de pesquisas para se conhecer sua etiologia e com isso aprimorar os critérios diagnósticos, visto que, a hiperatividade é muitas vezes analisada a partir de um olhar biologicista desconsiderando aspectos vivenciais do sujeito (ANTONY & RIBEIRO 2004, 2005).
De acordo Antony & Ribeiro (2004, p. 128):
Pesquisas mais recentes têm apontado para uma etiologia multidimensional diante da complexidade desse transtorno e da falta de evidências científicas sólidas que sustentem uma etiologia única e de base exclusivamente biológica. Estudiosos passaram a afirmar que a vulnerabilidade biológica e os fatores psicossociais interagem de um modo circular com relação à causa, gravidade e resultado do transtorno.
Nota-se que na sua etiologia, é um distúrbio que envolve a interação de aspectos biológicos e ambientais. No que concerne os fenômenos biológicos é tangível as contribuições genéticas para a ocorrência deste transtorno; e no que diz respeito aos fatores ambientais, deve-se considerar as questões psicossociais dentre eles os conflitos familiares, baixo poder aquisitivo, criminalidade dos pais dentre outros (CARVALHO, 2015).
Esse tipo de transtorno normalmente apresenta em crianças que estão em idade escolar, e durante muito tempo era tratado de maneira erronia por pessoas não capacitadas, que se baseavam somente nas queixas relatadas pelos pais e professores da criança. Porém nos últimos anos, surgiram pesquisas que aprimoraram os estudos nessa área, contribuindo de forma significativa para o entendimento da doença (SOUZA et al., 2007).
Fonte: http://zip.net/bctLlV
Souza et al. (2007) apresenta estudos que comprovam a complexidade do diagnóstico e do tratamento do TDAH, vendo mais além dos sintomas evidentes de desatenção e hiperatividade, mas também as comorbidades psicológicas que o paciente apresenta. O profissional responsável pelo diagnóstico e tratamento de crianças diagnosticada ou com suspeitas dessa patologia deve conter um bom embasamento teórico e está apto para atuar na prática.
Para diagnosticar o TDAH é necessária uma investigação clínica bastante apurada de toda a história do cliente, e também a utilização de alguns instrumentos, como os testes psicológicos, que facilitam ao profissional a identificar a existência ou não da patologia e as condições psicológicas, sociais e familiares do paciente (CALEGARO, 2002).
De acordo com Guisso e Fabro (2016) os processos de atenção e hiperatividade tem mudado ao decorrer do tempo, as crianças de tempos atrás viviam e brincavam de forma mais ativa que atualmente, tinham tempo e espaço para descarregar suas energias. Já com as crianças de hoje pode-se perceber que vivem cada vez mais envolvidas com atividades realizadas em ambientes fechados, sem muito contato com o ar livre. Produzindo assim uma atenção mais distante.
Fonte: http://zip.net/bgtLnT
Embasado nos referidos acima é possível verificar que o Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade é analisado a partir do aspecto histórico e do desenvolvimento individual de cada individuo, por meio das suas experiências de contato. Uma vez que, a Gestalt-Terapia compreende o TDAH como um problema do indivíduo em manter contato e/ou relações saudáveis com algo ou alguém (OAKLANDER, 2008).
A autora afirma em um de seus livros “Descobrindo crianças: a abordagem gestáltica com crianças e adolescentes” traz suas experiências e técnicas terapêuticas em atendimento com crianças, trabalhando de forma criativa para que o cliente expresse seus sentimentos e fantasias proporcionando um espaço livre, a fim de que os conflitos existentes possam emergir. Deste modo, para compreender a criança é importante que o terapeuta entre no seu mundo fantasioso, visto que, o processo de fantasia vivenciado por ela estar diretamente relacionado com a sua vida real. Ela evidencia os benefícios da atenção dada para a criança hiperativa, segundo ela quando alguém as ouve e as levam a sério é possível que haja uma redução nos sintomas hiperativos.
No trabalho com crianças hiperativas, o terapeuta utiliza-se de técnicas que buscam tranquilizar as crianças propondo atividades com materiais que proporcione uma experiência tátil, tendo como exemplo o uso de areia, água, argila, pinturas com os dedos, no processo terapêutico, Oaklander (1980) afirma ainda, que as experiências táteis auxiliam na concentração da criança possibilitando uma consciência de si mesmo e do próprio corpo.
Fonte: http://zip.net/bktLrL
No livro, a autora relata experiências e várias técnicas utilizadas com crianças hiperativas como por exemplo:
“Penso que qualquer experiência tátil ajuda essas criança a se concentrarem e se tornarem mais conscientes de se mesmas – de seus corpos e de seus sentimentos. Quando trabalhava em escolas com crianças emocionalmente perturbadas (“hiperativas” é “antissociais”), empregava frequentemente a pintura com os dedos, com excelentes resultados. Pedia emprestadas bandejas de almoço do refeitório, colocava um pouco de goma líquida em cada uma, é respingava uma ou duas cores de tinta em pó sobre a goma. As crianças trabalhavam (geralmente em pé ao lado de mesas) lado a lado, com grande prazer. Nos seis anos que trabalhei nesse programa, usei esta atividade frequentemente, com muitos grupos etários é combinações diversas de crianças, bem como com os meus próprios grupos de terapia é sessões individuais. Nunca uma criança jogou tinta em outra ou nas paredes. Trabalhavam absortas, fazendo belos desenhos é experimentando misturas de cores, conversando entre si e comigo enquanto trabalhavam. Quando era ora de parar, pegávamos um grande pedaço de papel, é fazíamos uma maravilhosa impressão que deixávamos secar; depois a ajeitávamos é fazíamos uma moldura com uma cartolina de cor deferente. Cada criança limpava sua área de trabalho é lavava a bandeja.
O valor desta atividade era amplo. As impressões feitas eram realmente bonitas, e naturalmente as crianças tinham muito orgulho delas e de si próprias… Devido a natureza tátil é cinestésica da atividade, as crianças experienciavam um elevado senso de seus próprios corpos. Pelo fato de se distraírem facilmente, e muitas vezes ficarem confusas pelos estímulos, essas crianças têm uma grande necessidade de experienciar uma volta ao senso de si próprias. Acredito que qualquer experiência tátil é cinestésica promove uma nova é mais forte consciência do eu é do corpo. Com um aumento de consciência de si mesmo, surge uma nova consciência dos sentimentos, pensamentos é ideias.”(OAKLANDER, 1980, p. 251 a 252).
O papel do terapeuta, de acordo com Oaklander (1980), é ajudar as crianças a ter consciência de si mesmo e da sua existência para fortalecer o seu eu e as funções de contato, ajudando-as a perceber o mundo real a sua volta, as diversas possibilidades de escolhas quanto a forma de se viver, apontando quando as escolhas são impossíveis.
Fonte: http://zip.net/bvtLSX
Violet Oaklander (1998), na sua prática clínica, também emprega outro método para se trabalhar com crianças hiperativas.
Se uma criança está irrequieta, passando de uma coisa para outra, etc., posso observá-la fazendo isso por algum tempo, e então estimular este comportamento – encorajá-la a olhar isto olhar aquilo. Chamarei sua atenção para o que ela está fazendo, de forma que não dê a entender um julgamento. Quero fixar aquilo que está fazendo, ajudá-la a tomar consciência e talvez reconhecer o que faz (p. 253).
Podemos concluir que, abordagem fenomenológica existencial tem o papel importante na construção do sujeito quando se trata da descrição do mesmo em sua totalidade. Pois o Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade muitas vezes é analisado a partir de um olhar biologicista, assim desconsiderando as vivências do sujeito. É sabido que por meio da relação terapêutica que se alcança a descrição desses fenômenos utilizando-se do método fenomenológico que busca a compreensão do homem em sua essência. No que podemos verificar a importância das técnicas utilizadas pela autora Violet Oaklander.
REFERÊNCIAS:
ANTONY, Sheila; RIBEIRO, Jorge Ponciano. A Criança Hiperativa: Uma Visão da Abordagem Gestáltica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 20, n. 2, p.127-134, maio 2004.
ANTONY, Sheila; RIBEIRO, Jorge Ponciano. Hiperatividade: Doença ou Essência Um Enfoque da Gestalt-Terapia. Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v. 2, n. 25, p.186-197, jan. 2005.
CARVALHO, Mariana Coelho. PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PSICOMOTORA PARA CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE – TDAH. 2015. 147 f. Tese (Mestrado) – Curso de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2015.
CAVALCANTI, Adriane. Gestalt-Terapia e Psicopedagogia. Construção Psicopedagógica, São Paulo, v. 22, n. 23, p.121-129, jan. 2014.
D’ACRI, Gladys; LIMA, Patricia; ORGLER, Sheila. Dicionário de Gestalt-Terapia: Gestaltês. 2. ed. São Paulo: Sumus Editorial, 2012.
GUISSO, Luciane; FABRO, Ana Carla. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: o olhar da Gestalt-terapia. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, Três Corações, v. 14, n. 2, p.540-551, ago. 2016.
OAKLANDER, V. El Tesoro escondido. Chile: Cuatro Vientos, 2008.
PERLS, F.S. Gestalt-terapia Explicada. Trad. Br. George Schlesinger. São Paulo: Summus, 1997.
SOUZA, Isabella G. S. de et al. Dificuldades no diagnóstico de TDAH em crianças. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, p.14-18, 2007. Disponível em: <https://www.researchgate.net/profile/Camilla_Pinna/publication/262635391_Challenges_in_diagnosing_ADHD_in_children/links/540f0bab0cf2f2b29a3dc3cf.pdf>. Acesso em: 07 jun. 2017.
ARAÚJO, Ariana Maria Leite – O diagnóstico na abordagem fenomenológica existencial.
Revista IGT na Rede, V.7, Nº 13, 2010, Página 315 de 323. Disponível em: <http://www.igt.psc.br/ojs/>. Acesso em 12 de maio de 2017.
O relato a seguir refere-se ao Psicologia em Debate realizado no CEULP/ULBRA, sala 203, às 17 horas do dia 26 de abril de 2017. O tema “O impacto do hiperconsumismo na autopercepção” foi apresentado pela acadêmica de Psicologia, Iule Landinho, a partir da obra “Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria”, de Zygmunt Bauman (2008).
Fonte: http://zip.net/bltHRs
Conforme a indicação do título do livro, a exposição feita pela acadêmica voltou-se ao consumo excessivo na sociedade. Iule discorreu acerca da modificação da sociedade no que tange à liberdade versus segurança. Para melhor compreender tal colocação, busquei fontes relacionadas à obra de Bauman. A liberdade, pois, é preferível atualmente em detrimento da segurança, uma vez que, no passado, esta última implicava em tempo para construção de um patrimônio – sendo este a salvaguarda futura. Aquela primeira, no entanto, compactua com a proposta da sociedade consumista: estar sempre em movimento, consumir cada vez mais e viver em um “eterno” presente.
Além disso, a acadêmica pontuou quanto ao sofrimento atual que advém da abundância de possibilidades de escolha. Para estar sempre em movimento, a sociedade consumista provê infinitas alternativas, posto que se deve consumir com rapidez e tão logo substituir-se aquilo que se tornou ultrapassado. Por último, destaca-se o status, o pertencimento conferido pelo consumo. Não consumir é quase como não existir.
“Eu quero todas as coisas”. Fonte: http://zip.net/bhtJtN
As considerações advindas da obra de Bauman são sobremodo relevantes. Durante o debate lembrava-me de outra obra do autor, “A vida fragmentada: ensaios sobre a moral pós-moderna” (2007), que havia lido um pouco antes do evento. Ponderando acerca de todos os pontos debatidos, ascenderam-se minhas inquietações quanto à sociedade atual (e àquela que há de vir!).
É desesperador viver num contexto onde o “ter” determina o “ser” e as mídias sociais, enquanto itens de consumo, aceleradamente tomam o lugar de relações pessoais próximas – e estas, quando aparentemente “próximas”, são apenas episódicas e superficiais, não deixando, portanto, nenhuma consequência no que tange à reciprocidade (BAUMAN, 2007). Igualmente desconcertante é a lógica do rápido consumo e substituição de mercadorias se aplicar às pessoas e relações, afinal, há milhares de possibilidades. Uma pessoa/relação obsoleta pode logo ser descartada e substituída, mantendo o movimento consumista.
Fonte: http://zip.net/bktJwd
Considero importantes as reflexões acerca das dinâmicas atuais da nossa sociedade. Seria desejável que todos refletissem e se mobilizassem acerca de tais fatos para modificá-los. É certo que é quase impossível não estar envolvido em alguma forma de consumo. Porém, como expresso em minhas inquietações, anseio por algum nível de libertação das pessoas no que se refere às imposições da sociedade hiperconsumista. Talvez eu deseje algo utópico (“sonhe, Alice”…). No entanto, como afirma Gonzaguinha, “eu fico com a pureza da resposta das crianças…”.
Acredito na valorização do “ser” sem a imprescindibilidade do “ter”, bem como na construção de um patrimônio “pessoal” (conjunto de pessoas); ou seja, que se possa construir relações realmente próximas, recíprocas, onde seja possível encontrar segurança. Que os infinitos bens de consumo não sejam supervalorizados, tampouco utilizados para ocupar um lugar que, entendo, sempre será de pessoas, de contatos!
REFERÊNCIA:
BAUMAN, Zygmunt – A vida fragmentada : ensaios sobre a moral pós-moderna. Lisboa : Relógio d’Água, 2007. 311 p. ISBN 9789727089321