A força diante das incertezas

Compartilhe este conteúdo:

A vida não espera você ficar forte, ela te coloca em situações onde você aprende no meio do percurso. Este é um relato de como durante o maior furacão de emoções eu me percebi resistindo, mesmo duvidando disso.

A realidade muda sem aviso e, de repente, em um dia qualquer o diagnóstico chegou para a pessoa mais importante da minha existência. Vivenciei o meu pai receber diagnóstico de câncer e definitivamente foi uma das experiências mais difíceis. Falando de uma forma simplista, o chão sumiu e tudo o que ficou foi um vazio profundo. Os medos surgiram, as incertezas me rodearam, percebi a vida me cobrando amadurecimento, força, resiliência e esperança, porém me senti impotente, pequena e fraca. E mesmo com tudo acontecendo, a rotina não poderia parar, faculdade, estágios, trabalho. Tentei passar por esse percurso de cabeça erguida, não me entregar para a desesperança – mesmo que ela fosse muito real e presente – confiar que um milagre pudesse acontecer. Eu quis respostas, certezas para poder me firmar, mas quanto mais segurança eu buscava, mais insegurança eu sentia e com a minha vida de cabeça para baixo, encontrei na terapia um apoio e ali eu ressignifiquei o que conhecia como “força”. Sentir, chorar, persistir, confiar, aceitar, elaborar e ainda assim continuar.

A perda do meu pai marcou não apenas o fim de um ciclo, mas o início de um movimento profundo de desconstrução e reconstrução de mim mesma. No processo do luto, eu tenho compreendido que ser forte não quer dizer a ausência da dor, mas sim viver com sentido e sentindo, mesmo sendo atravessada por ela. Ter vivido essa fase durante o curso de Psicologia me transformou enquanto mulher, filha e principalmente enquanto futura psicóloga. Aprendi que a vida acontece, mas é o que fazemos com aquilo que nos acontece é o que realmente transforma. 

Foi quase como se logo diante os meus pés tivesse aberto um buraco. O chão sumiu. Os medos surgiram. As incertezas me rondaram. Foi como se a vida me chacoalhasse com toda a sua força. Eu me vi desnorteada, perdida, aterrorizada. E naquele momento, impotente e pequena. A vida passou diante os meus olhos, a percepção de tudo mudou. Era real, um pesadelo na minha vida. 

Eu tentei passar por esse processo de cabeça erguida, não me entregar para a desesperança – mesmo que ela fosse muito real e presente – confiar de que um milagre pudesse acontecer. E no meio de tudo, uma vida e uma rotina que demandavam de mim, faculdade, estágios, trabalho. Sempre me vi como fraca, mas nesse momento eu vi como sou forte. E a força não é sobre “não chorar”, é justamente o contrário, a força é você sentir e viver a sua atual realidade com presença. Chorar quando precisar chorar, conversar quando precisar conversar, rir quando conseguir rir, sentir quando precisar sentir. E elaborar sempre. 

A vida acontece e não quer saber se você está pronta ou não. A vida simplesmente acontece e o preparo é no meio da caminhada. 

Compartilhe este conteúdo: