Muitas vezes, esquecemos que, por trás do jaleco, existe uma pessoa comum que também sente dor e esgotamento. Para conversar sobre isso, entrevistei Geerferson Macedo, que trabalha como fisioterapeuta cuidando de pessoas com dores e lesões. O tema da nossa conversa é: “Quem cuida também precisa ser cuidado”. Ele explica como o excesso de trabalho afeta os profissionais e por que o autocuidado é importante.
(En)Cena – Geerferson, na fisioterapia você lida todo dia com a dor dos outros. Como isso mexe com a vida do próprio profissional?
Geerferson – Mexe muito, tanto no corpo quanto na mente. Na fisioterapia, nós usamos a nossa própria força física para ajudar o paciente a se movimentar e melhorar. Além disso, nós ouvimos muitos desabafos e histórias tristes. Se o profissional não souber separar as coisas e colocar um limite, ele acaba levando o peso e a dor do paciente para casa.
(En)Cena – Por que as pessoas acham que o profissional de saúde nunca pode cansar?
Geerferson – Existe uma cobrança de que quem cuida não pode ficar doente. O paciente vai até o consultório buscando uma solução e segurança. Por isso, muitos profissionais têm vergonha de dizer que estão cansados ou de pedir ajuda. Mas a verdade é o contrário: aceitar que temos limites nos torna profissionais mais humanos.
(En)Cena – Quais são os sinais de que o fisioterapeuta passou do limite e precisa parar um pouco?
Geerferson – O corpo sempre avisa. O profissional começa a sentir dores musculares que não passam, um cansaço que o sono não cura e falta de apetite. Na parte emocional, os sinais são a falta de paciência, irritação por qualquer bobeira e desânimo só de pensar em ir trabalhar.
(En)Cena – Na prática, o que significa a frase “quem cuida também precisa ser cuidado”?
Geerferson – Significa entender que só conseguimos ajudar alguém se nós estivermos bem primeiro. Não dá para dar água para alguém se o nosso copo está vazio. Na prática, isso significa que o profissional precisa praticar exercícios, ter momentos de lazer com a família, fazer terapia e descansar. Se cuidar não é egoísmo, é uma obrigação para trabalhar bem.
A conversa com o fisioterapeuta Geerferson Macedo nos mostra que precisamos olhar com mais carinho para quem cuida da gente. Cuidar da saúde física e mental dos profissionais é garantir que eles continuem atendendo com amor e segurança. Afinal, para ajudar alguém a ficar de pé, nós precisamos estar firmes primeiro.
