Nomadland: uma jornada sem destino

Em Nomadland vamos conhecer a personagem Fern (interpretada por Frances McDormand). No longa, vamos acompanhar sua vida depois da morte de seu marido e do fechamento da fábrica que sustentava a sua cidade. Ela decide viajar pelas estradas dos Estados Unidos em sua van – que também é sua casa.

Um pilar muito forte do filme é a conjuntura econômica que faz com que algumas pessoas optem por esse estilo de vida. O filme se passa logo após crise econômica de 2008, quando muitas pessoas perderam tudo e decidiram virar nômades, assim como Fern, entretanto, ela não se define como uma sem-teto, mas sim como uma pessoa sem casa. Na língua inglesa existem duas palavras: house e home, o significado de house é a casa no sentido de bem material, já home possui o sentido de lar (sensação de pertencimento), por isso ela durante um diálogo do filme explica que “I’m not homeless, I’m just houseless” (eu não sou sem lar, sou apenas sem casa).

Outro aspecto muito presente no filme é o valor dos trabalhadores na terceira idade. Em um dos vários diálogos do filme que nos mostra como as pessoas dessa faixa etária foram muito prejudicadas com a crise.

Fonte: encurtador.com.br/yJQY7

No longa, a presença de pessoas reais reforça os diálogos do filme, a exemplo de Linda May (uma das várias pessoas reais que estão no longa), ela relata que após perder tudo foi atrás de sua aposentadoria e para sua surpresa só tinha direito a 550 dólares, visto que com esse valor ela não conseguiria se sustentar chegou a cogitar tirar a própria vida, mas conheceu o nomadismo e passou a seguir esse estilo de vida.

O desempenho de McDormand também nos confunde, pois ele combina solidão e tristeza com uma vontade simples de viver. Sentimos pena dos personagens devido às suposições que são feitas, porque julgamos esse estilo de vida como inferior. No entanto, esta é uma suposição injusta que ignora que algumas dessas pessoas simplesmente não querem ir para casa e se sentem muito mais felizes abraçando o nomadismo.

A direção do filme também contribui para que a sua imersão no longa se torne completa, pois, os planos abertos e toda a contemplação envolvida nessas cenas trazem a sensação de você estar ao lado da personagem vivendo toda essa experiência de contato com a natureza e como esse contato latente é importante para eles.

Como consequência dessa imersão nas cenas na qual Fern visita os personagens de vida sedentária e interage com eles, os planos são mais fechados, focados no rosto da personagem, a brilhante escolha da diretora Chloé Zhao de fazer essa sequência em plano fechado causa a sensação de claustrofobia, e durante esse contato torna-se perceptível o seu não pertencimento a esse estilo de viver que tinha no passado, e apesar de o nomadismo ser um tanto quanto solitário, ela se sente feliz e contemplada, pois após perder tudo e partir para esse novo começo, ela percebe que se encontrou verdadeiramente.

Fonte: encurtador.com.br/pwxS9

FICHA TÉCNICA DO FILME

NOMADLAND

Título Original: Nomadland

Direção: Chloé Zhao

Elenco: David Strathairn, Frances McDormand,
Gay DeForest, Linda May, Swankie

Duração: 1h47
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Ano: 2020

Maria Tereza Castro Miranda
Estudante do curso de Relações Internacionais na UFT, voluntária do Projeto O Não Internacionalista, manual de política internacional para não internacionalista.