O luto em O Último Adeus

‘Existe morte ao nosso redor. Em todos os lugares para onde olharmos. 1,8 pessoa se mata a cada segundo. Só não prestamos atenção. Até começarmos a notar’ (p.251)

O Último Adeus é um livro que embora a escritora tenha sido sensível na forma de falar sobre suicídio, não é tranquilo de se ler, porém sua leitura é clara e não cansativa. Cynthia Hand traz uma nova abordagem de como, quando e porque falarmos do tema, trazendo características de como superar o luto das pessoas que perdemos ao longo da vida.

Narrado por Alexis (Lex), que está no final do segundo grau e a espera das tão esperadas respostas sobre eventuais aceites, enviadas pelas faculdades, vivia razoavelmente bem, tendo problemas que hoje muitos jovens tendem como ‘’normal’’ que é o divórcio dos pais. Lex vivia um dia por vez. Amante da matemática, membro do clube de cálculo, ela infelizmente perdeu seu irmão mais novo Tyler (Ty) de 16 anos, saudável, jogador estrela do time de basquete e bastante popular na escola. Ele não conseguiu vencer a batalha com seus demônios internos, assim entrado no índice de pessoas que deram fim a própria vida.

Lex agora anda perdida, lidando com a perspectiva do luto, sentimento de culpa, raiva e principalmente cuidando da mãe que diz ter perdido a vontade de viver. Por escolha própria a menina se afasta dos amigos e do próprio namorado por não saber lidar com toda a ‘’pena’’ que sentiam por ela, porém todos eles não desistem e tentam ajudá-la o máximo que podem.

Fonte: https://bit.ly/2FESY0V

Embora o pai seja ausente, concorda em pagar terapia para a menina e toda a história se desenvolve com a ajuda de Dave, o terapeuta que tenta diversas vezes intervenções diferentes para que a garota passe pelo processo de cura e aceitação. A maneira em que os dois entram de acordo é a de Lex passar a escrever um diário sobre Ty tendo como enfoque principal as primeiras e as últimas coisas relacionadas a ele e as lembranças que se tem.

Lex acaba entrando em crise por perceber que lembrar-se dos momentos em que teve com o irmão não é tão fácil principalmente após a morte dele, onde ela acredita estar esquecendo-se de tudo que se pode relacionar a Ty e o medo de não lembrar mais dele lhe consome.

‘’As pessoas que amamos nunca se vão realmente.’’ (p. 343)

Em certo momento do livro Lex revela sentir como se houvesse um buraco dentro de seu peito que se abre de repente em momentos totalmente aleatórios durante seus dias e rapidamente se fecham, e as vezes ela sente o perfume do irmão e o vê pela casa, o que a faz pensar que está ficando louca e que se contar para Dave ele vai tentar medicá-la.

“Eu não estava prestando atenção. Estava ocupada demais sendo a protagonista do meu próprio filme, enquanto meu irmão estava em algum lugar lá fora aquela noite, no escuro, sofrendo. E 17 dias mais tarde, ele estava morto.” (p. 139)

O Último Adeus literalmente bate onde mais dói, fazendo com que o/a leitor/a tenha vontade de entrar no enredo para melhorar a vida de Lex, num movimento em que esta, perceba que apesar dos pesares não está só e nem que sua vida acabou ali. Neste contexto, a terapia vai ter um grande significado na vida dela, fazendo-a entender não o ‘’porque’’ do acontecido, e sim ‘’para que’’ aconteceu.

Fonte: https://bit.ly/2FESY0V

Título: O Último Adeus

Título Original: The Last Time We Say Goodbye

Autor: Cynthia Hand

Editora: Darkside

Páginas: 352

Ano de Publicação: 2016

Gênero: Drama

Ana Beatriz de Sousa R. Silva
Acadêmica de Psicologia do Centro Universitário Luterano de Palmas CEULP/ULBRA. Voluntária no Portal (En)Cena – A Saúde Mental em Movimento.