A coragem de ser imperfeita

Coloquei aqui a palavra IMPERFEITA no feminino, porque servirá para pessoas, tanto quanto para dar um espaço especial às mulheres, que segundo pesquisas do IBGE, mostram o quanto se preocupam mais em atender estes padrões, se cobram mais e são mais cobradas a respeito e o quanto fazem crescer no mercado setores gerais em busca pela perfeição. Eu diria para evitar e rejeição, ou quem sabe ter aceitação, ou quem sabe estar pronta para competição, afinal, quem teve sempre pouco lugar ao sol, ou na sombra, luta com afinco para ocupar seu espaço. E essa ação tem um preço alto, e que bom que já estamos aqui negociando tais valores e tais situações, essa conta parece não ter fim e a gente quer equilibrar, para pelo menos não ficar no prejuízo. Então acompanhe até o final e ocupe seu lugar nesta fase de possibilidades.  

Segundo Brené Brow (2012), professora e pesquisadora na Universidade de Houston, há 16 anos estuda a coragem, a vulnerabilidade, a vergonha e a empatia, voltados para este aspecto do enfrentamento das imperfeições, seus estudos contribuem muito para que entendamos por que as mulheres buscam tanto essa tal perfeição em muitos de seus papeis. Muitas adoecendo para entregar suas metas desafiadoras, e muitas outras adoecendo pela frustração das irreais  expectativas e comparativas desleais de uma rede que movimenta bilhões, as custas de quem ainda não se fortaleceu na autoestima, por que está ocupada demais trabalhando, estudando, malhando, se montando esteticamente, se frustrando e morrendo aos poucos, ao invés de viver.

Elas investem mais em tudo, é o que mostram as pesquisas mais recentes, elas estudam mais, consomem mais, adoecem mais também e se tratam mais, as mulheres avançam na carreira em mais de uma área, compram mais livros, fazem mais cirurgias reparadores, consomem mais medicação, mais roupas, mais acessórios e andam viajando mais, pasmem, essa busca pela satisfação perfeita, pelo bem-estar perfeito, não para. Perfeição que cá entre nós, caro leitor, não existe, é essa busca sem fim que aumenta os padrões cada dia, que ocupa a pessoa de tais afazeres e compromissos, não apenas financeiros, mas que envolve energia e tempo, que muitas vezes impede de se ter contato consigo mesma. (IBGE, 2020)

 

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As pessoas buscam perfeição não apenas na imagem, no corpo, mas também na forma de agir, nos comportamentos, nos mais variados papéis sociais que o feminino ocupa e vem crescentemente ocupando-se, ficando sem tempo para se perceberem. Dinheiro é tudo quando se tem um negócio, e assim passamos a ter um negócio que não para de consumir (HONEGGER, 2018).

Vamos falar de um assunto que costuma ser evitados por causar grande desconforto. Respeito, vulnerabilidade, medo, vergonha e imperfeição são aspectos que mostram quanto não estamos totalmente no controle e tudo bem. Isso pode incomodar você.

E assim seguimos, buscando sermos perfeitos em nossas criações, ou a partir de insights que a vida nos trás e permitimos existir possamos trazer mais equilíbrio em nossas vidas.

 

Fonte: https://thewaywomenwork.com/wp-content/uploads/2012/09/the-most-common-attribute-of-successful-women.png

 

Vivemos da falta dizia Freud, e aprendemos a preenchê-la, construindo nossas relações com o mundo, segundo Piaget, em todo nosso desenvolvimento, nossas crises, nossas histórias imperfeitamente perfeitas, como na poesia de Carlos Drummond de Andrade, e assim entendemos a beleza do ser humano, pela arte de amar, como nos escreve Erich Fromm.

Se conseguimos nos amar, como imperfeitos que somos, ao olhar para o outro, conseguiremos além de nos sentirmos amados, conseguiremos amar também, com empatia genuína, nos apoiar, nessa caminhada longa de crescimento, entendendo que estamos todos em evolução, e isso não é coisa fácil, nem coisa qualquer.

Imperfeitos que somos, distorcemos nosso olhar, pela falta que temos, pelas nossas próprias dores, pelos nossos medos e assim nos tornamos vulneráveis em busca de nossas expectativas, que podem nunca ser alcançadas …

A idealização, gera sonhos, imagens e não nos aproxima do real, porque o real nem sempre bonito nos encanta, nos faz exigente nas relações, acabamos por cobrar demais de nós e dos outros.

 

Fonte: https://therapyinbeverlyhills.com/wp-content/uploads/2018/11/Successful-Black-Woman-1920×1280.jpg

 

A verdade não cala, mas nem sempre quer ser vista, o mundo digital mostra isso, quando corrigimos rapidamente todas as nossas imperfeições, e com os semelhantes, quase iguais, por que não toleramos as diferenças, mesmo levantando a bandeira dela, quando nos esforçamos para fora, ao invés de olhar para dentro.

Se você faz o movimento para dentro, muito difícil ter energia para tudo que está fora, o olhar para o amor-próprio se faz diferente do amor narcisista, e muitos movimentos e bandeiras para fora, são na maioria narcisistas, com o desejo pelo que falta, não para o que contribui de fato.

Precisamos primeiro dar conta de nós mesmas, para depois cuidar da(o) outra(o), e assim nos certificarmos, antes de curar alguém, se esta pessoa está disposta a desistir das coisas que a deixaram doente. (Hipócrates).

Para levar luz a alguém encontre primeiro a sua, será um excelente caminho.

Como diz Jung, fazer o encontro de nossa luz e nossa sombra, nos torna mais inteiras(o), mais verdadeiros, mais reais, mais vivos inclusive, dentro de uma ética e dentro do que faz bem.

 

Referencias 

BROW, Brené. A coragem de ser imperfeito –  Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Tradução de Joel Macedo, 2012. 

HONEGGER, Jessica. O poder ser imperfeita – tradução de Elza Nazarian. São Paulo-SP: editora Buzz, 2019.

Roberta Galvani
Administradora. Master Coach e Mentora de Mulheres, Executivos e Casais. Analista Comportamental e Competências. Especialista em Gestão e Saúde. Formação em Terapia do Esquema. Formanda em Psicologia pelo Ceulpl/Ulbra. Colunista na Revista Cenarium TO, no Universo Feminino.