A ansiedade, além de ser um mecanismo de defesa humana, também corresponde de acordo com o DSM-5-TR (2022) como um conjunto de transtornos caracterizados por medo e ansiedade excessivas, persistentes e associadas a perturbações comportamentais significativas .
Em palavras simples, a ansiedade é o “despertar automático” do ser humano, em que momentos de crise, angústia ou pressão, se tornam fundamentais para proteger-nos do perigo. Entretanto, o constante estado de alerta gera consequências sérias como insônia, irritabilidade e dificuldade em relações interpessoais. Zygmunt Bauman nos apresenta o conceito de modernidade líquida, que pode ser associado à constante ansiedade nos tempos atuais.
Graças ao constante nível de ansiedade, as relações acabam se superficializando, de modo que as redes de apoio se enfraquecem, deixando o indivíduo solitário, o que agrava ainda mais os sintomas da ansiedade. No dia a dia, a ansiedade se manifesta de diversas formas, sejam comportamentais ou emocionais. De maneiras comportamentais, seus sintomas aparecem como inquietação, vicio em substancias – sejam elas licitas ou ilícitas, e aqui cabe qualquer mecanismo de enfrentamento também: comprinhas, viagens e indecisões também podem ser entendidas como sintomas da ansiedade – e de maneiras emocionais se configuram as dificuldades de se conectar com pessoas, sentimento de insegurança e fracasso.
Tem-se hoje que as implicações da ansiedade são muitas, sobretudo no que diz respeito à forma de se relacionar. A individualidade também agrava o problema, pois as pessoas não conseguem se relacionar pensando que “cada um tem que cuidar dos próprios problemas”, de modo que não permitem que as amizades e até os relacionamentos se tornem fortes e duradouros. Com isso, o constante estado de alerta e a solidão podem acarretar em comorbidades como depressão, burnout e outros transtornos psicológicos. A constante ativação do sistema de estresse também impacta o corpo, podendo causar insônia, problemas digestivos e fadiga crônica.
Com isso, podemos compreender que a ansiedade nos tempos atuais é consequência de uma sociedade acelerada, movida por constantes transformações sociais e digitais que influenciou o sentimento de individualidade, o que apenas colabora para o fator estressor. É preciso que o ser humano se reconecte novamente uns com os outros e compreenda o poder das relações como rede de apoio e conexão, como uma das estratégias de promoção de saúde mental e qualidade de vida, de modo individual e coletivo.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.
Bauman, Z. (2001). Modernidade Líquida. ed. São Paulo.
