Caos 2022 – Uberização do Trabalho é tema de Psicologia em Debate

O Congresso Acadêmico de Saberes em Psicologia (CAOS), neste ano de 2022, abordará a temática de saúde mental no trabalho, o congresso conta com diversos minicursos, palestras, momentos artísticos, psicologia em debate, sessões técnicas, tudo aprofundando a saúde mental no trabalho como via de promoção de saúde e sendo este um espaço de extrema necessidade de atuação do profissional de psicologia, podendo favorecer com que as dinâmicas de trabalho sejam cada vez mais inclusivas, abertas ao diálogo, sem relações de poder, e mantendo-se produtivas para o desenvolvimento da sociedade.

No dia 24/11 iniciando às 09 horas da manhã o Psicologia em debate especial, tratará da Uberização do trabalho, sendo apresentado pela acadêmica de psicologia, Evellyn Cristina F. Pinho.

A Uberização do trabalho se trata desta nova forma de trabalho com horários mais flexíveis, dando a oportunidade ao trabalhador que o mesmo faça as escolhas de seus horários de trabalho e trabalhe de acordo com as demandas do serviço, porém inseridos na dinâmica de acúmulo de capital em que vivemos na nossa sociedade e também com um olhar para a classe trabalhadora que não tem grande poder aquisitivo, corre-se um grande risco nesta mudança na forma de trabalho.

Uma vez que o trabalhador trabalha de acordo com as demandas e com sua disponibilidade podemos pensar que estes indivíduos podem trabalhar menos e ter mais tempo para as demais atividades de suas vidas, no entanto o que na maioria das vezes acontece é que a remuneração para este novo modelo de trabalho não é alta e para que o trabalhador consiga suprir as necessidades básicas, sua e de seus dependentes, precisa trabalhar muito mais horas do que trabalharia em uma empresa como CLT.

Figura 1 – Alusão a Uberização do Trabalho e o capitalismo

Diante disto será que estamos realmente diante de um avanço na dinâmica de um trabalho ou em um retrocesso para o regime escravagista? Na dinâmica do capital o bem mais precioso do trabalhador é sua força de trabalho, seja ela intelectual ou física, quando percebemos que estes homens e mulheres entram nesta dinâmica de vender a sua força de trabalho muitas vezes mais do que 12 horas de um dia, sem horários regulares de almoço, descanso, e convívio familiar, faz referência a história do nosso país que ao declarar todo aquele que era escravo, como a agora um cidadão livre, no entanto pagava pouquíssimo pelo trabalho deles, não lhe dava a dignidade devida pelo seu empenho, e muitas vezes por sua saúde perdida enquanto trabalhava.

No Brasil existem normas e leis de trabalho pensadas para dar dignidade aos cidadãos trabalhadores, seja estes de melhor ou pior condição de vida, seja em trabalhos mais intelectuais ou em trabalhos braçais que envolvam riscos à saúde, no entanto ainda não se legislou sobre esta forma nova de trabalho, o que deixa brechas para que se gerem condições análogas à escravidão, enquanto alguns poucos enriquecem, a classe trabalhadora entrega sua força de trabalho, juventude, sua suade física e psicológica para ter o mínimo. 

Há lugar na sociedade para encontrarmos formas novas de trabalho para serem mais produtivas e benéficas a sociedade como um todo, que amplie o desenvolvimento, no entanto se faz necessário termos muito cuidado quanto à forma como empregamos o tempo e nossas potencialidades sem deixar que causem prejuízos às demais áreas da vida dos indivíduos que dela fazem parte.

Esta temática aprofundada e muitos outros temas relacionados ao trabalho e a saúde mental serão abordados no CAOS 2022.