Deficiência da fala e aspectos biopsicossociais

Os distúrbios da fala e da linguagem são passíveis de prevenção e tratamento tendo melhores resultados se for diagnosticado na infância, com acompanhamento adequado.

Existem fatores biológicos que são decisivos para compreender deficiências da fala que acometem pessoas de diferentes faixas etárias, entretanto, fatores de risco social e emocional, assim como a maneira de interação entre pais e filhos durante o início das fases de desenvolvimento, são decisivos para um desencadeamento no retardo da linguagem, segundo Ferriolli. A rotulação de crianças ou adultos sobre uma incapacidade acaba abafando qualquer possibilidade de desenvolvimento de potencialidades, portanto, compreender o ser a partir de alguma deficiência anula-o como indivíduo capaz de desenvolver habilidades. 

Desde que se nasce o ser se comunica através do choro,  olhar e gestos. A criança também pode distinguir pessoas através da voz, padrões de entoação, que baseiam o início interpretativo, que é dado por adultos, proporcionando leques de significados a partir de dada cultura para as crianças, iniciando o processo de entendimento da linguagem, que é o sistema simbólico usado para representar e significar o mundo através da fonologia, prosódia, sintaxe, morfologia, semântica e pragmática. E por fim no desenvolvimento da fala, diz respeito da troca efetiva de informações, recebendo-a e transmitindo-a através dos sons das palavras, produção vocal e fluência.

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Os distúrbios da fala e da linguagem são passíveis de prevenção e tratamento tendo melhores resultados se for diagnosticado na infância, com acompanhamento adequado. Para isso, é preciso uma observação dos cuidadores para com as crianças nas características da linguagem, sendo: extensão frasal (número de palavras utilizadas); complexidade sintática das frases; entonação; articulação de fonemas; as trocas presentes na fala da criança; o uso da linguagem pelo discurso e pela iniciativa comunicativa; bem como a fluência de fala (número de rupturas ou disfluências, velocidade de fala). 

Biologicamente, o hemisfério esquerdo é dominante da linguagem em cerca de 90% da população, e o hemisfério direito participa desse processo principalmente em aspectos pragmáticos. O processo neurológico da linguagem é complexo e envolve redes de neurônios espalhadas por diferentes partes cerebrais. Os ouvidos, capazes de captar estímulos sonoros do ambiente, decodifica-os e transforma-os em impulsos elétricos que são conduzidas por células nervosas, para a área do córtex cerebral, no lobo temporal, sendo possível transmiti-los pela linguagem, e armazenar sinais acústicos em um processo de aprendizagem, por algum período de tempo.  

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“A área de Wernicke, situada no lobo temporal, reconhece o padrão de sinais auditivos e interpreta-os até obter conceitos ou pensamentos. Ao mesmo tempo, são ativados neurônios na porção inferior do lobo temporal, os quais formam uma imagem do que se ouviu, e outros no lobo parietal, que armazenam conceitos relacionados” (CAROLINA R. SCHIRMER, DENISE R. FONTOURA , MAGDA L. NUNES)

Para verbalizar um pensamento, é acessado representações internas, presente na área da Broca, na porção inferior do lobo frontal, e convertida nos padrões de ativação neuronal necessários à produção da fala. Compreende-se que a aquisição da fala, e a compreensão de uma deficiência, têm faces multifatoriais, que devem ser analisados de forma biológica, psicológica e social (biopsicossocial) para compreender a sua origem, e tratá-las de forma a não categorizar o indivíduo a partir de sua dificuldade da execução da fala e comunicação precisa. 

ALGUNS TIPOS DE DISTÚRBIOS DA FALA:

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Refere-se ao problema na parte mecânica da fala, na expressão das palavras. Alguns dos principais distúrbios são: 

Mudez – esta incapacidade de articular palavras, geralmente é decorrente de transtornos do sistema nervoso central. Em boa parte dos casos, em decorrência de problemas na audição.

A Disfonia: caracterizada por um distúrbio de timbre, intensidade do som, e emissão vocal, podendo ter presença de voz rouca, bitonal ou de falsete. Que se dá pelo comprometimento da inervação motora das pregas vocais, a partir do nervo vagoespinal, podendo ocorrer a afonia completa.

Dislalia: distúrbio de articulação por causas multis, mas que não diz respeito a questões neuronais. Dislalia fisiológica, na qual a partir do desenvolvimento da criança, por volta dos 4 anos, tende a desaparecer, mas também pode ser provocada por malformação do aparelho fonador. Presente no personagem conhecido como “Cebolinha” na animação “A Turma Da Mônica”.

Disartria: distúrbios de articulação da palavra por alteração neurológica, em nível periférico (comprometimento dos nervos encefálicos) ou central (lesão pseudobulbares). Há presença de fala anasalada, explosiva, e nas lesões cerebelares, apresenta-se fala escandida, silabada.

Distúrbio de ritmo 

Taquilalia: Alteração do ritmo em que há aceleramento da fala, com articulação imprecisa. 

Bradilalia: Lentidão em pronunciar as palavras 

Gagueira: Caracterizado por interrupções na fala, com tal frequência que atrapalha na comunicação

Dislexia: Leitura lenta, com erros como omissão, inversões, repetições, substituição de consoantes e vogais. Dislexia de evolução se difere alexia occipital, que se configura quando o indivíduo já conseguia ler, entretanto, após alguma lesão, na qual anteriormente a ela, já existia a leitura e a fala sem qualquer problemática. 

ALGUNS TIPOS DE DISTÚRBIO DE COMUNICAÇÃO:

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Afasia: É um distúrbio de comunicação, com presença de dificuldade  de expressão, percepção, sendo uma síndrome focal, na qual há uma lesão em um lugar determinado que gerará tipos de afasia. 

Afasia de Broca: É uma afasia não fluente, pode reduzir-se a um vocabulário escasso, frases estereotipadas, pode ter transtorno na escrita (agrafia),  em outros casos, pode ocorrer anartria pura (não articulação de nenhuma palavra), entretanto à compreensão do que é falado é pouco alterado. 

Afasia de wernicke ou sensorial: A afasia interfere na compreensão, do que os outros o comunica de forma escrita ou verbal. Não conseguem repetir frases, e a existência de anosognosia, que é incapacidade de perceber seus próprios erros em sua fala.

Afasia de condução: Afasia fluente, com compreensão verbal boa e fala espontânea razoável, usualmente com presença de parafasias, e dificuldade na repetição de palavras. 

Afasia global: Mais grave, redução acentuada da expressão e compreensão, leitura e escrita comprometidas.

Afasia nominativa: Dificuldade em nomear objetos. 

Afasia transcortical: Sérias dificuldades na escrita, mas com boa compreensão de fala, escrita, e repetição de palavras, a lesão não está presente na área de Broca. 

REFERÊNCIAS

PRATES L. P. C. S.; MARTINS V.O. ;Distúrbios da fala e da linguagem na infância, UFMG). Belo Horizonte, MG – Brasil  http://rmmg.org/artigo/detalhes/808

HELENA B. FERRIOLLI V. M ;Associação entre as alterações de alimentação infantil e distúrbios de fala e linguagem CEFAC- SP; 2010 http://www.scielo.br/pdf/rcefac/2010nahead/112-09.pdf

Alguns distúrbios da linguagem e da fala; Redação Tutores Brasil, 2016 https://tutores.com.br/blog/alguns-disturbios-da-linguagem-e-da-fala/

CAROLINA R. SCHIRMER, DENISE R. FONTOURA , MAGDA L. NUNES; Distúrbios da aquisição da linguagem e da aprendizagem; Sociedade Brasileira de Pediatria; 2004 http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2s0/v80n2Sa11.pdf

SOUZA R. ;Distúrbios de fala e de linguagem- Afasia disartria, Dislexia, Disfonia; Neurofuncional; livro base: propedêutica neuológica básica do Sanvito 2017 https://www.youtube.com/watch?v=zdYWQUoD-O0

Maria Eduarda Oliveira
Acadêmica de Psicologia na instituição de ensino CEULP/ULBRA, voluntária no programa de extensão (EN)cena - Saúde Mental em Movimento. Compõe equipe de produção textual.