O abandono afetivo e seus impactos para a saúde mental infantil

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Desde o nascimento até a chegada à idade adulta, a criança enfrenta várias fases essenciais para a sua formação integral. Gonçalves (2021) destaca a importância do afeto principalmente nos anos iniciais, haja visto que o primeiro contato social é a família, a ausência dos mecanismos referentes ao afeto pode prejudicar na formação da identidade e confiança, trazendo prejuízos no nível emocional e comportamental.

De acordo com Araújo & Moucherek (2022) quando recebe cuidados e atenção adequados, a criança se sente segura no processo de formação, e já que cresce com autonomia e bem estar.  No entanto, nem sempre acontece da forma correta, e há situações em que existe o abandono afetivo na infância, podendo gerar sérios prejuízos para a vida adulta, interferindo nos aspectos psicológicos, emocionais, comportamentos e bem estar.

O abandono afetivo ocorre quando os pais não desempenham seu papel no desenvolvimento emocional dos filhos, deixando de fornecer apoio emocional e proteção, caracterizando-se como comportamentos omissos e ausentes por parte daqueles que deveriam desempenhar um papel afetivo na vida da criança ou adolescente.

Costa et al. (2023)  relata que o abandono afetivo ocorre quando os pais deixam de desempenhar seu papel no desenvolvimento afetivo dos filhos, de forma que negligencia o apoio emocional e a proteção da criança. A relação entre pais e filhos vai além das obrigações materiais. Envolve também a oferta de afeto, oferecendo equilíbrio emocional às crianças, contribuindo com o seu desenvolvimento integral.

As consequências do abandono afetivo podem ser devastadoras na maioria dos casos, pois afetam o desenvolvimento psicológico e emocional da criança. A falta de apoio emocional pode causar transtornos psicológicos ou outras comorbidades que podem prejudicar o desenvolvimento da criança, além de impactos no processo de socialização, expressão emocional, e relações interpessoais, pode também resultar em danos morais, inclusive com direito à reparação civil, em função da responsabilidade que os pais têm obrigação de ter ao zelar pela vida e saúde dos filhos.

No que tange a saúde mental, o abandono afetivo, pode acarretar consequências psicológicas importantes, interferindo na evolução da identidade e autoestima da criança, tornando-as vulneráveis, fragilizadas, propensas a influências negativas e agindo com dificuldades em suas relações interpessoais  (Spaler et. tal., 2025).

Mediante exposição, é fundamental que a sociedade, profissionais de saúde e psicólogos identifiquem essas situações e proponham medidas de apoio e intervenção de forma a reduzir as as consequências do abandono afetivo. Por isto, é fundamental que sejam implementadas campanhas de conscientização e apoio voltadas para os pais, enfatizando seus deveres na criação dos filhos. Isto porque, os vínculos afetivos entre pais e filhos permite melhor equilíbrio emocional, contribuindo à formação de um ambiente familiar seguro e estável. Outra forma é a promoção de políticas públicas voltadas para a criação e o  fortalecimento de redes de apoio familiar, no intuito de garantir que as crianças tenham bom desenvolvimento, como de fato precisam.

Referências

ARAÚJO, R. F. S.; MOUCHERECK, M. C. Abandono afetivo na infância e os danos psicológicos: uma revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development, v. 11, n. 15, p. 1-10, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/36934  Acesso: 12 mar. 2026.

COSTA, E. R. et . al. Abandono afetivo parental na infância e os efeitos comportamentais na vida adulta, Rev. Esfera Acadêmica Saúde (ISSN 2675-5823), vol. 8, nº 3, ano 2023. Disponível em: https://multivix.edu.br/wp-content/uploads/2025/03/Atigo-22-Esfera-Saude-v8n3-294-306.pdf Acesso em: 17 mar. 2026.

SPALER. D. et. al.   Consequências psicológicas em casos de ausência ou abandono paterno na infância, 2025. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/pdf/mental/v17n31/1679-4427-mental-17-31-0010.pdf Acesso em: 17 mar. 2026.

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