Durante 5 anos na minha jornada acadêmica, sempre enfrentei múltiplos desafios, conciliação com o trabalho, estudo e vida pessoal, mas diante ao cenário atual, não havia vivenciado algo parecido, vivenciar a transição para a maternidade durante o meu último ano da graduação em Psicologia. Conciliar tudo isso, tem sido, sem dúvida, uma das experiências mais intensas e desafiadoras que já vivi. Por mais que diariamente eu escute relatos de outras mulheres, mães sobre os desafios e conciliações, nada me preparou completamente para viver tudo isso ao mesmo tempo: a reta final da faculdade e a chegada de um filho.
Desde o início, a sensação é um misto de alegria, mas que predomina a preocupação. Alegria por viver um momento tão significativo na minha vida, mas também muitas dúvidas sobre como eu conseguiria conciliar todas as demandas. Visto que o último ano da faculdade já é, por si só, um período exigente. São estágios com cargas horárias extensas, atendimentos, relatórios, leituras, prazos e a constante sensação de que tudo precisa ser feito com muito cuidado e dedicação, afinal, estamos nos preparando para entrar no mercado de trabalho.
Com a gestação, o meu corpo começou a pedir outro ritmo. Vieram o cansaço, as mudanças físicas, idas frequentes ao médico, os exames e, junto com tudo isso, uma necessidade maior de pausa, algo que a rotina acadêmica nem sempre nos permite. Muitas vezes eu preciso lidar com a frustração de não conseguir manter o mesmo rendimento de antes. Há dias em que o corpo simplesmente pede descanso, enquanto a mente se lembra de todas as responsabilidades que ainda precisavam ser cumpridas.
A maioria das vezes, também existem momentos de insegurança. Às vezes eu me pergunto se vou dar conta de tudo, se consigo concluir essa etapa da minha formação com a mesma dedicação, ou como seria a adaptação quando o bebê chegar. A maternidade desperta muitas reflexões sobre o futuro, sobre carreira, sobre prioridades e sobre a forma como a gente passa a enxergar a própria vida.
Mas, ao mesmo tempo, essa experiência me traz muitos aprendizados profundos. Estar grávida enquanto estudo Psicologia tem ampliado o meu olhar sobre o cuidado, afeto, empatia, escuta e sobre as diferentes realidades. Eu passei a perceber ainda mais o quanto a vida é feita de atravessamentos, e como, muitas vezes, seguimos construindo nossos caminhos mesmo em meio a grandes transformações.
Estou aprendendo, nesse processo, que nem sempre vamos conseguir dar conta de tudo da maneira idealizada, e que está tudo bem ajustar o ritmo, pedir ajuda e respeitar os nossos próprios limites. Viver a maternidade na reta final da graduação tem sido desafiador, cansativo em alguns momentos e cheio de incertezas. Mas também tem sido um período de muito crescimento, de fortalecimento. Hoje eu entendo que essa fase não representa apenas o final de um ciclo acadêmico, mas também o início de um novo capítulo na minha história.
