“A Baleia” é um filme produzido pelo diretor Darren Aronofsky, e foi realizado a partir de uma adaptação da peça teatral de Samuel D. Hunter, de 1981, que retrata o caos de auto destruição e morte de uma pessoa obesa após a perda de um grande amor.
O filme The Whale tem como protagonista o ator Brendan Fraser, amplamente elogiado por sua atuação nesse importante trabalho. Na trama, Charlie nasceu em Moscow e, desde a adolescência, assumiu-se gay. Entretanto, desde a época escolar sofreu episódios de homofobia, expressão de um preconceito que ainda hoje produz discriminação e violência contra pessoas LGBTQIA+. Essas experiências contribuíram para o desenvolvimento de intenso sofrimento emocional, tornando-se gatilhos para a compulsão alimentar e para o ganho elevado de peso ao longo dos anos em que cursava a universidade.
Apesar de, com o passar do tempo, tornar-se um excelente professor universitário, Charlie ministrava suas aulas remotamente, sem nunca permitir que os alunos o vissem pela câmera. Era um homem profundamente solitário, marcado por um processo de autodestruição física, emocional e psicológica, agravado após a morte de seu esposo, grande amor e companheiro de vida. A partir dessa perda, passou anos isolado dentro de casa, negligenciando a própria saúde e afastando-se do convívio social.
Outro fator importante em sua trajetória foi o rompimento do vínculo com a filha após assumir seu relacionamento homoafetivo. Ao descobrir sua orientação sexual, a ex-esposa passou a afastá-lo da filha, sob a justificativa de que ele seria um “mau exemplo”. Esse processo de rejeição familiar intensificou ainda mais seu sofrimento psíquico e contribuiu para o agravamento da compulsão alimentar.
Durante o filme, Charlie mantém contato com poucas pessoas: uma amiga japonesa, que também é enfermeira, entregadores de comida e um jovem missionário que surge tentando convencê-lo de que a religião seria sua única forma de salvação. Após algum esforço, Charlie consegue reaproximar-se da filha, ajudando-a na elaboração de uma redação sem que a mãe soubesse. Contudo, mesmo diante de algumas tentativas de reconstrução de vínculos, Charlie falece em decorrência de uma insuficiência cardíaca congestiva, agravada pela obesidade mórbida e pela recusa em buscar tratamento.
O filme evidencia que os impactos sobre a saúde física estão profundamente relacionados à saúde mental. A compulsão alimentar
apresentada por Charlie não pode ser compreendida apenas como uma questão individual ou biológica, mas também como expressão de um sofrimento marcado pelo luto, pela exclusão social, pela culpa, pela solidão e pelo auto-ódio. Nesse sentido, a obesidade mórbida não aparece apenas como uma condição física, mas como manifestação de processos subjetivos atravessados por trauma, depressão e sofrimento social.
Além disso, o filme também permite refletir sobre como preconceitos estruturais, como a homofobia, podem produzir adoecimento psíquico. Muitas vezes, a sociedade tende a enxergar apenas o corpo gordo ou o transtorno alimentar, invisibilizando toda a história de sofrimento, rejeição e abandono que atravessa aquele sujeito. Assim, a obra convida à reflexão sobre a importância do cuidado em saúde mental de forma humanizada, considerando os aspectos emocionais, sociais e históricos envolvidos no processo de adoecimento.
Referência bibliográfica
ZAGO, Taís. A Baleia: uma jornada de luto, culpa e arrependimento, Café História, 2026. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/critica-filme-a-baleia/ Acesso em: 30 abr. 2026.
