Mudar de profissão depois de anos de carreira pode parecer um passo arriscado para muitas pessoas. No entanto, para alguns, essa mudança representa a oportunidade de buscar realização pessoal, propósito e bem-estar. Histórias de recomeço mostram que nunca é tarde para seguir um sonho ou redescobrir caminhos profissionais que tragam mais sentido à vida.
Diante dessa perspectiva, Karla Karoline realizou uma entrevista com Rafael Menez Dutra, policial militar que, após mais de uma década de atuação na corporação no Tocantins, decidiu iniciar uma nova jornada: o curso de Medicina. Na conversa, ele compartilha sua trajetória profissional, os desafios de voltar à vida acadêmica, as motivações para a mudança de carreira e as reflexões que surgiram ao longo desse processo de transformação pessoal e profissional.
(En)Cena – Conte um pouco sobre sua trajetória como policial e sua relação com os estudos naquele período.
Rafael – Na época em que passei no concurso da PM, eu estava cursando faculdade de Ciências da Computação e já estava estudando para o TCC. Por coincidência, também passei no concurso do Quadro Geral do Estado para a área de Informática, porém optei pela Polícia Militar, pois a remuneração era bem mais atrativa. Eu não estava focado em estudos específicos para concursos, mas sim para o meu TCC, então a aprovação nos dois concursos foi uma surpresa positiva.
(En)Cena – O que motivou você a mudar de carreira e iniciar o curso de Medicina?
Rafael – Sempre foi uma vontade de infância, mas, de alguma forma, eu não quis arriscar na época do vestibular e acabei optando por Computação. Atualmente, estou estável no meu cargo, já com 12 anos de instituição, e decidi ir atrás desse sonho antigo.
(En)Cena – Houve algum momento específico que marcou essa decisão?
Rafael – Sim. Depois de um período em que enfrentei algumas dificuldades e problemas pessoais, percebi que o fato de me sentir estagnado estava afetando minha saúde mental. Cheguei a sentir algo semelhante ao início de uma depressão. Conversando com um grande amigo, cheguei à conclusão de que precisava buscar uma realização que me fizesse sentir feliz ao fazer algo que sempre quis.
(En)Cena – Como foi emocionalmente deixar a identidade profissional de policial para iniciar uma nova trajetória?
Rafael – É um processo que ainda está em andamento. Afinal, continuo atuando e trabalhando como policial, porém em frentes de serviço nas quais me exponho menos ao cotidiano das viaturas convencionais.
(En)Cena – Quais foram as maiores dificuldades ao voltar para a vida acadêmica?
Rafael – No início, a rotina de estudos e a necessidade de colocar tantos conteúdos em dia foram pontos que me deram um choque de realidade, afinal, eu estava há alguns anos fora de uma sala de aula acadêmica.
(En)Cena – Por que você acredita que muitas pessoas têm medo de mudar de profissão, mesmo estando insatisfeitas?
Rafael – Acredito que, em parte — ou até em grande parte — por comodidade. Mudar não é confortável; é um processo difícil e que exige muito tempo e dedicação. Então, para algumas pessoas, é mais fácil continuar como estão, mesmo que estejam insatisfeitas.
(En)Cena – Você percebe preconceito social quando alguém decide recomeçar profissionalmente depois dos 40 anos?
Rafael – Sinceramente, não percebi nada em relação a isso.
(En)Cena – O que essa mudança ensinou sobre você mesmo?
Rafael – Passei a perceber novamente que meu potencial é limitado apenas pelas minhas próprias crenças sobre aquilo que sou ou não capaz de fazer.
(En)Cena – O que essa nova fase representa para você hoje?
Rafael – É como realizar um projeto de uma vida inteira.
(En)Cena – Que conselho daria para quem tem vontade de mudar de vida, mas ainda sente medo?
Rafael – Eu diria: “Finja que tem coragem e vá em frente”. Coloque-se à prova e mostre a si mesmo que você é, sim, capaz.
Agradecemos ao senhor Rafael Menez Dutra.
CRÉDITOS
Nome da entrevistadora: Karla Karoline
Curso: Psicologia
Data: 10/03/2026
