Efeitos da Dificuldade de Aprendizagem

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Tais dificuldades podem influenciar na baixa autoestima da criança e adolescente

São vários os fatores que podem influenciar no processo de Aprendizagem
Fonte: Foto de formulário PxHere

É importante mencionar que quando se fala de dificuldade de aprendizagem, considera-se qualquer fator que pode influenciar no aprendizado de uma criança ou adolescente, às vezes questões sensoriais, auditivas ou até mesmo alteração no comportamento, isso engloba o todo incluindo problemas emocionais que esse indivíduo possa estar sentindo.

Uma das maiores preocupações dos pais e professores é com a alfabetização da criança nas séries iniciais, é muito comum em sala de aula que algumas crianças apresentem dificuldades e nem sempre se trata de um transtorno específico e sim de déficit na aquisição de habilidades necessárias no processo de leitura e escrita. Essas habilidades são adquiridas por meio de estímulos, ou seja, o meio que a criança está inserida influencia muito no processo de aprendizagem de modo geral e é de fundamental importância que esse processo tenha uma parceria entre família e escola.

Existem diferentes metodologias de ensino, não necessariamente uma é melhor que a outra, mas algumas crianças e adolescentes se adaptam melhor a determinada metodologia, é necessário ter esse olhar voltado para o aluno com o intuito de auxiliá-lo a perceber a melhor maneira de absorver conhecimento, pois dependendo da dificuldade que esse indivíduo está se deparando no ambiente escolar, pode de certa forma desencadear problemas emocionais como: Insegurança, desmotivação e baixa autoestima.

Existem crianças que não apresentam dificuldade nenhuma e conseguem aprender com qualquer metodologia, mas vale ressaltar que cada indivíduo é único e apresenta mais facilidade em algumas coisas e outras não, e às vezes a expectativa que os pais projetam no filho, pode contribuir para uma dificuldade ou dissociação do desempenho da criança na expectativa dela e da família. 

Vygotsky fala sobre a importância da interação social no processo de aprendizagem
Fonte: Imagen de Kris en Pixabay

Às vezes a criança não consegue lidar com alguns desafios, dentre aprender a ler e escrever no mesmo ritmo dos demais colegas de sala, e se não for bem entendido por ela, pode se tornar impotente frente a essa situação e começar a desencadear fatores emocionais, influenciando em suas relações e seu desenvolvimento. Para Fonseca, (1995) “o insucesso escolar é, de certa forma, a antevisão da desorganização social. Se falha em qualquer estágio da escolaridade, as hipóteses de sucesso na vida são amplamente diminuídas”.

Por motivos diversos o fracasso escolar pode começar ainda no período de alfabetização, por não conseguir ter sucesso na habilidade de leitura e escrita pode provocar exclusão, timidez, desmotivação, influenciando negativamente na construção da autoestima. Goulart (2007) afirma que a “incapacidade de ler e escrever textos válidos socialmente gera nos alunos sentimentos de incompetência e impotência que reforçam a sua desqualificação social”.

No ambiente escolar o professor deve olhar para cada criança e adolescente como um todo e procurar fortalecer o vínculo entre professor/aluno, pois a aprendizagem é construída com as relações, não está ligada apenas aos aspectos cognitivos inclui aspecto físico, social e emocional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, em seu artigo 22, Parágrafo único, afirma que “são objetivos precípuos da educação básica a alfabetização plena e a formação de leitores, como requisitos essenciais para o cumprimento das finalidades constantes do caput deste artigo”.

É importante enfatizar que a escola tem um papel especial na educação das crianças, mas a família também é peça fundamental nesse processo, pois o hábito de leitura é um comportamento aprendido e quando os pais são modelo e incentivam os filhos, contribui positivamente com a habilidade de ensino/aprendizagem. 

Estudos apontam que na menor parte dos casos de crianças/adolescentes que não são alfabetizados realmente se tem um transtorno de aprendizagem, mas na imensa maioria dos casos se tem algum outro fator externo e por isso é necessário uma investigação pontual para tentar sanar essa dificuldade para este indivíduo desenvolver seu potencial. 

Punições, críticas constantes, comparações de desempenho pode gerar na criança uma baixa autoestima. Ter boa autoestima é fundamental para lidar com os conflitos do cotidiano, ela é sinônimo de confiança, de acreditar que a gente é capaz de encarar determinada situação, de aceitar a si e aos outros.

A pessoa com boa autoestima tem condições de enfrentar os desafios que a vida lhe apresenta
Fonte: Imagen de Victoria_Watercolor en Pixabay

Para Brander (2000) “autoestima é a confiança na capacidade de pensar, confiança na habilidade de dar conta dos desafios básicos da vida e no direito de vencer e ser feliz”. Portanto valorize as conquistas da criança e adolescente por menor que seja, isso contribui para o senso de dedicação, de querer dá o seu melhor naquilo que faz, pois sabe que seu esforço está sendo notado.  

Referências

BRANDEN, N. Autoestima e seus pilares. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2000.

FONSECA, V. da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.  

GOULART, C. Processos de letramento na infância: aspectos da Complexidade de processos de ensino aprendizagem da linguagem escrita. In: SCHOLZE e ROSING, Lia Tânia M. K. (Org). Teoria e Práticas de letramento. Brasília: INEP, 2007.

LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. – 6. ed. – Brasília, DF: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2022. Disponível em <: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/600653/LDB_6ed.pdf?sequence=1&isAllowed=y >. Acessado em 26 fev. 2023.

VYGOTSKY, L.S. Formação social da mente. Trad.: NETO, J.C. BARRETO L. S. M. AFECHE, S.C. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

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Dislexia dificulta identificação de palavras

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Psicopedagoga explica que o distúrbio se manifesta na fase de alfabetização.

A Dislexia é um distúrbio de aprendizagem que se manifesta normalmente na fase da alfabetização, período em que os pequenos têm contato com tarefas escolares que incentivam a leitura e formação de vocábulos. Uma de suas características principais é a dificuldade em identificar palavras ou símbolos

Segundo a psicopedagoga do Instituto NeuroSaber Luciana Brites, muitos pais confundem a dislexia com preguiça ou um simples problema na aprendizagem, o que é bem diferente de um distúrbio.

 – Os distúrbios de aprendizagem afetam a capacidade da criança de receber, processar, analisar ou armazenar informações. Trata-se de uma disfunção neurológica, que é uma questão de neurônios, de conexão. Os portadores do distúrbio demonstram dificuldade em adquirir o conhecimento da teoria de determinadas matérias – explica.

Fonte: https://images.app.goo.gl/XkbLxeoSToCBT3Be8

 Luciana diz que a dislexia é algo que está presente em um número considerável de crianças. Pesquisas apontam que a taxa de incidência esteja entre 0,5% e 17% em todo o mundo. Ela comenta que todo profissional da educação, provavelmente, já teve algum aluno que demonstrou uma dificuldade acima do normal para sua idade. “Porém, é necessário saber o que se trata para não haver equívocos.”

 As crianças com dislexia podem manifestar características como, por exemplo, dificuldades para ler, compreender, escrever, expressar-se, realizar operações matemáticas e cálculos. “Estes dois últimos se relacionam mais para a discalculia – o que também é distúrbio de aprendizagem. Outros sintomas são alteração brusca de humor e um ligeiro desinteresse por alguma tarefa”.

 – Há diferentes graus do distúrbio. Em casos severos, o pequeno necessita de uma ajuda maior de seus pais e professores. Já quando vem mais brando, a pessoa apresenta certa autonomia para as tarefas pedagógicas – comenta.

 Luciana ainda explica que os educadores costumam ser os primeiros profissionais a terem contato com as dificuldades originadas pela dislexia. Por isso, é importante que o educador chame os pais para uma reunião na escola ao notar a dificuldade. “O próximo passo é a procura por especialistas que podem oferecer tratamentos específicos aos pequenos.”

Fonte: encurtador.com.br/mAHN0

 – O diagnóstico e tratamento são feitos por meio de uma análise realizada por uma equipe que pode variar entre psicopedagogos, psicólogos, neuropsicólogos, psiquiatras e oftalmologistas. É importante ter esse acompanhamento com a proposta de proporcionar à criança uma intervenção eficaz para a sua vida pedagógica e social. Nos casos que forem necessários o uso de medicamentos, os profissionais da saúde irão auxiliar os pais – conclui.

Sobre a especialista

Uma das fundadoras do Instituto NeuroSaber, Luciana Brites é Pedagoga especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Unifil Londrina. Também é especialista em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe – Gae São Paulo, além de coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

NeuroSaber

O projeto nasceu da necessidade de auxiliar familiares, professores, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, médicos e demais interessados na compreensão sobre transtornos de aprendizagem e comportamento. A iniciativa tem como objetivo compartilhar informações valiosas para impactar as áreas da saúde e educação, além de unir especialistas do Brasil e do exterior.

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Livro destaca importância da educação para um mundo melhor

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Mostrar que cada família é única e que a educação é a melhor forma de obter bons resultados. Essa é a mensagem transmitida pelo livro “Desafio de Educar  Volume 2  A educação é a base para um mundo melhor!”. Com coordenação editorial da psicóloga e palestrante Livia Marques, a obra conta ao todo com 24 coautores das áreas de saúde e educação.

Para a autora, a principal ideia é trabalhar a educação das crianças e adolescentes da melhor forma possível com amor, diálogo, empatia e compaixão para se estabelecer uma relação saudável e afinada.

encurtador.com.br/adltA

— Socialmente, parece que temos um padrão ou uma receita de bolo afirmando que errar é inadmissível. Por isso, buscamos também acalentar o coração do adulto, que às vezes fica cansado e sem saber o que fazer em relação a educação dos seus  destaca.

Livia explica que a obra pretende conversar com o leitor de forma direta e assertiva mostrando que não se deve pensar na violência como forma de educar. “Falamos muito sobre emoção e educação positiva”.

encurtador.com.br/oqLV4

— Abordamos também assuntos como racismo, crenças limitantes, o adolescente e o luto, como a pedagogia pode e deve contribuir no crescimento desses indivíduos, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), bullying, entre outros.  Discorre Livia.

A ideia do novo volume surgiu em 2018, ano do lançamento do livro Desafios de Educar volume 1. “Percebi que tínhamos muito mais a desenvolver. Mostrar mais. Como, por exemplo, exercícios simples que podemos fazer em casa e nas escolas.”

encurtador.com.br/ejIXZ

 Nesta edição, falamos e mostramos exercícios para lidarmos com nossas crenças disfuncionais. Discutidos sobre as emoções, que em muitos casos são vistas como negativas e que ficam escondidas. Falamos ainda das possibilidades de estarmos juntos em busca de algo maior  conclui.

Ficha técnica:

Livro: Desafio de Educar – Volume 2 – A educação é a base para um mundo melhor!

Editora: Conquista Editora

ISBN: 978 85 5765 032 9

Páginas: 232

Preço: R$ 50,00

Link para a compra: https://www.instagram.com/psicol.liviamarques/ ou pelo telefone (21) 997136690

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Caso Humberto: uma proposta comportamental

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Descrição da Realidade de Humberto
Humberto é um garoto de dez anos de idade que, há muito, passa por uma difícil situação, sendo considerado por todos à sua volta um “bobão” com atraso mental. Todos os nomes utilizados neste estudo de caso são fictícios. Segue abaixo a descrição de Humberto e de algumas pessoas atuantes em sua vida:

Humberto: Já foi retido quatro vezes na escola, copia bem, às vezes omite letra. Na fala também omite letra e troca o R pelo I. Repete bem historinhas, mas é péssimo em matemática. Possui boa aparência (quando bebê, todos queriam vê-lo e pegá-lo no colo), bem cuidado, atento e colaborador. Em casa, todos o veem como o doente da família, fazendo-o internalizar esse discurso. É visto como um “bobão, com problema na cabeça, um caso perdido”. Ele ouve tudo isso sempre cabisbaixo.

Fonte: http://zip.net/bntDGd
Fonte: http://zip.net/bntDGd

Grace: Professora do ano anterior, que se encarregou de passar uma péssima imagem de Humberto para a nova professora no início do ano. Ela que o descreveu como um “caso perdido” e como alguém que há muito precisava de um encaminhamento. Ela relata que no início do ano agradava muito ele, mas quando agradou outro, ele chorou muito. Em sua fala, ela diz: “Olhando parece inteligente, é bonito (…) é um bobão, já repetiu várias vezes. Mas quando fala, você percebe que tem problemas”.

Marta: Orientadora educacional da escola que encaminhou Humberto para uma classe especial em outra escola. “Munida de uma visão muito pobre do processo de aprendizagem escolar, distribui diagnósticos de deficiência mental sem qualquer rigor e critério”.

Psicólogo(a): A psicóloga disse que Humberto tem raciocínio lento e para ele ficar em classe mais lenta. Na nova escola, um outro psicólogo fez um laudo psicológico, tentando justificar a inclusão de Humberto numa “classe especial preparatória”. Este laudo apresenta má qualidade em sua linguagem, colocando Humberto como “deficiente educável”, desorientado quanto a compreender claramente as instruções e as entrevistas, entre outros aspectos. Colocou também que há sinais de comprometimento neurológico e distúrbios psicomotores, sugerindo fonoaudiologia, oftalmologia, psicomotricidade, EEG e orientação do responsável.

Zélia: Esta é a mãe de Humberto que, inicialmente não aceitou seu encaminhamento para uma classe especial, relatando que ela e seu marido não são loucos e que seu filho era normal, apenas preguiçoso. Mas hoje agradece Marta por tê-la alertado. A partir dessa aceitação, começa um processo de estigmatização de Humberto junto à família, em que o discurso técnico passa a fazer parte da linguagem de Zélia. Zélia expressa tendências controladoras e é o principal elemento da vida familiar, decidindo sobre os negócios do marido, impondo seus desejos relativos às prioridades de gastos com a casa. Além desse papel poderoso no grupo familiar, arca com o trabalho doméstico, mostrando insatisfação com a vida de casada. Quando Humberto nasceu, ela não o queria dividir com ninguém, tendo ciúmes dele e cerceando o seu desenvolvimento, por medo de contaminação do ambiente, tornando-o totalmente dependente dos seus cuidados. Ela declara que os problemas de Humberto só podem existir por causa do seu “excesso de zelo”. Ela está sempre vigilante com o que o filho faz, sempre à espera do erro e de corrigi-lo.

Aurício: Pai de Humberto que se mostra ausente no estudo, sendo coerente com seu lugar ocupado no grupo familiar. É o provedor da casa, porém se comporta como um filho de Zélia e como um irmão dos filhos. Durante a pesquisa, prefere falar sobre as suas coisas (como uma criança), mostrando desinteresse pelo caso de Humberto, como se o assunto não lhe dissesse respeito.

Areta e Rogério: São os irmãos de Humberto, com oito e sete anos, respectivamente. Relatam divertidos as dificuldades do irmão em casa e na escola. Areta refere-se insistentemente ao Humberto como um “burro” que não consegue passar de ano. Quando brincam de escola, Areta coloca-o de castigo e o reprova. Quando brincam de casinha, Areta é a mãe, Rogério o pai e Humberto o bebê, que está sempre doente e é muito chorão.

Pontos-Chaves (Problematização)

  1. É correto enquadrar uma criança de apenas dez anos de idade como um “caso perdido”? Quais critérios foram utilizados para diagnosticá-lo?
  2. Quais fatores influenciam na não aceitação do encaminhamento por parte da mãe?
  3. Se os comportamentos apresentados pela criança não forem condizentes ao que se espera dela em determinada fase, é argumento suficiente para afirmar que esta não é normal?
  4. A dinâmica familiar de Humberto interfere nos problemas de aprendizagem por ele apresentados?
  5. O fato da professora Grace ter agradado Humberto no início pode ter o reforçado de forma inadequada e influenciado no seu aprendizado?
Fonte: http://zip.net/bctDCg
Fonte: http://zip.net/bctDCg

Teorização (B. F. Skinner)

  1. B. F. Skinner foi o expositor mais influente da teoria da aprendizagem. Ele concordava com Watson que a psicologia devia focalizar o estudo científico do comportamento (BERGER, 2003). Segundo Watson, tudo pode ser aprendido. Em suas palavras: “Deem-me algumas crianças saudáveis, bem formadas, e meu próprio mundo especificado para educá-las, e garanto eleger qualquer uma delas aleatoriamente e treiná-las para que se torne qualquer tipo de especialista que eu possa escolher (…)” (Watson, 1928 apud Berger, 2003). Os teóricos da aprendizagem ressaltam que a vida é um contínuo processo de aprendizagem (BERGER, 2003). Portanto, a partir do que foi exposto, depreende-se que para Skinner e Watson, não é correto enquadrar uma criança de apenas dez anos de idade como uma “caso perdido” (aliás, nenhum ser vivo), pois eles acreditavam que enquanto há vida, há aprendizagem. Provavelmente, Humberto tenha sido assim estigmatizado devido à falta de estrutura no ensino que uma criança com dificuldades em aprender se depara, em que é mais fácil, principalmente para o professor, rotulá-lo como alguém com problemas do que usar métodos diferentes para ensinar.
  2. Segundo Skinner, o ser humano é ativo perante o meio e sensível às consequências de suas ações. E ainda, tem seu estudo pautado na interação das variáveis e de que maneira essas afetam o comportamento de um indivíduo. Diante o exposto, podemos ressaltar alguns fatores que influenciam na não aceitação da mãe ao seu encaminhamento para um profissional psicólogo. A mãe foi criada na periferia de uma grande cidade. Segundo ela, frequentou a escola somente até a 3ª série ginasial; desempenha o papel de principal elemento organizador da vida familiar, mas não está dispensada dos afazeres domésticos, o que faz com que ela se sinta insatisfeita com a vida de casada e decepcionada com o papel social que está destinada como mulher, além de afirmar que já desistiu de ser feliz nesta vida e que na próxima não quer ter marido e filhos; prefere acreditar na ideia de que os problemas de aprendizado de Humberto são pelo excesso de cuidado por sua parte ou por preguiça da parte dele; e ainda descreve o psicólogo como “alguém que é capaz de adivinhar tudo o que o outro pensa e também que este é um especialista que trata de doenças.”
  3. Os teóricos da aprendizagem formularam leis do comportamento que se aplicam a todos os indivíduos de todas as idades. Essas leis oferecem visões sobre como habilitações amadurecidas são modeladas a partir de ações simples e sobre como as influências do ambiente moldam o desenvolvimento do indivíduo. Segundo a visão dos teóricos da aprendizagem, todo desenvolvimento envolve um processo de aprendizagem e, portanto, não ocorre só em determinadas fases que dependem da idade e do amadurecimento (Bijou & Baer, 1978 apud Berger, 2003). Portanto, fica claro que, se uma criança não apresenta comportamentos compatíveis com a fase em que se encontra, não é argumento suficiente para dizer que ela não é normal. No caso de Humberto, parece que o ambiente em que ele se encontra, principalmente a família, não está colaborando para seu desenvolvimento e aprendizagem.

    Fonte: http://zip.net/bltC6H
    Fonte: http://zip.net/bltC6H
  4. As atitudes da mãe de Humberto, tal como do restante da família e das pessoas na escola reforçam a ideia de que ele é um caso perdido, que precisa de atenção. Além da superproteção da mãe e das palavras negativas utilizadas pela família, percebe-se que Humberto sempre é colocado como indefeso ou incapaz. Nesse caso, a família está reforçando as atitudes de Humberto em agir como tal. Humberto ouve essas provocações cabisbaixo, deixando claro que as atitudes familiares não estão cooperando para seu desenvolvimento e estão afetando seu lado emocional, colaborando para um complexo de inferioridade que o torna incapaz de se adaptar ao meio social e escolar.
  5. Segundo Skinner, existem formas de controle para o processo de aprendizagem bastante eficazes, baseadas no arranjo das contingências do reforçamento. Trata-se de arranjar situações com o objetivo de possibilitar ou aumentar a ocorrência de determinados comportamentos desejados. Nesse contexto, Skinner destaca que o professor deve se utilizar dos reforços existentes no dia a dia do aluno e organizar suas contingencias para reforçar as respostas desejadas. Porém, reforçar exige atenção e cuidado, para que comportamentos inadequados não sejam fortalecidos. Segundo Henklain e Carmo (2013), “o reforço deve ser condicionado à apresentação, pelo aluno, de comportamentos que se aproximem dos comportamentos-objetivo estabelecidos pelo professor, ou que efetivamente sejam demonstrações desses comportamentos-objetivo. ” O professor deve ter critérios confiáveis de reforçamento para que as respostas evidentes de real aprendizagem sejam fortalecidas. Com isso, pode-se entender que “agradar” o aluno sem um critério preciso e sem um objetivo claro sobre os resultados de tal agrado podem sim reforçar comportamentos contrários e/ou distantes daqueles que devem ser aprendidos na escola.

Proposta de Intervenção

O valor das técnicas de modificação de comportamento para aprimorar uma grande variedade de comportamentos foi amplamente demonstrado em milhares de relatos de pesquisa. Foram documentadas aplicações bem-sucedidas com populações que variam desde pessoas com severas deficiências de aprendizagem até as altamente inteligentes (BERGER, 2003).

Desde o início dos anos 1960, aplicações de modificação de comportamento em salas de aula progrediram em várias áreas. Muitas aplicações, nas séries iniciais do ensino fundamental, foram desenvolvidas para modificar comportamentos de disrupção ou incompatíveis com a aprendizagem acadêmica (…) Outras aplicações se voltaram para a modificação direta do comportamento acadêmico, incluindo leitura oral, compreensão de leitura, soletrar, caligrafia, matemática, redação, criatividade e domínio de conceitos de ciências. Também se alcançou considerável sucesso em aplicações com indivíduos com problemas especiais, como crianças com déficits de aprendizagem e crianças hiperativas (Barkley, 1998 apud Berger, 2003).

Dentre as técnicas de modificação de comportamento, há a modelagem, um processo que pode ser utilizado para instalar um comportamento que o indivíduo nunca emitiu. O modificador de comportamento começa por reforçar uma resposta que ocorre com frequência superior a zero e que se pareça, pelo menos remotamente, com a resposta final desejada. Quando tal resposta inicial está ocorrendo numa frequência elevada, o modificador para de reforçá-la e começa a reforçar uma resposta ligeiramente mais próxima à resposta final desejada (BERGER, 2003).

Às vezes, um comportamento novo se desenvolve quando o indivíduo emite algum comportamento inicial e o ambiente (seja o físico, sejam outras pessoas) reforça variações pequenas de tal comportamento, durante uma série de ocorrências. Eventualmente, o comportamento inicial pode ser modelado de maneira que a forma final não se pareça mais com ele. A modelagem é tão comum na vida diária, que a maioria das pessoas nem tem consciência dela. Ela pode ser aplicada sistematicamente, quando há um plano de ensino ou não sistematicamente, que é o que ocorre comumente na vida diária. Isso serve para ilustrar a importância que os pais ou cuidadores representam na vida de uma criança (BERGER, 2003).

Fonte: http://zip.net/bdtD46
Fonte: http://zip.net/bdtD46

A modelagem pode apresentar algumas ciladas, quando mal utilizadas por pessoas que não tem conhecimento sobre ela. Um comportamento prejudicial, que talvez não tivesse ocorrido sem modelagem, é desenvolvido gradualmente como resultado dessa. Outro tipo de cilada é quando uma pessoa, inadvertidamente, deixa de aplicar uma modelagem quando ela deveria ser aplicada. Alguns pais, por exemplo, não são muito sensíveis aos comportamentos de seu filho, ou seus problemas pessoais os impedem de devotar a atenção necessária à criança, ou, ao invés de não apresentar suficiente reforço para o comportamento correto, alguns pais dão à criança bastante reforço de maneira não contingente. Assim, muitas variáveis podem impedir que uma criança fisicamente normal receba a modelagem necessária para estabelecer comportamentos normais (BERGER, 2003).

Considerando o exposto, depreende-se que o caso de Humberto se encaixa perfeitamente em uma cilada de modelagem. Na descrição de seu caso, há três evidências que comprovam isso: a falta de um diagnóstico concreto de alguma deficiência física ou mental como causa de seus problemas de aprendizagem; a surpresa relatada pela nova professora em ele estar em uma classe especial, pois ela não acredita que ele necessita disso; e a declaração de que a sua mãe cerceou seu desenvolvimento por medo do ambiente estar contaminado. Para Skinner, a interação com o ambiente é essencial para a aprendizagem. Percebe-se que essa interação de Humberto não se dá de forma proveitosa, e mesmo sendo ele uma criança saudável, não se desenvolveu plenamente, sendo estigmatizado por todos à sua volta.

Portanto, propõe-se que a técnica de modelagem seja utilizada para intervir no caso de Humberto. Esse processo deve ocorrer em cadeia, ou seja, em casa e na escola Humberto precisa receber a atenção necessária para os objetivos corretos. Para tanto, a família e os educadores necessitam de uma orientação quanto à esse processo e às necessidades de Humberto. É preciso planejar esse processo, e para tal, existem diretrizes para aplicação eficaz da modelagem. São elas:

  • Especificar o comportamento final desejado: Consiste em identificar o comportamento que se deseja ao final do processo, de modo a aumentar as chances de reforçamento consistente das aproximações sucessivas de tal comportamento. No caso de Humberto, o comportamento final desejado é a sua adequação ao meio social e escolar, tal como sua plena aprendizagem acadêmica;
  • Escolher um comportamento inicial: Consiste em identificar um ponto de partida, um comportamento que ocorra com frequência suficiente para ser reforçado durante a sessão e deve se assemelhar ao comportamento final desejado. No caso de Humberto, esse ponto de partida seria a sua habilidade em repetir historinhas;
  • Escolher as etapas de modelagem: Consiste em planejar as aproximações sucessivas por meio das quais a pessoa será conduzida, a fim de alcançar o comportamento final desejado. No caso de Humberto, reforçaria a sua habilidade em repetir historinhas, depois sua criatividade em inventar as próprias historinhas, depois em contá-las para os seus colegas, de modo a socializar e também aprender com eles;
  • Avançar no ritmo certo: Consiste em reforçar a aproximação várias vezes antes de passar para o passo seguinte, evitar reforçar um número excessivo de vezes quaisquer dos passos e caso perder um comportamento porque está indo rápido demais, voltar a uma aproximação anterior.

Ao final do processo, espera-se que Humberto tenha superado com sucesso não somente suas dificuldades em aprendizagem, mas também de adequação ao meio social e escolar, melhorando até mesmo seu lado afetivo-emocional.

Fonte: http://zip.net/bstDT8
Fonte: http://zip.net/bstDT8

REFERÊNCIAS:

HENKLAIN, M. H. O.; DOS SANTOS CARMO, J. Contribuições da análise do comportamento à educação: um convite ao diálogo. Cadernos de Pesquisa, 2013.

MARTIN, G.; PEAR, J. Modificação de Comportamento: O que é e como fazer. 8ª ed. Universidade de Manitoba. São Paulo, 2003.

CATANIA, A.C. (1999). Aprendizagem: Comportamento, Linguagem e Cognição. Porto Alegre: Artmed.

BAUM, W. M. (2007). Compreender o Behaviorismo: Comportamento, Cultura e Evolução. Porto Alegre: Artmed.

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