Fisioterapia Aquática na APAE de Palmas – TO

 

Alongamentos, fortalecimento muscular e treino funcional no meio aquático são algumas das práticas realizadas no projeto de extensão Fisioterapia Aquática na APAE de Palmas – TO do Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA). Coordenado pela professora fisioterapeuta Luciana Furtado, o trabalho do projeto com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) teve início em 2010, quando o CEULP/ULBRA construiu uma piscina terapêutica especial para este tipo de modalidade na Associação. Desde esta data, os alunos apaeanos são atendidos semanalmente por acadêmicos do curso de Fisioterapia e supervisionados por docentes da mesma área.

O (En)Cena entrevistou a professora Luciana Furtado, coordenadora do projeto Fisioterapia Aquática na APAE de Palmas – TO, para conhecer como essas atividades promovem qualidade de vida às crianças apaenas.

 


Professora Luciana Furtado, coordenadora do projeto Fisioterapia Aquática na APAE de Palmas – TO

 

(En)Cena – Em quê consiste a fisioterapia aquática? Essa atividade terapêutica exige preparação de algum recurso para a realização dela, como, por exemplo, uma piscina específica ou material diferenciado?

Luciana Furtado – A fisioterapia aquática consiste na prática de técnicas fisioterapêuticas específicas para o meio aquático utilizadas para a promoção da reabilitação física e funcional de pacientes. Os atendimentos devem ser realizados num espaço destinado a atividades aquáticas que seguem normas da vigilância sanitária e contam com uma piscina com estrutura e temperatura da água específica para esses atendimentos.

Criança sendo atendida por acadêmicos do projeto

 

(En)Cena – Por que vocês escolheram a comunidade apaeana para as práticas do projeto e por que a escolha da fisioterapia aquática?

Luciana Furtado – A maioria das crianças da APAE tem deficiência física que compromete seu desenvolvimento motor adequado e consequentemente causa prejuízo na deambulação e realização de suas atividades funcionais. Certos princípios físicos da água associados a manejos fisioterapêuticos específicos conferem maior liberdade e funcionalidade aos movimentos que seriam difíceis de serem executados no solo, o que permite, de acordo com a doença de base, estimular o ganho progressivo de flexibilidade, força, equilíbrio e de habilidades funcionais.

A instituição APAE conta uma piscina terapêutica e a disponibiliza para profissionais fisioterapeutas de instituições parceiras para que possam atender a grande demanda de crianças com deficiência encaminhadas pelos médicos para esse atendimento.


Alunos da APAE recebendo atendimento

(En)Cena – Como é a aceitação dos alunos da APAE? Eles demonstram gostar das atividades desenvolvidas pela fisioterapia aquática?

Luciana Furtado – É visível o bem estar e a alegria das crianças durante os atendimentos, o que motiva os acadêmicos voluntários a se interessarem por essa área de atendimento.

 

(En)Cena – Que resultados o projeto obteve no que diz respeito à saúde física e psíquica das crianças atendidas? Houve melhora de qualidade de vida?

Luciana Furtado – Nesses anos de realização do projeto temos observado resultados de melhora física, funcional e até mesmo relatos de melhora do bem estar psíquico pelos professores cuidadores dessas crianças, aspectos esses, fundamentais na garantia de uma boa qualidade de vida a essa população.

 

(En)Cena – Os pais e cuidadores das crianças atendidas também acompanham o processo terapêutico desenvolvido na APAE? Qual é a importância desse acompanhamento? Eles são orientados sobre cuidados ‘pós-hidroterapia’?

Luciana Furtado – A maior parte das crianças vai até a escola através do ônibus escolar e passam o dia inteiro na instituição enquanto seus pais trabalham. Assim há pouco contato desses pais com os profissionais da saúde atuantes nessa instituição, mas muitas vezes passamos orientações destinadas aos pais através dos professores cuidadores dessas crianças, e quando os pais podem comparecer, assistem aos atendimentos e recebem orientações e são esclarecidos quanto a seus questionamentos no cuidado à suas crianças. Já o contato e orientações com os professores cuidadores é pontual a cada atendimento.


Acadêmicos atendendo alunos apaeanos

(En)Cena – Na grade curricular do curso de Fisioterapia existe alguma disciplina específica sobre hidroterapia? Como têm sido a participação dos acadêmicos como voluntários nesse trabalho?

Luciana Furtado – Há no curso de Fisioterapia do CEULP-ULBRA a disciplina de Fisioterapia Aquática onde há teoria e prática dos princípios e técnicas que regem esses atendimentos. Os voluntários mostram-se motivados, participativos e atuantes em todo o processo de reabilitação proposto pelo projeto de extensão.

 


Alunos voluntários do projeto Fisioterapia Aquática na APAE

 

(En)Cena – A vivência ‘universidade e comunidade’, na Fisioterapia Aquática na APAE de Palmas, é geradora de bons resultados?

Luciana Furtado – Os resultados são uma via de mão dupla: tanto as crianças beneficiam-se da reabilitação pela fisioterapia aquática, quanto os acadêmicos, professores e a instituição CEULP-ULBRA em si, beneficia-se das atividades filantrópicas realizadas na APAE, construindo nos acadêmicos a responsabilidade social, humanística e ética embasada no conhecimento científico e vivenciada no vínculo terapeuta-paciente.

 


Atendimentos hidroterapêuticos na APAE